Polícia
Fraude no seguro-desemprego d� pris�o
BLEINE OLIVEIRA Repórter Numa operação iniciada às 5h30 de ontem, nos municípios de Arapiraca, São Miguel dos Campos e Boca da Mata, agentes da Polícia Federal (PF), prenderam sete homens acusados de fraude contra o programa de seguro-desemprego. O delegado federal Carlos Henrique D?angelo Cotta, que comandou a operação, disse que a quadrilha agia há mais de cinco anos, tendo causado prejuízo estimado em R$ 3 milhões aos cofres da União. Foram presos Valdeci Carneiro (?Vader?), José César da Silva (?Fernando?), José Fábio Correa de Souza (?Fulo? ou ?Gordo?), Roberval Cordeiro Vieira (?Robson? ou ?Rob?), José Miranda de Barros Filho (?Miranda?), Antônio Henrique da Silva (?Amendoim?) e Cícero da Silva Rocha (?Fala Fina?). Este último é apontado pela PF como líder da quadrilha e, segundo o delegado Henrique D?angelo, há suspeitas de que é professor da rede pública municipal de Educação de Boca da Mata. Dois outros integrantes da gangue estão foragidos, mas como já foram identificados pela polícia podem ser presos a qualquer momento. Os acusados estão sob prisão provisória, que tem duração de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. Mas o delegado Henrique D?angelo admite pedir a prisão provisória, que não tem prazo determinado, podendo durar o tempo necessário à investigação policial, se for este o entendimento da Justiça. Sigilo O trabalho da Polícia Federal vinha sendo realizado há cerca de seis meses. Nessa investigação, o delegado contou com apoio do setor de investigação do Ministério do Trabalho em Brasília. A operação para prender os integrantes dessa quadrilha de fraudadores não foi informada à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) em Alagoas. ?O sigilo foi necessário?, disse Henrique D?angelo. Reincidentes De posse de mandados de busca, apreensão e prisão temporária, os agentes da PF saíram para ?caçar? os acusados. Com eles a polícia encontrou dezenas de carteiras profissionais (CTPS) e de identidade, formulários de rescisão de contrato de trabalho e solicitação do seguro-desemprego, carimbos, talões de cheques e cartões de crédito de vários bancos, inclusive da Caixa Econômica Federal. Foram apreendidos também dois computadores, uma máquina de escrever elétrica e vários outros documentos. ?Eles montavam escritórios para realizar a fraude?, explica o delegado. Os acusados serão processados pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha, falsificação de documentos e falsidade ideológica. O delegado lembra que vários deles são reincidentes em estelionato. ### Servidores da DRT de AL, PE e SE podem estar envolvidos O golpe consistia em convencer trabalhadores rurais que, segundo a lei que criou o benefício, não têm direito a seguro-desemprego, a ?emprestar? suas Carteiras de Trabalho e Previdência Social (CTPS). De posse desse documento, a quadrilha falsificava contratos e rescisões para solicitar o seguro nas agências da Caixa Econômica Federal de diversos municípios. Pelo ?empréstimo? dos documentos, o trabalhador recebia metade do valor do seguro. Os saques, segundo a Polícia Federal (PF), variavam entre R$ 500 e R$ 600. ?Eles realizavam até 100 saques a cada mês?, revela o delegado federal Carlos Henrique D?angelo. Para não chamar atenção, os golpistas montavam escritórios em municípios diversos. Parte dos integrantes da quadrilha tinha a ?tarefa? de aliciar trabalhadores demitidos, principalmente de usinas. Depois que os dados fraudulentos entravam no sistema, os criminosos conseguiam facilmente sacar as parcelas liberadas. ?É importante ressaltar que as pessoas que cederam os documentos sabiam da ilegalidade. Elas não são tão inocentes assim ?- afirma o delegado que comandou a Operação São Miguel. Para ele, o golpe funciona principalmente pela fragilidade do sistema de informação do seguro-desemprego. A PF, revela D?angelo, investiga a possibilidade de participação no golpe de funcionários das Delegacias regionais do Trabalho (DRTs), de Alagoas, Pernambuco e Sergipe, onde quadrilha também cadastrou trabalhadores de modo fraudulento. Não sabia O delegado regional do Trabalho em Alagoas, advogado Ricardo Coelho, disse que não foi informado sobre a operação da PF realizada ontem. Mas admite que são freqüentes ocorrências desse tipo. Ele próprio já encaminhou à PF diversos casos de fraude identificadas por funcionários da DRT. Para Ricardo Coelho, o sistema do seguro-desemprego é realmente frágil, permitindo golpes como os que estão ocorrendo. Para o delegado do Trabalho, é necessário uma reanálise do processamento, com a interligação entre os sistemas das DRTs, da Caixa e do INSS. ?Seria uma forma de evitar a fraude, pois assim poderemos conferir os dados apresentados pelo trabalhador?, argumenta Coelho. O advogado Júlio César Cavalcante esteve ontem na sede da PF, em Jaraguá, para saber detalhes da prisão de seus clientes. Ele nega todas as acusações, e assegura que os sete acusados são trabalhadores sem antecedentes criminais. Mesmo com todos os indícios apresentados pela PF, Cavalcante afirma que seus clientes são inocentes. ?Eles foram induzidos a erro e poderão revelar por quem? - disse o advogado.|BL