Polícia
Juiz pede pris�o de secret�rio de Estado
GILVAN FERREIRA Repórter O juiz da 8ª Vara Criminal, José Braga Neto, decretou ontem a prisão temporária do secretário de Ressocialização, Valter Gama; do delegado Valdir Soares de Carvalho; dos diretores do presídio Baldomero Cavalcanti, Jair Macário, Mário Jorge e Jorge Oliveira e do agente penitenciário Cristiano. Eles são acusados de envolvimento no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, que ocorreu dentro do presídio Baldomero Cavalcanti, no último dia 28 de outubro. A prisão do secretário Valter Gama, dos diretores e do funcionário do presídio Baldomero Cavalcanti foi uma solicitação dos promotores Marcus Mousinho, Karla Padilha e Alfredo Gaspar de Mendonça. Segundo os promotores, o pedido de prisão temporária tem como objetivo evitar que houvesse a posssibilidade de sumiço das provas do crime, ameaças a testemunhas e para garantir a ordem pública. No seu despacho, o juiz José Braga Neto determinou que os acusados cumprissem a prisão na Polícia Federal. A decisão mobilizou toda a cúpula do governo do Estado. Por volta das 18h30, o subsecretário de Defesa Social, coronel Acírio Nascimento, esteve no Fórum de Maceió para confirmar a decisão do juiz Braga Neto. Ele deixou o fórum com os mandados de prisão e ficou responsável por encaminhar a apresentação do secretário Gama. A Gazeta tinha antecipado o suposto envolvimento do secretário Valter Gama, do delegado Valdir de Carvalho e de diretores do presídio Baldomero Cavalcanti na morte do fazendeiro Fernando Fidélis. Essa versão provocou divergências entre o delegado Marcílio Barenco, que deixou o cargo na última quinta-feira, 10, e os promotores de Justiça Marcus Mousinho e Alfredo Gaspar de Mendonça. ### Para promotores, prisões vão facilitar as investigações As prisões do secretário de Resssocialização, Valter Gama, do delegado Valdir Soares de Carvalho e dos três diretores e um agente penitenciário do presídio Baldomero Cavalcante foram apontadas pelos promotores que apuram o assassinato de Fernando Fidélis como fundametais para o esclarecimento da morte do fazendeiro, que desde o ano passado vinha tendo um papel fundamental na apuração da ação do crime organizado em Alagoas. Em troca de redução de pena - Fidélis cumpria pena de mais de 52 anos de prisão, ele foi condenado pelo assassinato do tributarista Sílvio Viana, de uma família de quatro pessoas em Pindoba e de um estudante em Viçosa - o fazendeiro vinha ajudando o Ministério Público e, por isso, passou a ser alvo dos integrantes do seu ex- grupo criminoso. Os promotores já teriam provas que Fidélis teria sido assassinado por ter denunciado integrantes do crime organizado em Alagoas. Foi ele e o ex- PM Garibalde que denunciaram o ex-tenente Manoel Francisco Cavalcante, o delegado Valdir Soares de Carvalho e policiais civis e militares em vários crimes em Alagoas, entre eles, o assassinato do tributarista Sílvio Vianna, que teria sido executado por integrantes do grupo do ex-tenente-coronel Cavalcante. Pela versão dos promotores e pelo entendimento antecipado pelo juiz José de Braga Neto, que decretou a prisão do seis suspeitos de envolvimento na morte de Fidélis, o crime foi praticado por vingança e queima de arquivo. O pedido de prisão do secretário Valter Gama - que há uma semana convocou uma coletiva na tentativa de se defender -, do delegado Valdir de Carvalho e dos diretores do presídio Baldomero Cavalcanti não foi considerado supresa pela cúpula da SDS. A Gazeta apurou que três dos acusados já tinham encaminhado os pedidos de habeas corpus preventivo, mas segundo o promotor Marcus Mousinho, esse recurso dos acusados não garantiria que não seriam presos. ?A decretação da prisão anularia o recurso?. Ontem à noite, a Gazeta apurou que uma reunião na sede do Ministério Público, com a participação do secretário Paschoal Savastano, tinha como objetivo encontrar uma ?fórmula? para afastar os promotores Mousinho e Alfredo Gaspar que atuam no caso. Até a 0h50, os seis acusados ainda não tinha sido levados à Policia Federal.