Polícia
Investiga��es est�o pr�ximas do final
| GILVAN FERREIRA Repórter O delegado Marcílio Barenco vai recomeçar a ouvir hoje o depoimento de testemunhas da morte do fazendeiro Fernando Fidélis, assassinado no último dia 28 de outubro, dentro do presídio Baldomero Cavalcanti. Apesar de não confirmar a relação com nomes de pessoas que serão ouvidas hoje à tarde, Barenco e os promotores Marcus Mousinho, Karla Padilha e Alfredo Gaspar de Mendonça devem ouvir entre três e cinco testemunhas do caso. O delegado e os promotores já ouviram a viúva de Fernando Fidélis, Tânia Couto, e o filho, Fernandinho Fidélis, em depoimento informal. No seu depoimento, Tânia Couto negou que Fernando Fidélis tivesse uma dívida de R$ 27 mil com o traficante Amauri Barbosa, o ?Ari do Morro?, que teria levado ao seu assassinato no presídio. A Gazeta apurou que as investigações sobre a morte de Fernando Fidélis estão ?bem avançadas? e apontariam para a versão de que ele teria sido assassinado por ?queima de arquivo?, com a participação de integrantes do seu próprio grupo criminoso. ?O crime está praticamente esclarecido, agora, só está faltando o depoimento de três testemunhas que decidiram ajudar no esclarecimento do assassinato de Fidélis?, revelou um dos integrantes do grupo de investigação do assassinato de Fidélis. Silêncio O delegado Marcílio Barenco disse que se reservaria o direito de manter o silêncio sobre as investigações, mas garantiu que vem investigando todas as versões sobre a morte de Fidélis. Os promotores Marcus Mousinho, Karla Padilha e Alfredo Gaspar de Mendonça vão acompanhar os novos depoimentos das testemunhas. Barenco tem até o dia 30 deste mês para enviar o inquérito policial à Justiça, mas esse prazo pode ser prorrogado, devido às dificuldades técnicas do núcleo de perícia criminal, que ainda não enviou os exames residográficos dos acusados Edson dos Santos, o Pé de Cobra, e David dos Santos, o laudo cadavérico de Fidélis e o laudo pericial da arma usada no crime contra o fazendeiro. ### PF também investiga outros nomes O delegado federal Joacir Avelino, do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, confirmou ontem que a Polícia Federal (PF) vinha investigando as ações do pistoleiro Cícero Belém, principalmente a participação dele no roubo de cargas. Avelino disse que as investigações também incluiriam outros integrantes da quadrilha de Belém, mas não quis revelar os nomes. Já o delegado Jobson Cabral evita falar sobre as investigações, mas a Gazeta apurou que existem alguns fatos que não coicindem com a versão apresentada por alguns setores da cúpula da Segurança Pública. A Gazeta apurou que a cúpula da Segurança Pública já tem os nomes das duas pessoas que tiveram um encontro com Belém, no condomínio de luxo Aldebaran, antes do seu assassinato, ocorrido no dia 1º deste mês, mas até agora o delegado Jobson Cabral não mostrou interesse em convocá-las para depor. Ligações perigosas A Gazeta manteve contato com um dos promotores que investigam as ações de integrantes do crime organizado em Alagoas e ele não descartou a possibilidade de a morte de Fernando Fidélis ter relação direta com o assassinato de Cícero Belém. A hipótese foi negada pelo delegado Jobson Cabral, ?A polícia descarta a possibilidade desses crimes terem relação, mas isso não deveria ser feito, pois tanto Fidélis como Cícero Belém começaram a incomodar os integrantes do crime organizado no Estado. Fidélis estava ajudando a Justiça a esclarecer uma série de crimes e Belém, que tinha uma forte ligação com ele, inclusive na participação em crimes, vinha fazendo ações independentes, incomodando os seus chefes. Fidélis e Belém sabiam de muita coisa e é provável que o último não tivesse aceitado a morte de Fidélis?, disse o promotor, que pediu para não ter seu nome revelado. O promotor chamou atenção para o ?sumiço? da testemunha que estava com Belém no momento do crime ?Essa mulher [namorada de Belém] é uma testemunha muito importante, pois ela pode confirmar com quem Belém esteve reunido antes de ser assassinado, qual o destino deles naquele dia e sobre o que conversavam. A polícia tem de preservar a vida dessa mulher, mas não pode descartá-la das investigações. Ela é muito importante para ajudar no esclarecimento desse crime?, alertou o promotor. O promotor também afirmou que apesar de Cícero Belém ter envolvimento em muitos crimes, a sua morte pode estar diretamente relacionada às ações do crime organizado. ?Ele sabia de muita coisa e era um arquivo vivo. Se abrisse a boca, por exemplo, sobre a morte de Fidélis podia atingir muita gente?, ponderou. GF