loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Polícia

Polícia

Ex-seguran�a preso denuncia exterm�nio

Ouvir
Compartilhar

| BLEINE OLIVEIRA Repórter O seqüestro e provável assassinato de Carlos Roberto Rocha, um jovem residente no conjunto João Sampaio, em agosto do ano passado, é mais uma entre centenas de mortes que ocorrem na periferia de Maceió. Porém se destaca da rotina dos assassinatos que marcam a periferia da capital, por revelar, em detalhes, a ação de um dos grupos de extermínio de que se tem notícia. Acusados do seqüestro de Carlos Roberto, 32 anos, casado, pai de duas filhas, e ainda pelos crimes de cárcere privado e formação de quadrilha, sete homens, todos ligados ao deputado estadual Luiz Pedro (PMN), estão presos. Três deles foram apontados por Alessandra Cristina, esposa do jovem assassinado, como os homens que invadiram sua casa na madrugada, armados e usando de violência. Um deles, Adézio Rodrigues Nogueira, ao depor na Justiça, revelou como agem os criminosos e apontou o deputado como chefe da quadrilha. O relato dele ao juiz Hélder Loureiro, da 4ª Vara Criminal da Capital, foi publicado na edição do Diário Oficial do dia 6 de agosto último. É portanto um documento público que deveria ser lido por toda a população. Escolhidos São estarrecedoras as declarações de Adézio Rodrigues. Segundo ele, por determinação do deputado Luiz Pedro, conforme está no relatório da Justiça, e às vezes por iniciativa dos próprios marginais, são assassinados ?viciados em drogas? residentes em todos os conjuntos construídos pelo deputado, e ainda no Selma Bandeira e Moacir Andrade e outros onde o parlamentar tem influência. Adézio disse ao juiz Hélder Loureiro que nesses conjuntos ?impera um código de silêncio, mouquice e cegueira?. Ele conta ter presenciado, em várias ocasiões, o deputado ordenar o assassinato de jovens que ele (Luiz Pedro) define como ?vagabundos e maconheiros?. Vida sem valor O ex-segurança do deputado se sente ameaçado. Certo de que, após as declarações que fez, sua vida ?não vale um real?, como ele próprio afirma no depoimento, Adézio Rodrigues Nogueira antecipa: se sofrer algum atentado, ou alguém de sua família, ?a responsabilidade é única e exclusivamente do deputado Luiz Pedro?. Outras testemunhas ouvidas no processo, que tem o nº 102/04-015311-9 confirmam as declarações do ex-segurança. ### O seqüestro e morte de Beto Santos Passava da 1h quando, no dia 12 de agosto do ano passado, a jovem Alessandra Cristina da Silva Costa ouviu violentas batidas na porta do barraco onde morava com o marido Carlos Roberto Rocha Santos, o ?Beto?, e uma filha de dois anos. Assustada, ela perguntou quem estava batendo e o que queria. A resposta fez aumentar seu temor. ?É a polícia. Abre logo, vagabunda, se não a gente derruba a porta!?, gritou o homem do lado de fora. Grávida de cinco meses, Alessandra dirigiu-se à cama para acordar o marido. Antes, acendeu a luz do barraco (um vão sem divisórias, localizado próximo ao conjunto João Sampaio, no Tabuleiro). O interruptor também acendia a lâmpada do lado de fora. Futebol e morte O homem do outro lado voltou a gritar para que ela abrisse a porta. ?Somos da DRD (Delegacia de Repressão às Drogas) e só queremos o seu marido?, disse ele. Desempregado, Carlos Roberto era usuário de maconha. Na tarde daquele dia fora jogar futebol com um grupo de amigos e, em seguida, na casa de um deles, assistira a um jogo pela TV. Beto chegara em casa por volta das 22h, jogando-se na cama. Alexandra reclama que ele tinha bebido e usado maconha, mas exausto, o rapaz não lhe dá atenção e dorme rapidamente. É obrigado a acordar de madrugada, sacudido pela mulher, que não sabe o que fazer diante dos gritos e das pancadas na porta. Atordoado, Beto pede uma camisa e uma calça e manda Alessandra abrir. Assim que ela puxa o ferrolho, dois homens invadem o barraco e arrastam seu marido para fora. Ele mal teve tempo de vestir a camisa. Desesperada, Alessandra se agarra a ele, mas é impedida pelos dois homens. Um deles, de arma em punho, pega um pau com arame farpado e a obriga a entrar em casa. Gritos de desespero Ela continua tentando resgatar o marido. Chora, grita por socorro, pergunta o que está acontecendo, mas os seqüestradores não lhe dão ouvidos. Um dos homens, mantendo a arma empunhada, encontra no chão um pedaço de mangueira e investe contra Alexandra que, ouvindo o choro da filha, entra no barraco. Os dois, e mais o que estava ao volante do veículo Gol Bola, de cor branca, obrigam Carlos Roberto a entrar no carro. Foi a última vez que o rapaz foi visto. Na denúncia, o MP diz que ?a vítima, seminua e inteiramente inerme (sem meios de defesa), restringia-se a indagar o porquê de tal violência, a pedir para que lhe permitissem vestir uma roupa e a suplicar por sua vida?. O cadáver de Carlos Roberto nunca foi encontrado. ?Não pude enterrar meu filho?, chora o pai, Sebastião Pereira Santos.|BL ### Deputado nega envolvimento com crime Desde que teve seu nome envolvido com o seqüestro e provável assassinato de Carlos Roberto Rocha Santos, o deputado estadual Luiz Pedro (PMN) negou a acusação de que seria o mandante e de que o crime fora praticado por pessoas ligadas a ele. Aliás, o parlamentar sempre reagiu com veemência à citação de seu nome em crimes. ?Não sou bandido e nem tenho bandidos trabalhando comigo?, declara Luiz Pedro. Ele vai mais longe ao dizer que se sentiu agredido pelas declarações da mulher, Alexandra e Cristina, e do pai de Carlos Roberto, o funcionário público Sebastião Pereira dos Santos, de que fora o mandante do seqüestro e morte do rapaz. ?Desde o desaparecimento, eu passei a ser suspeito, porque a alegação é de que meus seguranças fizeram o serviço por encomenda. Isso não é verdade?, afirma Luiz Pedro. No contra-ataque, o parlamentar garante que o próprio pai da vítima teria procurado pessoas ligadas a ele (deputado) para ?dar sumiço? no rapaz. Ousadia O ?portador? do pedido teria sido um homem identificado como José Milton, que mora vizinho à residência do pai de Carlos Roberto, no Conjunto Benedito Bentes I. Em entrevista a um semanário local, o deputado conta que esse José Milton teria lhe dito que Sebastião Pereira estaria cansado dos problemas causados pelo filho, usuário de maconha. Por isso pretendia se livrar dele. O deputado afirma que ?foi muita ousadia do Sebastião mandar me procurar com uma idéia dessa?. Luiz Pedro se diz uma pessoa temente a Deus, e desmente toda e qualquer informação sobre a existência de grupo de extermínio que agiria sobre seu comando. Mas seu ex-segurança Adézio Rodrigues Nogueira, diante do juiz Hélder Loureiro, fez revelações que indicam o contrário. Além do ?desaparecimento? de Carlos Roberto, ele conta que várias vezes ouviu o deputado encomendar a morte de ?vagabundos e maconheiros?.|BL

Relacionadas