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Onda de rebeli�es provoca morte em AL

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MARCOS RODRIGUES Repórter No quarto motim em menos de 48 horas, o sistema prisional alagoano voltou a viver ontem momentos de descontrole, violência e barbárie. A pior situação aconteceu no presídio Rubens Quintella, em uma rebelião que deixou dois mortos - um teve a cabeça decepada - e um número de feridos não revelado pela polícia. Em Arapiraca, outra rebelião deixou 20 detentos feridos (leia matéria abaixo); no Cirydião Durval o clima foi tenso durante todo o dia, mas sem ocorrências maiores. No Baldomero e no presídio feminino Santa Luzia, os ânimos dos prisioneiros continuam alterados, desde os motins desta semana. Para conter a revolta no Rubens Quintella, mais de 70 homens da Polícia Militar foram mobilizados, além de cães e cavalaria. Até o Exército foi chamado para dar apoio à ação dos homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Cabeça cortada Durante a revolta, os irmãos Cristiano dos Santos, 29, e Luciano dos Santos, 28, foram mortos pelos companheiros de cela. Cristiano, que aguardava julgamento por porte de armas, teve sua cabeça degolada, depois de receber 31 facadas no peito. Já Luciano também recebeu um golpe profundo no pescoço e 21 perfurações no tórax. Numa demonstração de ousadia e crueldade, o corpo e a cabeça de Cristiano foram jogados no pátio da unidade e só foram resgatados depois de uma negociação. Causas da revolta Segundo o juiz de Execuções Penais, Marcelo Tadeu, as causas para a revolta, alegadas pelos presos, estão associadas à lentidão dos processos. ?A principal reivindicação refere-se ao fato de estarem presos e sequer terem sido julgados. Problema que extrapola minha atuação como juiz?, desabafou Tadeu. Em sua avaliação, o sistema vive seu momento mais tenso. Indagado se a crise está associada à decretação da prisão do secretário de Ressocialização Walter Gama, ele preferiu generalizar o problema. ?Não acredito que tenha relação direta, mas eles estão aproveitando esse momento para reinvindicar?, avaliou o juiz. Ontem, em meio à confusão, o governador Ronaldo Lessa (PDT) anunciou demissões e a criação de uma comissão para gerenciar a crise no sistema prisional, comandada pela ex-secretária de Direitos Humanos, Magali Pimentel, que esteve ontem no Rubens Quintella. ### Em Arapiraca, confronto em presídio deixa vinte feridos MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - A crise do sistema prisional alagoano alcançou também Arapiraca. Uma guerra entre facções rivais, que brigam pelo poder no presídio Luiz de Oliveira Souza, também terminou em violência, que deixou um rastro de pelo menos 20 presos feridos. Desse total, seis foram internados ontem à tarde na Unidade de Emergência do Agreste com ferimentos considerados graves. Dois deles - Iranildo Martins e Fábio Inácio da Silva - foram encaminhados ao centro cirúrgico com perfurações no abdome provocadas por golpes de facas improvisadas. A briga pelo poder no pavilhão dois começou às 13h30 de ontem. Segundo apurou a Gazeta, 50 reeducandos decidiram atacar grupo de 20 rivais. ?Eles atacavam grupos de cinco reeducandos. Depois, avançavam sobre outro grupo?, explicou o diretor José Maria Pereira. Os 20 reeducandos vítimas da facção rival foram retirados do pavilhão II e deixados num dos pátios da unidade prisional de Arapiraca. Até o final da tarde de ontem, três detentos tinham sido liberados. Outros três continuam internados e estão sob vigilância da Polícia Civil. ?Eles mantêm o silêncio. Nada dizem. As vítimas também não revelam os nomes dos agressores?, completou Pereira. Para ele, ?o presídio de Arapiraca é um imenso barril de pólvora?. Projetado para abrigar 128 reeducandos, o presídio de Segurança Média Luiz de Oliveira Souza - o único do interior de Alagoas - tinha até ontem à tarde 268 detentos, espremidos em dois pavilhões. ### Comissão da crise tenta manter controle REGINA CARVALHO Repórter Na tentativa de não deixar o sistema prisional fora de controle - com os principais dirigentes presos ou foragidos por envolvimento no assassinato de Fernando Fidélis dentro do presídio Baldomero Cavalcanti - o governador Ronaldo Lessa (PDT) nomeou ontem uma comissão especial para fazer uma ?intervenção branca? nos presídios alagoanos. A comissão tentará impedir novos motins e vai trabalhar até que seja resolvida a situação do secretário de Ressocialização, Valter Gama, que até ontem era considerado fugitivo da Justiça, acusado de envolvimento na morte do fazendeiro Fernando Fidélis (leia mais na página A15). Os integrantes da comissão já começaram a agir ontem, durante a rebelião no Rubens Quintella. Entre os integrantes da comissão estão a ex-secretária de Direitos Humanos Magali Pimentel; dois oficiais do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar - coronel Adilson Bispo e tenente-coronel Berto de Lima; e dois delegados: Oswaldo Domingos e Juracir César e Silva. ?Temos de manter a calma e a serenidade, mas não podemos cometer erros, já que o sistema requer medidas ágeis?, afirmou Magali Pimentel. Baldomero Já no Presídio Baldomero Cavalcanti, toda a diretoria também caiu. O governador exonerou o diretor-geral, Jair Macário da Silva, que continuava foragido até ontem, e o diretor de Segurança, Mário Jorge Gomes Bezerra, que está preso desde a última segunda-feira na carceragem da Polícia Federal, em Jaraguá. Os dois estariam envolvidos na morte de Fidélis. Para assumir a vaga deixada por Jair Macário, o governador nomeou o coronel da reserva José Agamenon Oliveira da Silva. Mas a Gazeta apurou que Agamenon não teria aceito o cargo. Segundo informação da assessoria de imprensa da Secretaria de Defesa Social (SDS), o nome do coronel foi citado como pessoa de consenso para assumir a direção do Baldomero. Mas no começo da noite de ontem, a SDS anunciou o nome de José de França Lima, delegado aposentado, como o novo diretor. ### Quatro revoltas em 48h; juiz tenta a paz EDNELSON FEITOSA Repórter Os detentos de Alagoas estão em ?pé de guerra?. Eles se rebelaram quatro vezes, nas últimas 48 horas. A revolta dos presos atinge todo o sistema penitenciário, que pode entrar em colapso caso eles cumpram a promessa de realizar uma rebelião geral nos cinco presídios de Alagoas: Baldomero Cavalcanti, Cirydião Durval, Rubens Quintella, Santa Luzia e o de Arapiraca. Na terça-feira houve problemas no Baldomero Cavalcanti e no Santa Luiza, o presídio feminino. Os detentos promoveram quebra-quebra e quatro sofreram agressões por parte dos colegas. A situação só se normalizou com a chegada do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM e de um oficial do Grupo de Gerenciamento de Crises. Na madrugada de ontem foram os presos do Rubens Quintella que se amotinaram. Liberdade Para amenizar a situação, o juiz das Execuções Penais, Marcelo Tadeu, esteve ontem no Baldomero Cavalcanti para analisar a situação de 108 presos, que apresentaram um rosário de reclamações. Muitos com direito de ganhar liberdade, mas que continuam em regime fechado. Ele deve estender o benefício, já concedido ao preso Garibalde Amorim, para dezenas de detentos do Baldomero.

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