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Pol�cia e MP suspeitam de secret�rio

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GILVAN FERREIRA Repórter Um secretário de Estado, um delegado da Polícia Civil, um policial civil, que é acusado de participação na ?guerra? entre policiais, e um dos diretores do presídio Baldomero Cavalcanti estão sendo investigados por suposto envolvimento no assassinato do fazendeiro José Fernandes Neto, Fernando Fidélis. Os nomes dos suspeitos já estão em poder do Ministério Público e da cúpula da Polícia Civil, que tentam evitar o ?vazamento? de informações sobre o caso. Segundo informações apuradas pela Gazeta, o presidiário David dos Santos, de principal testemunha - ele ocupava uma cela próxima a de Fidélis - passou a ser um dos suspeitos do crime. Ele teria sido a ?ponte? entre os acusados e o assassino confesso da morte de Fernando Fidélis, Edson dos Santos, o Pé de Cobra. Uma das testemunhas do crime afirma que o próprio David dos Santos teria dado o ?tiro de misericórdia? em Fernando Fidélis. O delegado Marcílio Barenco pediu exame residográfico para comprovar se ele disparou a arma. Os promotores Alfredo Gaspar de Mendonça e Marcus Mousinho, que acompanham as investigações, afirmaram que as informações apontam para uma ?queima de arquivo? e que o crime foi planejado fora do presídio Baldomero Cavalcanti. ?O crime foi cometido de fora para dentro do presídio. Já descartamos a versão apresentada por Pé de Cobra, que afirma ter matado Fernando Fidélis para não morrer. Ele sequer conhecia Fidélis e foi transferido para a ala 15 dias antes do crime?, explicou Mousinho. Para reforçar a tese da participação de David dos Santos, em uma varredura na sua cela foram encontradas várias cápsulas de revólver e dois celulares - depois da apreensão um dos celulares sumiu misteriosamente. O delegado Barenco e os promotores tentaram ouvir novamente David, mas ele afirmou que só falaria depois de conversar com sua advogada, Cláudia Pontes, irmã do policial Alfredo Pontes, o Alfredinho, envolvido no caso da ?guerra? das polícias. Ontem, o delegado Marcílio Barenco e os promotores Alfredo Gaspar de Mendonça e Marcus Mousinho ouviram novas testemunhas do crime. Antes da conclusão dos depoimentos, o delegado e os dois promotores tiveram que sair às pressas (leia mais na página 14) do Baldomero Cavalcanti. Eles receberam a informação de que um assassinato no Tabuleiro do Martins teria vínculo com o caso Fidélis. ### Testemunhas temem ser assassinadas Os promotores Alfredo Gaspar de Mendonça e Marcus Mousinho revelaram que o esclarecimento da morte de Fernando Fidélis vai depender da garantia do Estado às testemunhas do caso, que já revelaram o receio de serem assassinadas dentro do Baldomero Cavalcanti. Segundo os promotores, nove testemunhas já pediram garantia de vida, alegando que os autores do assassinato de Fernando Fidélis são pessoas influentes e que detêm poder no Estado. ?Nós vamos enviar ofícios ao governador Ronaldo Lessa, ao procurador-geral de Justiça, Coaracy da Mata Fonseca, ao secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano, e outras autoridades do Estado. Nós temos interesse na preservação da vida dessas pessoas, que estão com medo de vingança dentro do presídio. Cabe ao Estado oferecer essa garantia?, lembrou Alfredo Gaspar. Medo e terror Os promotores afirmaram que os presos pediram para que o juiz da Vara de Execuções Penais, Marcelo Tadeu, os trancassem e levasse a chave das celas para casa. ?O pedido dos presos para serem trancafiados nas celas no período noturno mostra o clima de intranqüilidade e medo dentro do Baldomero Cavalcanti?, alertou o promotor Marcus Mousinho. Cortina de fumaça Sobre uma versão que surgiu ontem dentro do presídio Baldomero Cavalcanti, de que a morte de Fernando Fidélis foi provocada por uma suposta dívida da vítima com o traficante Ari do Morro, que cumpre pena no presídio por tráfico de drogas e homicídio, os promotores Marcus Mousinho e Alfredo Gaspar de Mendonça disseram que a versão pode ser, na verdade, uma ?cortina de fumaça?, para desviar a atenção. ?Essa versão apareceu no presídio, mas nós estamos avaliando com muito cuidado, pois parece mais uma cortina de fumaça para desviar o foco das investigações. É bom deixar claro que o nosso interesse é apurar a verdade dos fatos. Nós já temos a clareza que a morte de Fernando Fidélis foi uma queima de arquivo?, disse Alfredo Gaspar. ### Família de Fidélis volta a criticar Estado A família do fazendeiro Fernando Fidélis voltou ontem ao presídio Baldomero Cavalcanti para retirar a mobília e os pertences, que estavam na cela em que ele foi assassinado. Um dos parentes de Fidélis, que não quis se identificar, voltou a criticar o governo do Estado e o juiz da Vara de Execuções Penais, Marcelo Tadeu. ?Depois que mataram Fernando é que eles falam em segurança?, disse. A declaração do parente de Fidélis foi uma resposta à negociação para uma possível transferência do irmão de Fernando, Fabiano Fidélis, que cumpre pena no Baldomero Cavalcanti, por envolvimento na morte de cinco integrantes de família de trabalhadores rurais, em Pindoba. Fabiano pode ser transferido, com o ex-PM Garibalde Amorim, para a sede da Polícia Federal. O juiz Marcelo Tadeu ainda não acatou o pedido de transferência de Fabiano. Os parentes de Fernando Fidélis também têm evitado falar sobre a possibilidade de envolvimento do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante no crime, o líder da chamada gangue fardada, organização criminosa composta por policiais militares acusados de praticar vários crimes na década de 90 em Alagoas. Cavalcante, que volta ao presídio Baldomero Cavalcanti, no próximo dia 29 de novembro, foi transferido na última segunda-feira do presídio Aníbal Bruno, em Pernambuco, para outro presídio no mesmo Estado. ### Revista não encontra arma pesada Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) fizeram uma varredura na madrugada de ontem no Baldomero Cavalcanti, para verificar a existência de armas dentro do presídio. Nenhuma arma de fogo foi encontrada. Entre os objetos recolhidos pelos policiais estavam tesourinhas, espetos de churrasquinho, serras de unhas, pregos, pedaços de antenas, facas e até óleos lubrificantes e botões de roupa. O secretário de Ressocialização, Valter Gama, disse que o objetivo da revista foi mostrar que o Presídio Baldomero Cavalcanti não ?é uma praça de guerra?, como vem sendo apresentado, depois do assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, na tarde de sexta-feira. O fazendeiro foi alvejado por três tiros de revólver calibre 38, numa das celas do módulo 3, enquanto os demais presos tomavam banho de sol. Os tiros foram disparados pelo presidiário Edson Santos Tavares, vulgo ?Pé de Cobra?. Para Gama, foi uma fatalidade a entrada da arma de fogo usada para matar Fidélis. O secretário explicou também que o juiz de Execuções Penais, Marcelo Tadeu, descartou a possibilidade de transferência do ex-soldado da Polícia Militar Garibalde Amorim, que também teme ser morto. FAS

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