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Jovem � seq�estrado e tem resgate pago

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| MARCOS RODRIGUES Repórter Um seqüestro mobilizou a polícia de Alagoas esta semana. O estudante Antônio Antunes, 18, ficou refém de dois homens durante 48 horas, sendo liberado após pagamento de resgate pela família. O jovem foi levado por dois bandidos na tarde de segunda-feira (19), de sua residência, no bairro do Farol. O rapaz é parente de um dos proprietários do Grupo Antunes e Cia., detentor da marca Afa. De acordo com as primeiras informações sobre o caso, que foi mantido em sigilo por razões de segurança, os seqüestradores agiram com ousadia. Antônio teria sido abordado em casa, após atender a porta. Pensando ser um chamado rotineiro, ele teria aberto o portão da casa, sendo rendido por dois homens que entraram na residência. Após alguns minutos na casa e depois de catar alguns objetos, os dois fugiram levando Antônio como refém num veículo Celta pertencente à família. Começava aí um drama que só terminou na noite da última quarta-feira, depois que ele foi libertado com vida. ameaças veladas A polícia foi acionada para entrar no caso, mas, a pedido da família, não realizou buscas, para evitar uma reação dos seqüestradores, que chegaram a fazer ameaças contra a vida do estudante. Segundo o diretor-geral da Polícia Civil, delegado Roberto Lisboa, o valor pedido pelo resgate variou muito desde o primeiro contato. ?A princípio, eles queriam um montante de 800 mil reais para libertar a vítima. Esse valor caiu pela metade e depois estacionou em 40 mil reais?, revelou Lisboa. As negociações foram conduzidas por um integrante do Grupamento Tático Integrado (Tigre), da Polícia Civil, especializado em situações de seqüestro. O chefe de operações do Tigre, Dorgival da Silva Romão, disse ontem que o valor do seqüestro poderia ter sido reduzido. ?Mas atendemos ao pedido da família, que optou por efetuar o pagamento. Nestes casos, para nós, vale a posição dos parentes. Quanto ao pagamento do resgate, não nos cabe intervir?, considerou Romão. SEM PISTAS Indagado sobre o porquê de a polícia não ter montado uma operação de captura no momento do pagamento do resgate, Romão explicou que não existiam garantias de que a vítima estaria em segurança. ?É um tipo de operação que poderia ser realizada. Porém, numa negociação o que mais importa é o bem-estar da vítima. Como não tínhamos essa certeza, não podíamos arriscar?, destacou Romão. As buscas ao cativeiro e aos bandidos continuam, mas até agora, não há pistas. ### Família silencia; polícia ouve jovem na próxima semana A ação ousada dos seqüestradores chamou a atenção da polícia alagoana. Desta vez, ao invés de abordar a vítima fora de sua residência, eles foram até ela, à luz do dia. Tudo isso está sendo levado em consideração pela investigação. A mudança brusca do valor do resgate sugere que são pessoas que não conheciam a realidade da família da vítima, ou ainda tinham informações superficiais sobre o parentesco. ?Eles não podem ser considerados inexperientes, tanto que conseguiram concluir a operação, mas demonstraram certa desinformação?, apontou o chefe de operações do Tigre, Romão. A descoberta do cativeiro ajudará na coleta de dados sobre os homens que mantiveram Antônio Antunes como refém. Silêncio A família de Antônio não fala sobre o caso. O trauma deixado pelo seqüestro ainda é recente. A Gazeta tentou contato telefônico para obter detalhes, mas ouviu de familiares que não interessava a divulgação do ocorrido. ?Entendemos o interesse de vocês, mas não estamos dispostos a prestar nenhuma informação?, disse um dos parentes, por telefone. Ainda assim, o caso ganhou repercussão, principalmente porque os seqüestradores conseguiram êxito em sua ação. Na próxima semana, depois que o rapaz se restabelecer do trauma, a polícia pretende ouvi-lo, na tentativa de substanciar o inquérito sobre o caso.|MR ### Último caso de seqüestro rumoroso foi em 2004 O seqüestro mais rumoroso ocorrido em Alagoas foi o da estudante Mariane França, 20, em maio de 2004. Ela ficou oito dias em cativeiro e foi libertada depois que a polícia encontrou o local. Depois de localizada, a estudante ainda viveu momentos de tensão, já que as negociações para sua libertação duraram mais quatro horas. Filha de um empresário bem- sucedido, a estudante foi seqüestrada quando chegava à faculdade, no período da noite, por três homens. Numa ação rápida, eles abordaram Mariane, a colocaram num carro e deixaram rapidamente o local. Presos após investigação As investigações da polícia levaram à participação do cabo PM Cícero Roque da Silva. Ele foi apontado como a pessoa que fornecia detalhes dos passos da estudante. A principal prova contra o militar foi um contracheque achado no cativeiro da estudante, no Conjunto Eustáquio Gomes, no Tabuleiro do Martins. Foram indiciados pelo seqüestro da estudante José Cícero Gomes da Silva, Edilton Jacinto da Silva e Luiz Carlos Gomes da Silva, o ?Carioca?, líder da quadrilha que, segundo a polícia apurou, já havia comandado outros quatro seqüestros em Alagoas. Eles se encontram presos no presídio Cyridião Durval, onde aguardam julgmento. Enquanto isso, Ivani Gomes da Silva, esposa de ?Carioca?, está presa no presídio Santa Luzia. Era ela quem vigiava Mariane no cativeiro. |MR

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