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Bel�m estava na mira da Pol�cia Federal

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| EDNELSON FEITOSA Repórter As últimas informações que chegaram ao conhecimento da polícia reforçam a tese do delegado Jobson Cabral de Santana de que o fazendeiro Cícero de Sales Belém foi vítima de queima de arquivo e eliminado por integrantes do crime organizado. Ele teria morrido porque sabia demais, principalmente quanto às ações de quadrilhas comprometidas com roubo de cargas em rodovias federais no Estado. Cícero Belém foi morto no dia 1º deste mês, na Durval de Góes Monteiro, em Maceió. Uma fonte da Polícia Civil confirmou que Belém estava sendo investigado pela Polícia Federal (PF) como envolvido em tráfico internacional de drogas. Ele teria estreito relacionamento com cartéis da Colômbia que têm base em Mato Grosso do Sul. Belém estava prestes a ser preso pela PF, que havia fechado o cerco, inclusive com gravações de telefonemas. O interesse da Polícia Federal em prender Belém teria chegado ao conhecimento dos chefes do crime organizado que aproveitaram o fato de seu amigo o fazendeiro Fernando Fidélis ter sido executado dentro do presídio Baldomero Cavalcanti para realizar o atentado. A vítima tinha acabado de adquirir o veículo Polo, preto, que pertencia à viúva de Fernando, Tânia Fidélis. ?Seria fácil relacionar os dois casos?, admitiu a fonte. ENCONTRO MACABRO Pelo que a polícia tomou conhecimento, a namorada de Belém faltou com a verdade quando afirmou que eles tinham acabado de sair de um supermercado, onde fizeram pagamentos, quando foram atacados pelos pistoleiros. Ele, a namorada e José Alfredo Tenório Filho, que foi ferido na cabeça e morreu dias depois na Unidade de Emergência Armando Lages, foram vistos saindo do Condomínio Aldebaran, onde Belém teria se reunido com dois conhecidos. O teor da reunião não chegou ao conhecimento das autoridades policiais. Também antes de sofrer o atentado, Belém teria falado com ?Fernandinho?, filho de Fernando Fidélis. O encontro teria ocorrido próximo do condomínio. Menos de cinco minutos depois Belém foi executado com vários tiros de pistola. Pessoas que se disseram colegas de Belém revelaram à imprensa que ele vinha reclamando de que estava sendo seguido nos quatro dias anteriores à emboscada por um Fiat Uno branco com placa de Cajueiro, outro fato que relacionaria sua morte a Fernando Fidélis. Os amigos também garantem que Belém não se separava de sua metralhadora UZI, de fabricação israelense, calibre 9 milímetros, e das pistolas PT-40. As armas estavam sempre escondidas no veículo. Eles questionam como é que a polícia não encontrou as armas após o crime, já que Belém nunca andava desarmado. Na manhã de ontem, o delegado Jobson Cabral de Santana ouviu a viúva e o filho de Fernando Fidélis. Atendendo orientação do diretor-geral da Polícia Civil, delegado Robervaldo Davino, o presidente do inquérito tem limitado as informações dadas à imprensa, principalmente quanto a depoimentos considerados importantes como os de Tânia e de Fernandinho Fidélis. ### Promotora crê em elucidação de crime FELIPE FARIAS Repórter A promotora Karla Padilha, nomeada pelo procurador-geral de Justiça Coaracy Fonseca para acompanhar as investigações sobre a morte do fazendeiro Fernando Fidélis nas dependências do presídio Baldomero Cavalcanti, disse estar confiante de que as apurações vão apontar os responsáveis, ainda que dissesse haver um ?pacto de silêncio? por parte desse responsáveis para não passar informações sobre o caso. ?Queremos preservar ao máximo as informações. Por isso, não vou adiantar nada?, justificou. A promotora disse não ter participado de nenhum depoimento nessa terça-feira, tampouco tomou conhecimento de que eles tivessem ocorrido. O promotor Alfredo Gaspar de Mendonça teve audiência no fórum, mas não foi acompanhado de seu colega na investigação, o também promotor Marcus Mousinho. A Gazeta tentou ouvi-los, mas eles não foram localizados. A promotora Karla Padilha afirmou, porém, que ?muita coisa está para acontecer?. Segundo defendeu, seriam as informações passadas sobre os detalhes das investigações que podem comprometer esse desfecho. Perguntada sobre o que seriam as ?muitas coisas?, ela confirmou que seria a elucidação do crime, para o que haveria ?muitas chances?. Mas ao ser questionada se isso resultaria em prisões se limitou a dizer que ?já existe muita gente presa?.

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