Polícia
PM diz que viol�ncia cresce nas escolas
| FÁTIMA ALMEIDA Repórter Um número cada vez maior de ocorrências nas escolas de Maceió tem preocupado o Batalhão de Policiamento Escolar (BPEsc). Uso de drogas, abordagem de traficantes nas imediações das escolas, brigas de galeras, roubos e atos de vandalismo estão virando rotina. Em julho foram 12 ocorrências; em agosto foram 13, o que dá cerca de uma ocorrência a cada dois dias. Essa tem sido a média, segundo o comandante do BPEsc, coronel Wellington Ferreira da Silva. O porte de armas também tem sido um problema. Facas, canivetes, espetos de ferro, pistolas artesanais e até armas de brinquedo se misturam a pacotes de maconha e recipientes com entorpecentes diversos, encontrados em poder dos alunos em blitze realizadas pelo batalhão, a pedido dos próprios dirigentes escolares. ?Eles têm nos socorrido e fazem uma abordagem adequada. São preparados para atuar com a comunidade escolar?, comenta o coordenador pedagógico da Escola Kátia Pimentel Assunção, Walbert Rommel. Galeras e tráfico Segundo ele, o principal problema está nas ruas, nas imediações das escolas, onde as chamadas galeras se enfrentam e onde às vezes atuam traficantes de drogas. ?Sempre que tomamos conhecimento de que um grupo na rua está esperando outro grupo que se encontra dentro da escola, pedimos ajuda ao batalhão escolar, e eles sempre vêm?, diz Rommel. A polícia também é chamada quando há suspeita de alunos armados em sala de aula, ou de algum outro comportamento inadequado. Nesse caso, segundo o coronel Wellington, a direção sempre autoriza a abordagem direta. ?Nós entramos nas salas, fazemos palestras sobre violência e drogas, revistamos as bolsas e, se for o caso, até fazemos a revista pessoal, mas tudo com cuidado para evitar constrangimentos inadequados?, explica o policial. A criatividade não tem limites. Uma caneta de estilo, aparentemente um instrumento escolar, pode ser, na realidade, um canivete ou um recipiente de drogas. A caixa de fósforos pode guardar cigarros de maconha. Por isso, numa blitz, tudo é revistado. Na avaliação do coodenador da Escola Kátia Assunção, o que falta é um efetivo maior para o BPEesc atender à demanda. ?O ideal seria uma dupla permanente na frente das escolas, porque isso refrearia a violência. Mas o batalhão é pequeno para isso?, lamenta Walbert Rommel. ESCOLAS PROBLEMÁTICAS A Escola Kátia Assunção fica no bairro do Jacintinho, citado pelo Bpesc entre as áreas de maior ocorrência de violência, juntamente com o Clima Bom, Ponta Grossa e Vergel. Mas apenas na Escola Selma Bandeira, no Benedito Bentes, onde a ação recente de vândalos destruiu móveis e equipamentos escolares, o BPEsc tem mantido uma dupla de policiais pela manhã e outra à tarde. ?Não dá para manter uma em cada escola?, diz o comandante. Em Maceió são 210 escolas municipais e estaduais. Para dar cobertura a todas elas o BPEsc precisaria de um efetivo de 646 policiais, segundo o coronel Wellington. Tem apenas 232. ?Não dá para cobrir todas?, reconhece o comandante. Para superar a falta de contingente e combater o avanço da violência, o batalhão tem se valido de estratégias como rondas motorizadas, visitas de duplas e serviço de comunicação (0800 82 4040 ou 8833 4157), pelo qual pode ser acionado pelas escolas. ### Batalhão Escolar ganha nova sede e tenta conter roubos Ontem pela manhã, o batalhão escolar ganhou uma sede nova, mais estruturada e definitiva do aquelas onde tem se instalado nos 12 anos de sua existência. Antes, eram prédios alugados instalações provisórias, quase uma mudança por ano. Desde ontem, o batalhão funciona no prédio da antiga Rádio Difusora, no Farol, onde deve ficar definitivamente. ?Aqui é mais centralizado. O acesso da comunidade escolar é mais fácil?, destaca o comandente do BPEsc, satisfeito com as novas instalações. Roubo em escola O ataque às escolas também atinge a Grande Maceió. Ontem, a guarnição da cabo PM Carlene Félix, do 1º Batalhão, teve trabalho durante toda a madrugada para prender em flagrante José Everaldo dos Santos, 23, e Carlos Roberto da Silva, 24, que tinham arrombado uma escola municipal de Coqueiro Seco e retornavam para Maceió, numa canoa roubada naquele município. A militar revelou ter sido informada pelo pescador José Ronaldo Fernandes, 47, que dois homens roubaram sua canoa e estavam em fuga, transportando objetos furtados na escola. ?Começamos a fazer ronda pela orla da lagoa e já tinha amanhecido quando a embarcação aportou na favela Sururu de Capote, no Dique Estrada, bairro do Vergel do Lago?, informou. Na abordagem, Everaldo se entregou, mas Carlos Roberto pulou na lagoa. Só foi preso duas horas depois. Eles tinham furtado um freezer, botijões de gás, merenda escolar, material de limpeza, alumínios e pratos. Tinham feito um verdadeiro ?rapa? na cozinha. Eles foram autuados na Delegacia de Plantão I, no Farol. |FA