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Adolescente � atropelado e esfolado vivo

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Os moradores da Rua Dr. Passos de Miranda (antiga Ladeira do Calmon), em Bebedouro, vão demorar para esquecer os momentos de horror vividos na última sexta-feira. Eles viram o estudante Charlie Willie Gomes da Silva, 15, ser arrastado por cerca de 250 metros pela Ladeira do Calmon, depois de ter sido atropelado por uma camioneta L-200, dirigida por Amélia Acioly Casado. Charlie estava internado até ontem na UTI da Unidade de Emergência e seu estado era considerado gravíssimo pelos médicos. Ele teve a pele da barriga arrancada e ficou com as vísceras expostas. Teve, ainda, fratura exposta no braço direito e perdeu parte do pênis. Segundo a mãe do garoto, Maria Quitéria Gomes, Charlie permaneceu consciente todo o tempo em que foi arrastado pelo veículo. Isso evitou que sofresse lesões também na cabeça. O clima é de revolta entre as pessoas que testemunharam o atropelamento. O primo de Charlie, Anderson Gomes da Silva, disse que o acidente ocorreu às 10h30 da sexta-feira. Charlie estava de bicicleta e ia atravessando a rua quando foi atingido pelo veículo dirigido por Amélia Acioly, que passava sobre os trilhos do trem para subir a Ladeira do Calmon. Segundo ele, como o carro vinha em baixa velocidade, por causa da passagem dos trilhos, a pancada não foi tão grande e Charlie tentava se levantar, quando a motorista acelerou e o arrastou. Até aquele momento, Anderson não sabia que quem estava debaixo do carro era o primo. ?A sorte dele foi que, ao tentar desviar de uma moto, ela passou por um buraco e Charlie caiu?. Ao ser socorrido, o rapaz chegou a dizer que sentia o corpo queimando. |FAS ### Abandonada, família cobra assistência Outra testemunha do acidente, Roni Marques Soares Ludujero, disse que viu quando o carro atropelou Charlie. Segundo ele, um motoqueiro chegou a bater no vidro do carro de Amélia para ela parar, mas não obteve êxito. Amélia só teria parado nas proximidade do Bar do Vieira, na Avenida Belo Horizonte, depois de ter sido seguida por um carro da Polícia Militar, que passava na hora pelo local. ?Foi a coisa mais absurda que já vi?, disse a dona-de-casa Maria Vilma Braga Santos. ?Um ser humano sendo arrastado como um cachorro?. A maior queixa da família de Charlie é pela falta de assistência da motorista que atropelou o rapaz. O pai do adolescente, José Augusto da Silva, disse que foi ao CIAPC, onde Amélia Acioly compareceu, acompanhada de advogados e familiares, horas depois do atropelamento. ?Eles nem olharam para mim?, comentou Augusto. Ele esteve ontem na Delegacia de Acidentes de Trânsito para pedir que o caso seja apurado. As fotos chocantes tiradas por uma testemunha são uma prova da gravidade do acidente. Ainda de acordo com testemunhas, Amélia estava acompanhada da filha, Rosa Amélia, quando atropelou Charlie. Ela alegou aos policiais que a seguiram que só não prestou socorro à vítima porque teve medo de ser linchada pelas pessoas que presenciaram o acidente. ?Se o acidente ocorresse por culpa do meu filho e ela prestasse socorro, eu jamais faria nada contra ela?, disse a mãe de Charlie, Maria Quitéria Gomes, ainda abalada com a situação. Amélia é irmã da conselheira tutelar Marta Célia, que atua na região. ?Nem a irmã dela, que é conselheira tutelar, que defende os direitos da criança e do adolescente, veio aqui para nos dar assistência?, disse Quitéria. Ela afirmou que se o filho precisar ser transferido para outro hospital a família não terá como bancar os gastos médicos. O veículo de placa MUX-2204 que atropelou Charlie estava estacionado ontem pela manhã na frente da mercearia de propriedade de Amélia Acioly. A mercearia fica na Rua Dr. Passos de Miranda (antiga Ladeira do Calmon), a pouco metros da casa de Charlie, na Rua Mendes Sá. O carro não apresentava nenhuma marca do acidente. A filha de Amélia disse que a mãe não se encontrava em casa, mas que sua família também estava chocada com o ocorrido. Ela disse que preferia não dar declarações sobre o acidente, já que estavam correndo muitas versões sobre ele. Segundo Rosa, eles querem oferecer toda a ajuda necessária ao adolescente atropelado. Rosa Amélia afirmou que sua família ainda não prestou assistência à vítima porque os parentes de Charlie Willie não a procuraram. Ela disse que não conhecia o garoto. ?Conheço apenas a família dele, de vista?. |FAS

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