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Mulheres mantidas em c�rcere privado

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CARLA SERQUEIRA Repórter A Operação Cinderela, deflagrada na madrugada do dia 8 de outubro, em casas noturnas de Maceió, já resultou em três prisões, dez indiciamentos e revelou cárcere privado de mulheres. Os envolvidos são acusados de tráfico interno de mulheres, rufianismo, exploração sexual e formação de quadrilha. Apontado como principal agenciador de mulheres, o empresário e radialista Dênis Gonçalves Melo - proprietário das boates Beco?s, localizada no Centro, e 209 Uruguai, no Jaraguá - se entregou à polícia no último sábado e está preso na sede do Tigre. (Ver matéria abaixo) Sua mulher, Girlene Maria dos Santos, e um de seus gerentes, Jackson da Silva, também estão presos e devem ficar na cadeia até o julgamento. Girlene vai responder, ainda, por uso de documento falso. Quando a polícia foi cumprir o mandato de prisão, ela apresentou a identidade com o nome de Girlane, nome utilizado para abrir a empresa GSSilva, responsável pelas casas de show. Seus funcionários: Maria Petrúcia da Silva, Everton Souza Costa, Celso Rodrigues do Nascimento e José Carlos de Oliveira Ângelo também tiveram a prisão decretada pela polícia, mas ainda estão soltos. Outras três pessoas foram indiciadas no inquérito que investiga a casa de show Cocktail, em Cruz das Almas, que deve ser concluído no dia 8 do próximo mês. As boates Eclipse e Pipo?s também foram vistoriadas, mas nelas não foram encontradas irregularidades. Sete promotores da Promotoria Coletiva Criminal da Capital terão cinco dias para avaliar o inquérito e fazer ou não denúncia à Justiça contra as pessoas indiciadas. O balanço da Operação Cinderela foi divulgado ontem na sede do Ministério Público Estadual. Ao todo, foram ouvidas 17 mulheres pelas delegadas Paula Mercês e Fabiana Leão, da 1ª e da 2ª Delegacia Especializada da Mulher. De acordo com elas, uma das depoentes afirmou ser vítima, também, de cárcere privado. ?Ela disse que muitas têm medo de denunciar, mas que são presas com cadeados no que o empresário Dênis Melo chama de alojamento?, revelou a delegada Fabiana Leão. A promotora Marluce Falcão acompanhou as diligências nas casas noturnas, no último dia 8. Segundo ela, foram levantadas fichas de 156 mulheres. Entre elas, apenas 28 são alagoanas, caracterizando o tráfico interno de pessoas. ?Só de Pernambuco vieram 76 mulheres?, diz a promotora. ?Está caracterizado o tráfico interno de mulheres e para este tipo de crime, de acordo com o artigo 231-a, recentemente incluído no Código Penal, a pena é de 3 a 8 anos de detenção?, explica Marluce Falcão. A Operação Cinderela ocorre em todo o País. Em Alagoas, ela foi articulada há um mês pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal, Procuradoria da República, Procuradoria-Geral do Trabalho, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária, Prefeitura, além das Polícias Militar e Civil. Uma reunião entre os representantes de cada Estado do Grupo Nacional de Combate à Organização Criminosa (GNCOC) está marcada para o início de novembro, em Manaus. A promotora Karla Padilha apresentará o relatório sobre as diligências em Alagoas. ?Será uma oportunidade de articular ações mais amplas?, afirma. ### Meninas de bordel vão ser indenizadas Além da investigação policial, as boates alvo da Operação Cinderela estão na mira da Procuradoria-Geral do Trabalho. ?As mulheres exploradas sexualmente devem receber indenizações?, afirma o procurador Rodrigo Alencar. Ele compara a exploração sofrida por 156 mulheres que tiveram suas fichas apreendidas com a situação de escravidão, flagrada entre trabalhadores rurais aliciados para o corte de cana, por exemplo, em outros estados. ?É a mesma coisa. Estas mulheres são aliciadas para virem trabalhar aqui em Alagoas, mas ficam devendo o transporte, têm de pagar alimentação e estadia?, explica. A delegada Fabiana Leão afirmou que uma das mulheres ouvidas se disse aliviada com a prisão de Dênis Melo e da sua esposa Girlene Santos. ?Ela contou que estava devendo ainda R$ 95 e só se livrou graças à Operação?. Dênis Melo já é reincidente em crimes de exploração sexual, de acordo com a promotora Marluce Falcão. ?A escolha destas boates já foi por causa das reincidências?, disse a representante do Ministério Público Estadual na Operação Cinderela. Ele foi preso no sábado, por volta das 12h, e divide a cela com outro suspeito de crime na sede do Tigre (Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil). A delegada Paula Lima disse que a transferência do empresário para o Presídio Cirydião Durval já foi solicitada. ?Ele só não está na Delegacia das Mulheres por falta de espaço?, garante. Câmera escondida Durante a operação, câmeras escondidas em caixas de som foram encontradas em alguns quartos das boates de propriedade de Dênis Melo. Em depoimento à polícia, ele disse que a responsabilidade pelas câmeras era de sua esposa, Girlene dos Santos. ?Ela disse que não houve gravações e que as câmeras estavam nos quartos para proteger as mulheres de algum ato de violência praticado pelos clientes?, contou a delegada Fabiana Leão. O que não ficou bem explicado é o fato de as 17 mulheres ouvidas pelas delegadas não saberem da existência das câmeras escondidas com o intuito de protegê-las. ?Nenhuma delas sabia que estava sendo filmada?, afirmou a delegada Paula Lima, acrescentando que a polícia não teve acesso ao teor das 9 fitas VHS apreendidas na noite do dia 8 de outubro. ?As fitas foram encaminhadas diretamente para a Justiça?, disse. O procurador-geral do Trabalho Rodrigo Alencar disse que nenhum empregado pode ter a sua intimidade violada e se comprovadas as gravações, os responsáveis podem ser processados por danos morais. ?A maioria destas mulheres é vítima de suas condições econômicas. Vamos investigar os contratos trabalhistas e, se for o caso, mover uma ação civil pública?. |CS

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