Polícia
PM instaura sindic�ncia contra sargento
| REGINA CARVALHO Repórter O Comando Geral da Polícia Militar de Alagoas vai instaurar sindicância para apurar o suposto envolvimento do sargento Raimundo Medeiros numa trama para emboscar o delegado de polícia Dácio Pacheco. ?O comandante-geral [Edmilson Cavalcante] determinou que o caso seja apurado, para que não se cometa injustiça?, disse ontem o tenente-coronel Mário César Monte. O prazo para apuração do caso será de 30 dias e a sindicância deve ser presidida por um oficial da PM, tenente ou capitão. ?Houve uma provocação nesse caso, que se tornou de conhecimento público, por isso ela será apurada. O sargento e o delegado serão ouvidos para esclarecer o ocorrido?, acrescentou o tenente-coronel Monte. Um dos motivos que contribuíram para que uma sindicância fosse instaurada pelo comando da PM foi a acareação promovida ontem pelo diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, entre o sargento Raimundo Medeiros e o delegado Dácio Pacheco, na Secretaria de Defesa Social (SDS). A cúpula da secretaria resolveu promover o encontro entre o acusado e a suposta vítima para esclarecer a denúncia anônima de uma emboscada ao delegado. O sargento Medeiros chegou escoltado por três militares ao gabinete da diretoria geral da Polícia Civil e negou que tivesse interesse na morte de Pacheco. ?O sargento negou tudo. Não temos provas contra ele, principalmente porque a ameaça partiu de um telefonema anônimo e não temos como identificá-lo?, destacou Roberto Lisboa. Para a cúpula da Defesa Social, o caso sobre a ameaça de morte a Dácio Pacheco está encerrado. ?O próprio delegado disse que nunca fez nenhum procedimento contra ele [o sargento]. Não existe mais nada que possa ser investigado?, acrescentou Lisboa. Depois da acareação, o sargento Medeiros ainda conversou com o delegado, por alguns minutos, na porta que dá acesso ao gabinete de Roberto Lisboa. Dácio Pacheco considerou o encontro suficiente para esclarecer o ocorrido e se disse mais tranqüilo. ?Ele [o sargento] me falou que não tem motivos para me ameaçar. Eu nunca dei sequer um tapa em um ladrão. Essa ameaça é uma coisa sem fundamento, não sei por que apareceu?, relatou o delegado. O sargento Medeiros é citado em casos rumorosos como os assassinatos de José Carlos de Oliveira, conhecido como ?Navalhada?, no ano passado; do comerciante Vanilo Lima, em junho deste ano e de Carlos André Fernandes dos Santos, amante da ex-primeira-dama de Satuba, Fátima Pedrosa, ocorrido no mês passado. Entretanto, para a Justiça o militar é inocente, já que não há provas que comprovem a participação dele nesses crimes. O tenente-coronel Mário César Monte confirma que o sargento Medeiros continua exercendo sua função. ?É preciso que haja provocação ou queixa para que seja iniciada a apuração. Em relação ao sargento, ele está trabalhando normalmente?, relatou Monte. O telefonema anônimo foi registrado no 10º Distrito Policial (DP), na última quarta-feira. O delegado Denisson Albuquerque atendeu a ligação e encaminhou o caso à Secretaria de Defesa Social. A pessoa que denunciou uma trama para assassinar Dácio Pacheco informou ainda que o motivo da emboscada seria o fato de o delegado estar apurando casos que envolviam o sargento Medeiros, que, na época, era titular do 10º DP, no Conjunto Eustáquio Gomes, no Tabuleiro do Martins. Atualmente, Dácio Pacheco está de férias e deve assumir a Delegacia de Messias no próximo mês.