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Mendigos s�o queimados dormindo

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| MAIKEL MARQUES E REGINA CARVALHO Repórteres Palmeira dos Índios - Os moradores de rua Erivaldo Gomes (35), Zuleide Alves dos Santos (40) e Gilberto Bernardes Silva (28) foram transferidos para Maceió depois de sofrerem queimaduras durante um suposto incêndio criminoso no local onde dormiam: um posto de gasolina na cidade de Palmeira dos Índios. Segundo o diretor da Unidade de Emergência (UE), Tadeu Muritiba, um deles ainda corre risco de morte: Erivaldo Gomes. Os outros dois devem receber alta neste fim de semana. A Polícia Militar não descarta a possibilidade de o incêndio ter sido provocado por um quarto mendigo, que faria parte do grupo, e estaria foragido. Os moradores de rua teriam chegado ao posto de gasolina - que fica próximo à rodoviária interestadual - por volta das 18h30 da noite de quinta-feira, e, como não tinham autorização para dormir no local, alojaram-se atrás de duas caminhonetes e ficaram em silêncio. ?Lembro quando Zuleide me pediu fósforo para acender um cigarro. Ela estava visivelmente embriagada?, conta José Torres, funcionário do posto. Por volta das 22h o frentista Raimundo José Júnior se preparava para encerrar o expediente quando viu Zuleide com o corpo em chamas. ?Os cabelos dela viraram uma bola de fogo. O fogo consumia a roupa e ela gritava por socorro?, conta ele, que utilizou o extintor de incêndio do posto para apagar o fogo que também consumia o corpo dos outros dois moradores de rua. Os três foram socorridos pela Polícia Militar e encaminhados ao Hospital Regional Santa Rita, de onde foram transferidos às pressas para a Unidade de Emergência, em Maceió. Mistério A equipe da UE ainda não sabe qual produto foi utilizado para atear fogo nos moradores de rua. ?Não dá para dizer o que jogaram em cima deles e nem eles sabem?, acrescentou Muritiba. No pronto-socorro, eles contaram que estavam dormindo quando foram atacados por cheira-colas. Erivaldo Gomes, em estado grave, teria recebido uma paulada antes de ser queimado. ?Mas o estado dele é grave por causa das queimaduras, não por causa da paulada?, lembrou o diretor da UE. Com medo, os mendigos não quiseram falar com a imprensa. Até o final da tarde de ontem, os poucos pertences dos moradores de rua que sobraram ainda estavam no local do incêndio. Em greve há mais de um mês, os agentes da Polícia Civil não iniciaram a investigação do caso. Quem entrou na apuração foi a Polícia Militar de Palmeira dos Índios, que classificou o caso como crime de lesão corporal. Para o tenente Viana, existem duas hipóteses: acidente criminoso ou acidental.

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