Polícia
Sistema penitenci�rio vive dia de tens�o
GILVAN FERREIRA Repórter O clima de tensão e medo dominou ontem os presídios de Alagoas. Pela manhã, uma briga entre presidiários dos módulos II e III, onde quatro detentos ficaram feridos, e uma tentativa de fuga no módulo IV provocaram a invasão do presídio pelo Grupo de Ações Penitenciárias (GAP), que foi convocado para evitar que a situação se agravasse dentro do presídio Baldomero Cavalcanti. O presídio vive sob tensão desde o assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, no último dia 28, e teve o clima acirrado com a decretação das prisões do secretário de Ressocialização, Valter Gama, dos diretores do presídio Jair Macário, Mário Jorge Gomes Bezerra, José Jorge Oliveira e do agente penitenciário Cristiano Ferreira Souza, suspeitos de envolvimento na morte de Fidélis. Segundo o diretor do Sistema Penitenciário, coronel Cícero Tavares, a confusão começou por volta das 7h30, quando os presidiários Ronaldo Francelino dos Santos e José André dos Santos, que cumprem pena por assalto, tentaram fugir por um dos muros do presídio utilizando uma ?tereza?. A fuga foi evitada pela guarda da Polícia Militar, que percebeu a movimentação dos dois presos e deu o alarme. Os policiais chegaram a disparar tiros de advertência. Os presidiários, que cumprem pena por assalto, alegaram que tentaram fugir por entender que já tinham cumprido sua pena. Ronaldo Francelino disse que tinha sido condenado a seis anos de prisão, e como já tinha cumprido mais de dois anos tinha direito ao regime semi-aberto; José André, que cumpre pena de 14 anos, disse que já tinha cumprido mais de seis anos e também tinha direito à liberdade. ?Vou continuar tentando fugir e não vou sossegar enquanto não deixar o presídio?, ameaçou José André. Enquanto a direção do presídio tentava contornar a situação surgiu um novo problema: presos dos módulos II e III iniciaram um confronto e quatro deles ficaram feridos. Os presidiários foram levados para a Unidade de Emergência Armando Lages. Três deles foram liberados e um ficou internado. ?Eles brigaram por problemas de convivência, a situação no presídio é tensa, mas já estamos tomando algumas medidas, inclusive vamos transferir alguns presos de módulo, para evitar novos confrontos?. Eles também reclamam de maior atenção da Justiça que, segundo eles, é lenta. ?Tem preso aqui que já tem direito à mudança de regime, mas não consegue o benefício?, disse o coronel Tavares, acrescentando que os diretores dos presídios estão solidários ao secretário Valter Gama, que teve a prisão decretada pelo juiz da 8ª Vara Criminal, José Braga Neto. ?Nós tivemos uma reunião hoje com os diretores do sistema penitenciário e ficou decidido que se o doutor Valter Gama não ficar, a gente também vai embora?. Ontem, no fim da tarde, o juiz Marcelo Tadeu e integrantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Alagoas foram ao presídio Rubens Quintella onde, no último sábado, houve uma rebelião, para apurar denúncias de que haveria orientação de agentes penitenciários para que os presos iniciassem um novo confronto, a fim de desviar a atenção pela prisão do secretário e do ex-diretor Jair Macário. ### Confronto entre detentas no Santa Luzia Depois de a situação no presídio Baldomero Cavalcanti ter sido controlada, a tensão se deslocou para o presídio feminino Santa Luzia. As presidiárias dos módulos I e II - considerados rivais - iniciaram um confronto e houve uma ameaça de rebelião. Durante o confronto, que envolveu parte das 84 presídiárias, ainda houve queima de colchões e ameaça de destruição das instalações do presídio. O GAP, que estava dentro do Baldomero Cavalcanti, foi deslocado para o Santa Luzia e levou pouco mais de 30 minutos para dominar a situação. ?As detentas brigaram por causa do orelhão, as presas de um módulo [II] não queriam que as outras do outro módulo [I] utilizassem o telefone público. O clima é tenso dentro do Santa Luzia, mas a gente vem tentando contornar. Aqui, os que as presas mais reclamam é pela mudança de sistema. Muitas delas estão no regime totalmente fechado e querem passar para o regime parcialmente fechado, o que provocaria uma redução de pena, como foi o caso do Garibalde Amorim, mas só a Justiça pode resolver isso?, disse a diretora do presídio Santa Luzia, Sheyla Cristina. O diretor do Desipe, coronel Tavares, comandou a operação de invasão do Santa Luzia. Ele revelou à Gazeta que ia realizar uma operação ?pente-fino? nos presídios, após ter recebido informações de que, pelo menos nos módulos II e III do Baldomero Cavalvanti, algums presos estariam guardando armas artesanais, principalmente espertos. Com relação ao Rubens Quintella, onde os presos promoveram uma rebelião no último sábado, quando deixaram quatro feridos e destruíram parcialmente as instalações do presídio, os detentos foram deslocados para o pátio e foi reforçado o esquema de segurança. |GF