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Secret�rio nega envolvimento em morte

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MÁRIO LIMA Editor de Cidades O secretário de Ressocialização, Valter Gama, negou ontem o seu envolvimento no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis. O suposto envolvimento de Gama foi revelado por duas testemunhas da morte de Fidélis, que pedem proteção da Justiça para ajudar no esclarecimento do crime. Eles pedem a transferência do presídio Baldomero Cavalcanti, os benefícios da delação premiada e garantias de vida. Além de Gama, as testemunhas citam os nomes do delegado da polícia civil Valdir Soares de Carvalho, do diretor do Baldomero Cavalcanti - Jair Macário, do policial Alfredo Pontes, o Alfredinho, do ex-agente penitenciário Teixeira. Durante a coletiva, que contou com a participação do diretor-geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, e do diretor do Centro de Perícias Forenses, Ailton Vilanova, e do presidente da Associação dos Delegados, Antônio Carlos Lessa, o secretário Gama sugeriu que a denúncia envolvendo o seu nome não era verdadeira, e faria parte de uma tentativa de prejudicar o seu trabalho e de atingir o secretário de Justiça e Defesa Social, Paschoal Savastano. ?Sou um homem honrado e tenho mais de 20 anos de policia, nunca me envolvi em denúncias desse tipo. Essa denúncia é direcionada e tem como objetivo me prejudicar e atingir o secretário Paschoal Savastano?, disse. O secretário de Ressocialização sugeriu que as denúncias tinham como objetivo a sua demissão do cargo, que interessava a grupos que estariam ?incomodados? com o seu trabalho na Secretaria de Ressocialização. Ontem, o delegado Marcílio Barenco voltou ao presídio Baldomero Cavalcanti para ouvir os depoimentos de testemunhas do crime. Barenco também encaminhou ao juiz da 9ª Vara Criminal, Braga Neto, o pedido de prorrogação do inquérito que apura o assassinato de Fernando Fidélis, que aconteceu há 9 dias. Barenco disse ontem que ainda não ouviu os depoimentos das testemunhas que acusam o secretário Gama, o delegado Carvalho, o diretor Macário, o policial Alfredinho, e o ex-agente penitenciário Teixeira. ?Ainda não ouvimos esses depoimentos. Informalmente, a gente ouviu, no presídio, informações sobre o possível envolvimento de algumas dessas pessoas, mas até agora não foi oficializado pelas testemunhas?, disse. Barenco explicou que, além dele, os promotores Alfredo Gaspar de Mendonça e Marcus Mousinho vêm ouvindo os depoimentos de testemunhas, que podem ser ouvidas no inquérito. A promotora Karla Padilha, que foi nomeada para acompanhar as investigações do Caso Fidélis assume na próxima segunda-feira. ### Delegado descarta relação entre crimes O delegado do 4º Distrito, Jobson Cabral de Santana, descartou, na manhã de ontem, haver uma relação entre o assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis e o atentado que resultou na morte de Cícero de Sales Belém e o estudante José Alfredo Tenório Filho, que foi sepultado ontem no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, no Prado. Eles foram emboscados por pistoleiros, na última quarta-feira, num trecho da Avenida Durval de Góes Monteiro, no Tabuleiro do Martins. Jobson Santana fez a declaração após tomar o depoimento da viúva de Belém. Elisângela de Sales Belém foi ouvida pelo delegado na companhia de um advogado. Ele, que não pode entrar em detalhes por orientação do diretor-geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, afirmou que a testemunha trouxe novidades para o caso. ?Foi um depoimento proveitoso?, garantiu ele. A viúva de Cícero Belém declarou à polícia desconhecer que o marido tinha um relacionamento extraconjugal. Quando foi morto, ele estava na companhia de uma namorada. Segundo ela, a vítima pernoitou em casa e veio para Maceió buscar o veículo que havia adquirido de Tânia, a viúva de Fernando Fidélis. Segundo Jobson Santana, quando as investigações avançarem Elisângela deverá ser reinquirida, ou seja, ouvida mais uma vez. No entender de Jobson Santana, será preciso que, pelo menos, outras 12 pessoas sejam ouvidas no inquérito. Na manhã de ontem, o delegado confirmou ter recebido um mandado de busca e apreensão do veículo Polo, preto, dirigido por Cícero Belém. A ordem judicial é assinada pelo juiz de Direito Daniel Acioli, que respondia pela comarca de Cajueiro, no último mês de maio. A apreensão seria por questões ligadas ao financiamento. O delegado do 4º Distrito ouviu também, na manhã de ontem, o guarda municipal Mário Pedro, que estava na viatura da SMTT que chegou ao local, logo após a prática do atentado. Jobson Cabral de Santana anunciou que pretende ouvir o genro de Fernando Fidélis, o policial civil Raimundo Nonato, na manhã da próxima segunda-feira. Ele costumava usar o veículo Polo, quando pertencia à sogra, e que foi vendido para Cícero Belém?, ressaltou. Enterro O corpo do estudante José Alfredo Raposo Tenório, 21, foi enterrado ontem no Cemitério de Nossa Senhora da Piedade. Ele foi atingido por um tiro na cabeça, na tarde de terça-feira, depois de tentar fugir da ação de pistoleiros que dispararam 16 tiros contra o carro dirigido por Cícero Belém. A família de Alfredo decidiu doar os seus órgãos para transplantes. Como o tipo de sangue do estudante era O negativo, o coração não pôde ser aproveitado. EF/FAS ### Crime organizado deve levar PF ao caso O coordenador da delegacia de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Joacir Avelino, disse ontem que a Polícia Federal pode entrar nas investigações do assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis. Avelino revelou à Gazeta que já manteve contato com o diretor-geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, e que foi discutida a possibilidade da entrada da Polícia Federal no caso. ?Já conversamos com o delegado Robervaldo Davino e foi sugerida uma parceria na investigação do assassinato de Fernando Fidélis, mas para que isso aconteça é necessária a formalização do pedido da Secretaria de Defesa Social ou do governo do Estado ao Ministério da Justiça?, explicou. Joacir Avelino, que coordenou o grupo que participou das operações para a desarticulação da gangue fardada, disse que a morte de Fernando Fidélis tem todas as características de um crime de vingança - um possível ?racha? entre os integrantes da facção do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante e de Fernando Fidélis. O delegado disse que, oficialmente, a PF não vem investigando o caso, mas está pronta para ajudar nas investigações que, segundo ele, têm características de uma ação do crime organizado. Avelino alertou para o risco do retorno do ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante ao presídio Baldomero. Ele lembrou que o próprio ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante escapou de uma ação parecida com a que vitimou Fernando Fidélis. ?O Cavalcante ia ser alvo de uma ação parecida. Ele ia ser assassinado dentro do presídio, mas o plano foi descoberto antes e escapou de ser assassinado?, disse. ML

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