Polícia
Den�ncias sobre morte de Fid�lis mobilizam a SDS
GILVAN FERREIRA Repórter A informação da Gazeta sobre o possível envolvimento de um secretário de Estado, um delegado, um agente da Polícia Civil e um dos diretores do presídio Baldomero Cavalcanti no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, que ocorreu na última sexta-feira, provocou uma reunião de emergência do secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano, com o procurador-geral de Justiça, Coaracy da Mata Fonseca, e dirigentes da cúpula da Defesa Social. O secretário Paschoal Savastano afirmou que a reunião, que não teve a presença do diretor-geral da Polícia Civil, o ex-secretário de Defesa Social Robervaldo Davino, teve como objetivo discutir medidas para garantir as investigações comandadas pelo delegado Marcílio Barenco e os promotores Marcus Mousinho e Alfredo Gaspar de Mendonça. A reunião também contou com a presença do secretário de Ressocialização, Valter Gama, do diretor do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Marcos Brito, e do subsecretário de Defesa Social, coronel Acírio do Nascimento. Mudanças Savastano disse que ainda não tinha motivos para demitir ou afastar dos cargos os supostos envolvidos na morte do fazendeiro Fernando Fidélis. Ele alegou que os integrantes da cúpula da Segurança Pública são de sua confiança, mas lembrou que eles já estavam nos cargos quando asssumiu a Secretaria de Defesa Social (SDS). ?As pessoas que estão no comando de cargos do governo, a princípio, são honestas, idôneas e da confiança do governo. Até que se prove o contrário, as pessoas que estão na cúpula da SDS são de confiança. É bom deixar claro que sou de fora do sistema e já encontrei uma estrutura montada, mas se entender que é necessário fazer mudanças, vou fazê-las?, esclareceu. O secretário afirmou que não faria pré-julgamentos sobre a possibilidade de envolvimento de integrantes do governo do Estado e da cúpula da SDS no assassinato de Fidélis. Ele sugeriu que caberia ao diretor-geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, e ao delegado Marcílio Barenco, que preside o inquérito, falar sobre a participação de agentes do Estado no crime. ?Essas informações são de responsabilidade do diretor de Polícia Civil, Robervaldo Davino, e do delegado Marcílio Barenco, que preside o inquérito. Vou ter uma reunião com eles para ser informado sobre essa denúncia. Também já conversei com o doutor Coaracy da Mata Fonseca e a nossa opinião é que o caso seja apurado com idoneidade, isenção de ânimos e sem pré-julgamentos?, disse Savastano. ### Promotora vai reforçar investigação A partir de hoje mais um membro do Ministério Público integra a investigação do assasinato do fazendeiro Fernando Fidélis. A promotora Karla Padilha foi designada para o trabalho ontem pelo procurador-geral de Justiça Coaracy da Mata Fonseca. O procurador-geral explicou as razões da decisão aos dois promotores que já trabalham na investigação, Alfredo Gaspar de Mendonça e Marcus Mousinho. O objetivo da medida seria dar mais rapidez à apuração dos fatos sobre o crime. ### Pistoleiro morto ajudou Fidélis a fugir Peritos do Instituto de Criminalística (IC) voltaram a examinar ontem o Pólo, preto, placa MUN 2687/AL, em busca de vestígios que possam ajudar a polícia a esclarecer o assassinato de Cícero Sales de Belém, 42, envolvido em crimes de pistolagem e que foi executado dentro do veículo, na tarde da última terça-feira. O crime ocorreu num trecho da Avenida Durval de Góes Monteiro, no Tabuleiro do Martins. O delegado do caso, Jobson Cabral de Santana, admitiu que terá dificuldades para esclarecer o atentado e morte de Belém, em conseqüência de seu envolvimento em dezenas de crimes, inclusive em Pernambuco. Jobson confirmou a informação de que a vítima participava de uma quadrilha comprometida em roubo de carga, na qual estariam envolvidos também parentes de Fernando Fidélis. Seu relacionamento com os ?Fidélis? ficou evidente, quando da fuga de Fernando. Ele teria deixado a fazenda, em 2003, quando de uma visita à filha Fernanda, que estava doente, no veículo de Cícero Belém. ?O Pólo está em nome de Tânia, viúva de Fernando Fidélis. O veículo tinha sido transferido ontem para José Alfredo. No entanto, quem estava ao volante no momento do atentado era Cícero Belém?, revelou o delegado. Tiros de pistola Os peritos do IC constataram que quinze tiros de pistola, provavelmente 380, atingiram o automóvel e que os autores do atentado, que resultaram em ferimentos graves também em José Alfredo Raposo Tenório Filho, 21, atiraram nos dois lados do carro, pois havia perfurações à bala no retrovisor do lado do passageiro, pára-brisa, bem como no vidro ao lado do motorista, onde se concentrou a maior parte dos disparos. Eles perceberam que um projétil atingiu o banco traseiro, onde se encontrava uma mulher que a polícia supõe se tratar da noiva de Cícero Belém, fato que reduz as suspeitas do envolvimento da mesma no crime. O veículo de Tânia ficava normalmente com sua filha Fernanda e costumava ser dirigido pelo companheiro dela, o policial civil Raimundo Nonato. ?É por isto que eu estou dizendo que ainda é prematuro relacionar o crime a isto ou aquilo?, continuou o delegado, acrescentando que começa ainda hoje a ouvir testemunhas do caso. O delegado vai descobrir a procedência de R$ 6.010 em dinheiro, encontrado no veículo que foi recolhido e entregue a uma irmã da vítima, que não teve sua identidade fornecida pela polícia. Na manhã de ontem, parentes de Cícero Sales de Belém estiveram no IML para solicitar a liberação do corpo. Um rapaz, que se identificou como cunhado, informou que a família não tem a quem atribuir o crime. Segundo ele, a vítima não trabalhava mais como assessor do deputado Francisco Tenório. EF ### Belém iria depor contra vice-prefeito Arapiraca - O promotor de Olho d?Água das Flores, Luiz Tenório Oliveira, suspeita que o assassinato de Cícero Sales de Belém seja uma queima de arquivo do caso em que o vice-prefeito de Senador Rui Palmeira, José Edvânio Bezerra da Silva, é acusado de tramar a morte do atual prefeito do município, Siloé Moura. Segundo o promotor, Cícero seria contratado por Edvânio para executar Siloé. Belém iria prestar depoimento na próxima semana ao juiz Durval Mendonça Júnior, que responde pelo processo que apura a trama para matar Siloé Moura. Ainda de acordo com o promotor Luiz Tenório Oliveira, os advogados de José Edvânio Bezerra ingressaram com dois pedidos de liberdade provisória e outros dois de prisão domiciliar. O juiz Durval Mendonça ainda não se pronunciou sobre os pedidos. Trama mortal Segundo apurou a Gazeta, Belém e o vice-prefeito José Edvânio Correia se encontram na tarde do dia três de setembro numa churrascaria em Olho d?Água das Flores. O vice-prefeito foi quem marcou a conversa. O objetivo de Edvânio, segundo explica o promotor, seria contratar Belém para matar o prefeito Siloé Moura. ?Existe fita e CD com gravação da conversa entre os dois?, informa Luiz Tenório Oliveira. ?delação premiada? Ainda de acordo com o promotor, Cícero Belém teria concordado em gravar a conversa depois de fazer um acerto com a cúpula da Secretaria de Defesa Social (SDS). O objetivo seria participar do programa ?delação premiada? e, dessa forma, atenuar sua situação num crime de homicídio do qual é acusado no interior do Estado. No diálogo, Cícero teria concordado em matar Siloé Moura. ?O crime seria praticado entre Olho d?Água das Flores e Arapiraca?, revela o promotor. Meia hora depois da conversa, o vice-prefeito seria preso depois de parar em blitz montada por militares do Tigre, enviados a Olho d? Água para concluir a operação. Quando parou seu veículo, José Edvânio portava um revólver calibre 38 e uma pistola calibre 380, além de 31 munições. MM ### SDS sabia de crimes, mas não tem prova A cúpula da Secretaria de Defesa Social conhece parte do currículo de crimes que teve o envolvimento de Cícero de Sales, o ?Ciço Belém?. Apontado como pistoleiro, atualmente ele estava sendo investigado pelo desaparecimento de um caminhoneiro, de nome não revelado, em São Miguel dos Campos. Mas seu nome também é citado como responsável por roubo de cargas em Alagoas. ?O Ciço sempre andava com esse caminhoneiro e estava com ele no dia em que desapareceu?, lembrou o diretor-adjunto da Polícia Civil, Roberto Lisboa. Segundo Roberto Lisboa, Ciço era ligado a Fernando Fidélis, morto dentro do Presídio Baldomero Cavalcanti. sem provas Ele lembra que o nome de Ciço Belém é citado em vários crimes, mas que nunca foi provado envolvimento do pistoleiro. ?O que se sabe é que ele praticava assaltos e era envolvido em muita coisa. Entretanto provar mesmo ninguém nunca conseguiu, senão ele estaria preso?, destacou Lisboa. O diretor discorda da informação de que Ciço teria ajudado na fuga de Fernando Fidélis do Baldomero Cavalcanti, em 2003. ?Está provado que quem facilitou a fuga foi o então diretor do presídio - Marcos Arantes?, informou. Para ele, não provoca estranheza o fato de Ciço estar dentro do veículo da viúva de Fidélis na última terça-feira, quando foi assassinado. ?Ele era muito amigo de Fidélis?, conclui. A família de Cícero Belém diz que hoje ele estava se dedicando ao comércio. Sobre o veículo Pólo onde Belém foi assassinado, um cunhado seu, ontem no IML, declarou que Belém estava comprando o carro da viúva de Fernando Fidélis, não sabendo explicar o motivo de o veículo ter sido transferido para o nome de José Alfredo, baleado na emboscada. Estado gravíssimo Alfredo, até o final da tarde de ontem, de acordo com o Serviço Social da Unidade de Emergência, permanecia em estado gravíssimo. Ele teria sido operado, na noite de terça-feira, para retirada do projétil e conter hemorragia. A UE confirmou que houve perda de massa encefálica e que a vítima estava sendo mantida no respirador. RC ### Promotor alerta para banho de sangue O promotor de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça, que acompanhava, até ontem, as investigações sobre o assassinato de Fernando Fidélis, alertou os órgãos de segurança pública para o risco de ?um banho de sangue? em Alagoas. Mendonça sugere que a morte de Fernando Fidélis e Cícero Belém é o primeiro sinal de um acerto de contas entre os integrantes do crime organizado e talvez o início de uma série de crimes de ?queima de arquivo?. Ele demonstrou receio de que outras pessoas sejam eliminadas para evitar que os principais crimes do Estado sejam revelados. ?É necessário que os órgãos de segurança tomem providências imediatas, pois o risco de um novo banho de sangue em Alagoas pode acontecer. Os sinais de alerta e os recados estão sendo dados pelos criminosos, um deles foi a morte do Fidélis, que morreu como queima de arquivo. Ele estava ajudando a Justiça a esclarecer vários crimes?, disse. O promotor também alerta para o risco do retorno do ex-tenente-coronel Cavalcante ao Baldomero, que receberá o ex-oficial após sua transferência do presídio da Ilha de Itamaracá (PE), no próximo dia 29. GF