Polícia
Empres�rio paga resgate e liberta filho
| EDNELSON FEITOSA Repórter Terminou após 24 horas de negociação e o pagamento de um resgate de R$ 30 mil o seqüestro do filho do empresário José Félix de Almeida Filho, 49, conhecido como ?Lula do Depósito?. Félix Costa de Almeida, 25, permaneceu por um dia nas mãos dos seqüestradores. Ele foi deixado no trevo de acesso ao município de Santa Luzia do Norte, ao fim da tarde da última quarta-feira. O empresário revelou, na manhã de ontem, que o filho foi seqüestrado por volta das 17h30 de terça-feira (6), logo após o mercadinho Shallon e o depósito F.C. Bebidas, ambos de sua propriedade, localizados em Rio Largo, serem invadidos por quatro homens, armados de pistola 380. Eles exigiram todo o dinheiro que havia nos caixas e forçaram o filho de ?Lula? a entrar num veículo Celta, cor branca. Inclusive, segundo testemunhas, eles fizeram inúmeros disparos dentro do depósito e no meio da rua. De acordo com José Félix, cerca de uma hora e meia depois, um homem usando gírias e com sotaque sulista fez o primeiro contato telefônico, declarando que se tratava de um seqüestro. A primeira exigência foi o pagamento de um resgate de R$ 200 mil. Telefonemas se seguiram e o valor do resgate começou a baixar. ?Caiu para R$ 100, R$ 80 mil e, por último, já no feriado de 7 de Setembro, os seqüestradores chegaram aos R$ 30 mil, que acabou se tornando o preço do acordo?, destacou o empresário. Toda a negociação foi acompanhada por policiais do Grupo Anti-Seqüestro do Tigre, o grupo de operações especiais da Polícia Civil. O diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, informou que os agentes tentaram rastrear a torre para localizar a origem da ligação, mas o sinal era emitido pelo sistema GSM, que dificulta este tipo de operação. Ele anunciou que o delegado de Rio Largo, Marcílio Barenco, vai presidir as investigações sobre o caso. ?Estamos tentando localizar o local do cativeiro para conseguir indícios que levem aos seqüestradores?, completou o diretor. Tensão emocional Desde a hora do seqüestro, a família de Félix Costa de Almeida passou momentos de tensão e desespero. Sua esposa, Fernanda, que está grávida de oito meses, precisou de atendimento médico. ?Ninguém conseguiu dormir naquela noite?, revelou o pai. Concluída a negociação, a família juntou o dinheiro e foi levar ao local indicado pelos seqüestradores. ?O dinheiro foi entregue em Santa Luzia do Norte?, informou ele. No entanto, o pagamento do resgate não diminuiu a angústia dos parentes. ?Cada minuto de espera parecia uma eternidade?, declararam os pais. Menos de uma hora depois de a família ter pago o resgate aos bandidos, Félix foi deixado num canavial próximo ao trevo daquele município. Ele telefonou para o pai e informou que já estava em liberdade. ### Achei que ia morrer, diz Félix em casa com mulher e filha Após uma noite de sono em sua casa, na companhia da mulher grávida e de uma filha de um ano, Félix Costa de Almeida, 25, continuava assustado e dizia não esquecer as 24 horas que permaneceu nas mãos dos seqüestradores. Na manhã de ontem, ele desrespeitou as ordens da quadrilha de não falar nada com ninguém e relatou à Gazeta o desenrolar do seqüestro. ?Eu nem vi quando eles entraram no depósito, pois estava ocupado. Só percebi que estava havendo um assalto quando eles mandaram que eu baixasse a cabeça e entrasse no carro. Não imaginei que estava sendo seqüestrado, pensei no momento que me queriam como refém para facilitar a fuga?, declarou Félix. Ele contou que seguiu com os bandidos de carro por quase meia hora, com os olhos vendados. Depois, eles abandonaram o veículo e entraram numa mata. ?Neste momento, eram eles que estavam com capuz?, destacou. Andaram por quase uma hora até o grupo considerar o local seguro e iniciar as negociações para o resgate. Foi na mata que a quadrilha pegou o celular da vítima, declarou que se tratava de um seqüestro e que queria dinheiro em troca de sua liberdade. No local não havia sequer um barraco; ele passou a noite ao relento. Félix afirmou ter vivido uma verdadeira noite de terror. Os bandidos ficaram o tempo todo encapuzados e sempre havia uma arma apontada em sua direção. ?Da negociação, só acompanhei a primeira parte, quando eles pediram os R$ 200 mil, pois sempre que telefonavam para meu pai eles se afastavam?, declarou a vítima. Segundo Félix, os seqüestradores lhe ofereceram cigarros. ?Eles levaram comida para mim. Não fui maltratado. Ameaçado sim?, frisou ele. Foi em casa que soube da redução do valor do resgate: R$ 100 mil, R$ 80 mil e R$ 30 mil. Liberdade Na tarde de terça-feira, o grupo se separou e, num determinado momento, um dos marginais teria dito que o dinheiro estava na mão e que o grupo libertasse Félix. Fizeram a caminhada e entraram no carro. ?Fiquei num canavial, perto de Satuba. Eles me deram dez reais para eu apanhar um transporte e voltar para casa. Como estava muito assustado caminhei até a pista e consegui telefonar para meu pai, que veio me buscar?. Abraçado com a filha, cabisbaixo, Félix comentou que em alguns momentos chegou a pensar no pior; achou que ia morrer. Disse que só ficou mais tranqüilo quando desceu do carro e os seqüestradores foram embora. ?Percebi que o sofrimento tinha mesmo acabado?. Na manhã de ontem, acompanhado do filho, o empresário José Félix de Almeida destacou ter passado por algo parecido quando um grupo de assaltantes invadiu seu depósito e roubou tudo. ?Fiquei ?quebrado?, precisei vender um caminhão para pagar as dívidas e tentar me recuperar. Hoje eu vejo que vou precisar vender outro caminhão?, avaliou. |EF