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Gama e Carvalho devem ser investigados

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GILVAN FERREIRA Repórter O procurador-geral de Justiça, Coaracy da Mata Fonseca, recomendou ontem a apuração da denúncia de suposto envolvimento do secretário estadual de Ressocialização, Valter Gama, e do delegado Valdir Soares de Carvalho, no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, ocorrido há uma semana, no presídio Baldomero Cavalcanti. O procurador disse também que devem ser investigados o diretor do presídio, Jair Macário, o policial civil Alfredo Pontes (o Alfredinho) e o ex-agente penitenciário Teixeira. ?Não podemos descartar nenhuma versão, inclusive essa que aponta o envolvimento de autoridades, mas já temos clareza que a morte de Fidélis foi uma ação do crime organizado, como também o assassinato de Cícero Bélem. Fica claro que na morte de Fidélis houve a participação e conivência de agentes do sistema?, afirmou Coaracy em entrevista coletiva. A denúncia sobre a possível participação de autoridades do primeiro escalão do governo foi apresentada aos promotores Marcus Mousinho e Alfredo Gaspar de Mendonça por duas testemunhas - que estão presas no Baldomero - e que pediram garantias de vida, o benefício da delação premiada e a transferência do presídio, para confirmar a denúncia na Justiça. Para o procurador Coaracy Fonseca, além de ligação com o crime organizado, a morte de Fidélis pode ter relação com o assassinato do tributarista Sílvio Vianna, em 1996. Fonseca aponta também relação direta entre as mortes de Fidélis e do pistoleiro Cícero Belém. Este teria participado do plano de fuga do fazendeiro em 2003. O carro da fuga de Fidélis, de sua fazenda em Pindoba, era de Cícero Belém, que quando foi assassinado esta semana dirigia o carro da víúva de Fidélis, Tânia Couto Fidélis. O procurador disse que se o inquérito apresentar uma ?versão inconsistente?, não será aceito pelo Ministério Público. Coaracy Fonseca revelou que vai pedir a interferência do procurador-geral de Justiça de Pernambuco, Francisco Sales, para tentar barrar o retorno do ex-tenente-coronel Cavalcanti ao Baldomero. ### Delegado pede prazo para esclarecer a morte de Fidélis O delegado Marcílio Barenco vai encaminhar hoje ao juiz da 9ª Vara Criminal, José Braga Neto, o pedido de prorrogação da entrega do inquérito policial que apura o assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis. Sobre a possibilidade de investigação do suposto envolvimento do secretário Gama, do delegado Carvalho, do diretor do presídio Baldomero Cavalcanti, Jair Macário, do policial civil Alfredo Pontes e do ex-agente penitenciário Teixeira, o delegado Barenco disse que vai investigar todas as pessoas que forem citadas durante as apurações. Ele também não descarta o pedido de prisão dos envolvidos no crime. ?Vamos investigar qualquer pessoa, de qualquer status e de qualquer grupo. Não vamos descartar qualquer linha de investigação. Se tivermos elementos que comprovem a participação dos envolvidos no crime, pode ter certeza de que vamos indiciar e encaminhar o pedido de prisão à Justiça?, disse. MP E SDS JUNTOS As declarações de Barenco foram dadas depois da reunião da cúpula da Secretaria de Defesa Social, com o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, e os promotores do caso: Marcus Mousinho e Alfredo Gaspar de Mendonça, onde foi discutida a crise iniciada com as divergências sobre os rumos das investigações. Barenco disse que a reunião serviu para aparar as arestas entre a SDS e o MP. ?Saiu todo mundo fortalecido dessa reunião?, afirmou. ### SDS evita falar sobre suspeitos de crime A lei do silêncio impera entre os membros da cúpula da Secretaria de Defesa Social, depois que vazou a informação sobre o suposto envolvimento de integrantes do 1º escalão do governo do Estado e membros da Polícia Civil e de funcionários do Presídio Baldomero Cavalcanti no assassinato de Fernando Fidélis, há uma semana. Robervaldo Davino, diretor-geral da Polícia Civil; Roberto Lisboa, diretor-adjunto; Mário Jorge Marinho, diretor do Departamento de Polícia do Interior; Eduardo Maia, diretor do Departamento Metropolitano e o delegado Marcílio Barenco, que preside o inquérito que apura a morte de Fernando Fidélis, estiveram reunidos durante toda a manhã de ontem, na Secretaria de Defesa Social. O secretário Paschoal Savastano não participou da reunião. Ele vem sendo afastado das decisões mais importantes da Secretaria de Defesa Social. No feriado do dia 2, outra reunião foi realizada, mas não contou com a participação dos membros que, ontem, discutiram os casos mais recentes de violência. ?Essa é uma reunião de rotina?, resumiu Davino. Entretanto ele admite que, no encontro, também foi discutido o assassinato de Fernando Fidélis e mais recentemente o de Cícero Sales Belém. Questionado sobre o suposto envolvimento de pessoas do alto escalão do governo no crime do fazendeiro, o diretor-geral da Polícia Civil disse que não sabia do envolvimento das pessoas citadas por testemunhas da morte de Fidélis. ?Desconheço esse envolvimento que foi relatado na imprensa?, declarou. De acordo com Davino, a polícia também investiga uma possível ligação entre a morte de Fidélis e Belém. ?Não descartamos nada. É muito cedo para apontar nomes. Nenhuma hipótese pode ser descartada. Inclusive, uma linha de investigação que aponta uma relação entre essas mortes?, ressalta. No final da reunião, o delegado Marcílio Barenco disse que não iria aceitar qualquer tentativa de interferência nas investigações e que não aceitava pressão ou pedidos para direcionar o inquérito policial. ?Não aceito pressão de ninguém, nem da SDS e nem do MP. Não vou aceitar qualquer interferência nas investigações. Se tentarem fazer isso, saio do caso?, insinuou Barenco. GF/RC ### Jovem ferido por pistoleiros morre na UE Morreu ontem na UTI da Unidade de Emergência (UE) o jovem José Alfredo Raposo Tenório, 21 anos. Desde a última terça-feira, quando foi baleado na cabeça no episódio do assassinato do pistoleiro Cícero Belém, no Tabuleiro, Alfredo vinha lutando contra a morte. Seu estado sempre foi considerado gravíssimo, devido à perda de muita massa encefálica. Ontem, José Alfredo teve morte cerebral. Testemunha chave O diretor-geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, ouviu, na noite da última quarta-feira, uma testemunha chave no caso do assassinato: uma mulher identificada como Dalba, namorada de Cícero Belém, estava no veículo Polo e assistiu ao crime. Davino informou que o depoimento foi sigiloso para preservar a testemunha, que tem medo de represálias. Segundo a mulher, estava namorando com Belém há três meses, e que pouco conhecia sobre sua vida. O casal estava efetuando pagamentos em Maceió, por isso estava com tanto dinheiro (pouco mais de R$ 6 mil). Havia acabado de deixar um estabelecimento comercial no Farol e retornava para o Centro, quando o veículo foi interceptado pelos pistoleiros. Ela afirmou ter ouvido os estampidos e como forma de se proteger deitou-se no banco, onde permaneceu. Como o veículo tinha película fumê, ela acredita que os atiradores não tenham percebido que havia uma terceira pessoa no carro. José Alfredo foi baleado porque desceu do automóvel e tentou correr. A namorada de Belém ficou desesperada e foi levada para casa numa viatura da SMTT, que era comandada pelo agente de trânsito Sena, que chegou ao local do atentado minutos depois. Hoje, uma das preocupações do diretor-geral da Polícia Civil é manter a testemunha viva. Davino chegou a oferecer proteção policial. No entanto, ela não aceitou. O delegado Davino informou que o veículo Polo tinha sido comprado e pago por Belém, na última segunda-feira, conforme declarações de Tânia, a viúva do fazendeiro Fernando Fidélis. Davino considera prematuro tentar relacionar os dois assassinatos, somente porque Belém era amigo de Fernando Fidélis. EF

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