Polícia
Menor leva 10 tiros e se finge de morto
REGINA CARVALHO Repórter O menor J.C.R.S., 15 anos, levou dez tiros, na noite da última quinta-feira, e escapou porque fingiu que estava morto. A maioria dos disparos atingiu o braço esquerdo da vítima. O caso mobilizou parte da cúpula da Secretaria de Defesa Social, a ponto de o diretor-geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, ceder três policiais civis, de sua segurança particular, para escoltar o menor. Carlos Alberto Reis, da delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, investiga o caso e admite que a história contada pelo menor pode não ser verdadeira. De acordo com J.C.R.S., ele e seu pai, o taxista Erivaldo Soares dos Santos, foram abordados por dois homens encapuzados que estavam em um veículo Corsa, nas proximidades da Praça Sinimbu, Centro de Maceió, na quinta-feira. Segundo relato da vítima, os homens conduziram o veículo em direção a Rio Largo, próximo à Usina Santa Clotilde. No local tiraram o menor de dentro do Corsa e num canavial, deflagraram dez tiros. ### Homem retirou capuz após atirar; menor viu seu rosto O menor conta que o homem que atirou pensava que ele estava morto e então retirou o capuz. Nesse momento, J.C.R.S. reconheceu como autor dos disparos um dos proprietários do depósito KC Distribuidora, que revende água mineral e botijão de gás, José Ernandes de Oliveira. O estabelecimento está localizado no Stella Maris. No interrogatório de ontem, o menor disse que seu pai conhecia o autor dos disparos e que freqüentava sua residência. Chegou, inclusive, a denunciar que o taxista trabalhava para traficantes. Para o delegado Carlos Alberto Reis, existem pelo menos três linhas de investigação. Uma delas aponta que o menor pode estar mentindo, ou que ele estaria envolvido numa tentativa de roubo ao depósito e por isso inventou a história para evitar punição. Tese reforçada pelo fato de nenhum parente ter aparecido para buscar J.C.R.S. |RC ### Pai continua sumido; polícia diz que caso ainda é mistério O menor informou à polícia que a esposa de José Ernandes, apontado como autor dos disparos, tinha uma espingarda no depósito. Com base na informação, agentes policiais foram ao local e constataram a presença de uma arma. O delegado autuou em flagrante por porte ilegal de armas Kelly Correia, também proprietária do estabelecimento. A esposa do acusado disse que J.C.R.S. tentou assaltar seu estabelecimento. O delegado Reis determinou buscas para encontrar José Ernandes, que ainda continuava desaparecido. O suposto pai do menor também não foi encontrado. ?Esse é um caso complexo e temos que checar todas as informações. Duas equipes estão trabalhando comigo?, declarou o delegado Carlos Alberto Reis. A polícia fez diligências ontem na tentativa de encontrar parentes da vítima. ?É muito estranho que nenhum familiar tenha aparecido?, conta Reis. |RC