Polícia
Gama e Mac�rio continuam foragidos
REGINA CARVALHO GILVAN FERREIRA Repórteres O secretário de Ressocialização, Valter Gama, e o diretor do presídio Baldomero Cavalcanti, Jair Macário, que tiveram a prisão temporária decretada, na última sexta-feira, pelo juiz da 8ª Vara Criminal, José Braga Neto, ainda continuavam foragidos até ontem à noite. O pedido de prisão foi feito pelos promotores Marcus Mousinho, Karla Padilha e Alfredo Gaspar de Mendonça, que investigam a morte do fazendeiro Fernando Fidélis. Gama teve ontem negado um pedido de habeas corpus para revogar sua prisão. A prisão de Gama e Macário ainda não teria ocorrido pela negativa do diretor-geral da Polícia Civil, Robervaldo Davino, que teria se negado a prender os dois delegados. Davino teria alegado que o juiz Braga Neto não tinha competência para decretar a prisão de Valter Gama. Ontem à tarde, o juiz Braga Neto disse que o não-cumprimento da prisão pode levar o diretor da Polícia Civil à prisão. ?O delegado Robervaldo Davino entrou em contato comigo [por telefone] e disse que não teria condições emocionais de efetuar a prisão do secretário Gama, mas eu sugeri que a ordem judicial fosse cumprida, pois haveria o risco de um pedido de prisão (dele, Davino). Ele me assegurou que a polícia estaria empenhada em cumprir a prisão do secretário e do diretor do presídio?, explicou Braga Neto. Prisões Já o diretor de disciplina do presídio Baldomero Cavalcanti, Mário Jorge Gomes Bezerra; o chefe de guarda, José Jorge Santos, e o agente penitenciário Cristiano Ferreira estão presos desde ontem na sede da Polícia Federal (PF), em Jaraguá. Eles são acusados de envolvimento no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, no dia 28 de outubro, e também tiveram a prisão temporária decretada pelo juiz da 8ª Vara Criminal, José Braga Neto, na última sexta-feira. O advogado dos acusados, Júlio César Cavalcante, informou que eles estão presos na mesma carceragem de Edson Tavares dos Santos, o ?Pé de Cobra?, assassino confesso de Fernando Fidélis. ?Eles foram pegos de surpresa e nem sabem por que tiveram a prisão temporária. Oficialmente, não recebi nenhum comunicado sobre a decretação de prisão?, declarou o advogado. A apresentação de Cristiano, Mário Jorge e José Jorge aconteceu antes de chegarem os mandados de prisão, que foram levados por um funcionário da Secretaria de Defesa Social, no final da manhã de ontem. ?Eles estão se apresentando de livre e espontânea vontade, porque ainda não tinha chegado nada às minhas mãos?, acrescentou Júlio César. O delegado do 6º Distrito Policial, Valdir de Carvalho, conseguiu salvo-conduto, expedido pelo desembargador José Fernandes de Hollanda Ferreira e se livrou da prisão temporária (leia matéria abaixo). Silêncio O juiz Braga Neto determinou a prisão temporária por 30 dias para os funcionários do presídio. Os três acusados, presos na PF, foram levados ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito, antes de serem recolhidos à PF. O delegado de plantão da PF Daniel Fantine disse que não vai ouvir os acusados, porque a única informação que teve foi que eles iriam ficar na carceragem. ?Não recebi nenhum comunicado de que eles serão ouvidos por mim?, relatou o delegado. Ao saber que os acusados tinham chegado, o superintendente da PF, Rogério Cota, entrou em contato com a Secretaria de Defesa Social e pediu que enviassem os mandados de prisão temporária. ?Falei para eles que era melhor se apresentar para não ficar na condição de foragidos. Amanhã entro com pedido de revogação?, disse Júlio César. A prisão do secretário, diretores do presídio, delegado e agente penitenciário foi pedida pelos promotores, sob alegação de que soltos poderiam prejudicar as investigações, com possibilidade de sumiço das provas e ameaça a testemunhas. ### Carvalho: fora da prisão, mas com medo O delegado do 6º Distrito Policial (DP), Valdir Silva de Carvalho, apontado como um dos envolvidos na morte do fazendeiro Fernando Fidélis e que também teve a prisão temporária decretada pelo juiz José Braga Neto, conseguiu salvo-conduto expedido pelo desembargador José Fernandes de Hollanda Ferreira. Em entrevista concedida à Gazeta, o delegado afirmou que tem medo de morrer e que mais uma vez está sendo acusado injustamente. ?Não tenho nada a declarar. Só que essa não é a primeira injustiça que sofro?, ressaltou. Ele informou que trabalha normalmente, mas que agora conta com a proteção de seguranças. ?Vocês não sabem do estrago que fizeram comigo e com a minha família. Vou continuar trabalhando normalmente, mas vou andar com mais cuidado?, completou. De posse do salvo-conduto, desde a última sexta-feira, que lhe livrou da prisão temporária, Valdir disse que estranhou que seu nome fosse citado como interessado na morte de Fernando Fidélis. ?Ninguém consegue provar, porque não há nada contra mim?, disse o delegado. Habeas-corpus A advogada Maria das Graças Patriota Casado informou que desde o último dia 29 está guardando todas as matérias que foram publicadas na imprensa sobre o seu cliente Valdir Silva de Carvalho e, por isso, no dia 8 deste mês entrou com habeas corpus preventivo, impedindo que ele fosse preso temporariamente. Valdir disse que se sente inseguro com a possibilidade de parentes de Fidélis acreditarem que ele tem envolvimento na morte do fazendeiro. ?Garibalde não tem nada contra mim e nem Fidélis tinha?, relatou Carvalho. Sem apoio Sem querer polemizar mais sobre o assunto, o delegado confirmou, quando questionado, que não tem recebido apoio da cúpula da Secretaria de Defesa Social. A prisão temporária de Valdir, assim como a do secretário de Ressocialiação, Valter Gama; diretor do presídio Baldomero Cavalcanti, Jair Macário e outros funcionários, foi pedida pelos promotores Marcus Mousinho, Alfredo Gaspar de Mendonça e Karla Padilha, que investigam o assassinato de Fernando Fidélis. Uma das teses levantadas por eles é de que o fazendeiro poderia ter sido morto por saber demais, inclusive sobre suposto envolvimento do delegado em crimes. Valdir de Carvalho diz que pretende manter a rotina de trabalho e que se dependesse da sua família ele estaria fora da polícia. ?Minha mulher está tomando tranqüilizantes para dormir. É uma situação difícil. Tenho medo de morrer, mas não vou embora de Alagoas. Temo pela minha própria vida e a vida dos meus parentes. Mesmo assim continuarei aqui?, reforça. Ele rebate a informação de que iria com freqüência ao presídio de segurança máxima Baldomero Cavalcanti. ?Faz algum tempo que fui lá. Além disso fui poucas vezes?, esclareceu o delegado Valdir de Carvalho. |RC ### Delegado já esteve preso por crime contra testemunha O delegado Valdir Silva de Carvalho foi preso em dezembro de 2004, sob acusação de envolvimento na morte de Ebson Vasconcelos, o ?Êto?, assassinado em novembro de 2002, que era considerado uma testemunha- chave na morte do tributarista Sílvio Vianna. Ele passou três dias preso e atuava na época no 4º Distrito Policial. Sílvio Vianna foi emboscado e assassinado em outubro de 1996, em Guaxuma, litoral norte de Alagoas. Promotores A prisão do delegado foi pedida pelos promotores Alfredo Gaspar de Mendonça e Marcus Mousinho e decretada pela juíza Nirvana de Mello. No mesmo momento em que decretou a prisão de Valdir de Carvalho, a juíza pediu a do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, que já cumpria pena no presídio Baldomero Cavalcanti, e do PM Emanuel Guilherme da Silva, o ?Fininho?. Os promotores relataram que a morte de Êto, que seria por ?queima de arquivo?, teria sido planejada pelo ex-tenente e o delegado cuidaria da execução. O policial ?Fininho? teria sido o autor dos tiros que mataram Êto. O ex-PM Garibalde Amorim, solto semana passada, e o fazendeiro Fernando Fidélis, assassinado dentro do presídio, denunciaram aos promotores, na época, supostos crimes cometidos pelo grupo de Cavalcante. |RC