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Envolvido em crime pol�tico ajuda a SDS

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REGINA CARVALHO GILVAN FERREIRA Repórteres O diretor-geral da Polícia Cívil, delegado Roberto Lisboa, ouviu ontem o depoimento de Cícero de Sales, o Ciço Belém, acusado de envolvimento na trama para assassinar o prefeito de Senador Rui Palmeira, Siloé Moura (PDT). Ciço Belém teria sido contratado pelo vice-prefeito de Senador Rui Palmeira, José Edivânio Bezerra (PP), que estaria interessado em assumir o cargo. O delegado Lisboa também apresentou à imprensa uma fita cassete, gravada por policiais do Tático Integrado de Grupamento de Resgate (Tigre), em uma churascaria no município de Olho d?Água das Flores, durante a negociação entre José Edivânio e Ciço Belém para o assassinato de Siloé Moura. TRAMA O encontro na churrascaria foi armado pela cúpula da Secretaria de Defesa Social (SDS) e contou com a colaboração do próprio Ciço Belém, que concordou em participar da negociação e, assim, comprovar que o vice seria o mandante de uma suposta emboscada ao prefeito Siloé. Ciço Belém, que responde por vários crimes, dentre eles um homicídio em Maribondo, ajudou a polícia a esclarecer o caso. Durante a conversa, ele chega a sugerir um acidente, para desviar a atenção da polícia, que já estaria desconfiada. José Edivânio aceita e passa a negociar o valor do serviço, que ficaria por R$ 70 mil, divididos em pelo menos três vezes. Para isso, a negociação passaria também pela compra de um caminhão, que também poderia ser roubado. O vice-prefeito desembolsaria mais R$ 5 mil nessa aquisição. Acidente ?fatal? O caminhão teria local, data e horário definidos para passar por um trecho e provocar um trágico acidente, matando o prefeito. Ciço lembra que outras pessoas podem também ser vítimas e o vice-prefeito não recua. ?Quem vai desconfiar de um acidente? Pode cair dez. Dá para derrubar ele daqui para Arapiraca?, diz um trecho da fita cassete, numa fala de Ciço Belém, José Edivânio concorda e passa a placa MUL 2585, do veículo do tipo Santana de cor prata do prefeito Siloé Moura, que deve ser atingido pelo caminhão. Minutos depois da negociação fechada, policiais do Tigre deram voz de prisão ao vice-prefeito José Edivânio, que foi preso por porte ilegal de armas - ele portava uma pistola 380 e um revólver 38, além de munições. Depois da prisão, José Edivânio foi trazido para a base do Tigre, em Maceió, onde vai aguardar uma decisão da Justiça. ?Só o fato de combinar não seria crime, era preciso a arma para prendê-lo?, declarou o diretor-geral de Polícia Civil, Roberto Lisboa. Deputado Na fita cassete, segundo Roberto Lisboa, ?o vice-prefeito teria feito referência ao nome do deputado estadual Francisco Tenório, como sendo seu amigo, e também a outras pessoas ligadas ao governo?. Ciço Belém teria perguntado por que Edvânio tem interesse na morte do prefeito. Na fita, o vice-prefeito diz apenas que ?ele não cumpriu m o que ficou determinado antes da eleição ?, disse José Edvânio, na gravação. ### Vice diz que não dá nomes de comparsas Durante a conversa com Ciço Belém, a qual a Gazeta teve acesso, José Edivânio parece desconfiado. O vice-prefeito fala pouco e diz que mesmo pressionado jamais vai entregar nomes de pessoas que estariam lhe ajudando no plano. Ele lembra, ainda, que o prefeito Siloé tem proteção do governo, fazendo referência ao fato de ele estar no mesmo partido do governador Ronaldo Lessa (PDT) e por isso deve ter cuidado até mesmo com os telefonemas, pois podem estar sendo monitorados. A fita cassete será anexada ao inquérito policial. Horas antes do depoimento de Ciço Belém, o prefeito de Senador Rui Palmeira, Siloé Moura, esteve reunido com o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, e o diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa. A imprensa não teve acesso à reunião. Segundo Raimundo Palmeira, advogado do prefeito, a fita cassete que incrimina José Edivânio vai servir para dar mais subsídios ao inquérito policial e, assim, ser um instrumento contundente para manter o acusado preso por mais tempo. Mesmo contando diariamente com a proteção de seis seguranças, o prefeito disse que ainda se sente inseguro, mas que não pensa em renunciar ao cargo. ?Ainda me sinto inseguro sim. Independentemente disso, vou até o fim do meu mandato. Não posso desistir?, afirmou. Ele disse que não conhece e nunca ouviu falar em Ciço Belém. |RC ### Morte de filho de prefeito volta à tona A prisão do vice-prefeito de Senador Rui Palmeira, José Edivânio (PP), e as revelações do comerciante Ciço Belém, que declarou ter sido contratado para assassinar o prefeito do município, Siloé Moura (PDT), podem promover uma reviravolta no assassinato do funcionário público Wilson Oliveira - filho de Siloé -, ocorrido em dezembro do ano passado. Os advogados do ex-prefeito de Senador Rui Palmeira, Mário Cesar Vieira, acusado de ser o mandante da morte de Wilson, vão pedir à Justiça a reabertura das investigações. Os advogados alegam que José Edivânio pode estar envolvido na morte do filho do prefeito Siloé Moura. ?Cobras? Para os advogados de Mário Vieira, José Edivânio e Siloé Moura entraram em rota de colisão antes mesmo da posse. As divergências teriam acontecido por causa de cargos e de dívidas de campanha, cerca de R$ 200 mil, que supostamente não teriam sido pagas por Siloé. Eles alegam que têm provas de ameaças de José Edivânio contra o filho do prefeito Silóe e os motivos para o crime. A defesa de Mário Cesar utiliza trechos do depoimento do comerciante Ciço Belém ao delegado Roberto Lisboa. Em um dos trechos, José Edivânio fala de supostos acordos não cumpridos pelo prefeito Siloé Moura e chega a sugerir que pensava que tinha se livrado de uma ?cobra? (Wilson), mas a verdadeira ?cobra? era o próprio Siloé?, comenta Edivânio. A Gazeta teve acesso ao depoimento de Ciço Belém, que teria sido contratado depois que um primeiro grupo de pistoleiros - que incluía um policial que faz segurança de uma prefeita do agreste alagoano - desistiu de participar da trama criminosa, onde José Edivânio revela os supostos motivos do seu interesse em assassinar o prefeito Siloé Moura. ?velho sem-vergonha? ?O Edivânio disse que durante as eleições passadas Siloé acertou uma coisa e depois que ganhou foi outra e comentou que pensava que tinha livrado da cobra (Wilson Oliveira), mas a cobra mesmo era o velho sem-vergonha...?, diz Ciço Belém, em um dos trechos do seu depoimento à polícia, ontem, na sede da Secretaria de Defesa Social. Davino nega O secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, nega a versão dos advogados e sugere que pelas investigações da polícia ficou comprovada a participação do ex-prefeito Mário Vieira - que chegou a ficar preso 124 dias - suspeito no assassinato de Wilson Oliveira. ?É uma maneira de os advogados excluírem o ex-prefeito do indiciamento, eles terão que procurar todos os meios para defender o seu cliente, pois, estão ganhando como advogados?. Davino completa: ?Eu quero esclarecer que nós temos duas investigações diferentes. Uma é a investigação da morte do filho do prefeito Siloé e a outra da armação para matar o prefeito Siloé. Agora, naturalmente, o segundo caso iria ser associado ao primeiro, para que a polícia fosse desviada da linha de investigação. Mas com muito trabalho a Polícia Civil conseguiu esclarecer antes que o crime fosse cometido?, explicou Davino. Segundo o secretário Robervaldo Davino, o depoimento e o relatório com a degravação da conversa entre José Edivânio e Ciço Belém serão encaminhados ao delegado de Olho d?Água das Flores, Ednaldo Marques, que investiga o caso. GF

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