Polícia
Lessa demite Gama e nomeia oficial PM
| GILVAN FERREIRA Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) demitiu ontem o secretário de Ressocialização, Valter Gama, acusado de envolvimento no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, que ocorreu no último dia 28 de outubro, dentro do presídio Baldomero Cavalcanti. Fidélis era considerado um arquivo vivo sobre os crimes de pistolagem em Alagoas. Na última terça-feira, Lessa criticou o juiz da 8ª Vara Criminal, José Braga Neto, por ter decretado a prisão de Valter Gama e disse que não iria afastá-lo ou exonerá-lo, pois o considerava de sua ?extrema confiança?. A exoneração de Gama deve ser publicada na edição de hoje do Diário Oficial. Para o lugar de Gama, o governador Ronaldo Lessa nomeou o tenente-coronel Aurélio Rosendo dos Santos, que até ontem comandava o policiamento das regiões do Agreste e do Baixo São Francisco. Rosendo tinha sido comandante do 5º Batalhão de Polícia do Benedito Bentes, bairro mais populoso de Maceió. O nome do tenente-coronel Rosendo era o 3º da lista apresentada pelo secretário Paschoal Savastano ao governador Ronaldo Lessa. Ele disputou o cargo com o atual delegado do 4º distrito, Jobson Cabral, e a subsecretária de Ressocialização, Magaly Pimentel. Segundo a Secretaria de Comunicação do Estado (Secom), a posse do novo secretário de Ressocialização será hoje, às 16h, em solenidade no Palácio dos Martírios, com a presença do vice-governador Luis Abílio. Habeas corpus Ontem, o desembargador Sebastião Costa Filho concedeu habeas corpus ao ex-secretário Valter Gama, que deixou ontem mesmo a prisão, no Tigre (leia mais na página 14). Em seu despacho, Sebastião Costa alega que as provas apresentadas contra Valter Gama eram insuficientes para mantê-lo preso. Na mesma decisão, o desembargador Sebastião Costa negou o pedido de habeas corpus para o ex-diretor do presídio Baldomero Cavalcanti, Jair Macário. ?Na minha avaliação não ficou evidenciado que o secretário Valter Gama realmente tivesse algum indício de envolvimento no caso, ou influísse nas investigações. As acusações estão baseadas em uma testemunha que alega que o secretário, o diretor Macário e o delegado Valdir de Carvalho, que tinha sido denunciado por Fernando Fidélis, tinham interesse na morte da vítima, mas não foram apresentadas outras evidências para mantê-lo preso. Já com relação ao diretor Jair Macário, há fortes indícios, inclusive por meio de vários depoimentos?, explicou Sebatião Costa. A decisão vai seguir para análise do procurador-geral de Justiça, que dará parecer, e depois o desembargador levará a julgamento pelo pleno do Tribunal de Justiça, na terça-feira. ### Delegado diz que clima no presídio continua tenso O delegado do 10º distrito, Denisson Albuquerque, que investiga a morte dos irmãos Cristiano dos Santos, 29 - que teve a cabeça degolada pelos presidiários - e Luciano dos Santos, 28, durante a rebelião da última quarta-feira, no presídio Rubens Quintella, disse que já esclareceu os dois assassinatos. Albuquerque, que ontem ouviu várias testemunhas do assassinato dos irmãos, disse que já tem os nomes dos autores e a motivação do crime, que teria sido praticado por vingança e teve a participação de, no mínimo, nove detentos, que serão indiciados por duplo homicídio. O delegado disse que a situação no presídio, que passou por duas rebeliões em 48 horas, continua tensa e fora de controle. ?A situação no presídio Rubens Quintella não mudou em nada. Os presidiários continuam rebelados, a policia ainda não entrou para recolher armas que foram utilizadas nas duas rebeliões. Lá, os presos estão recebendo somente alimentação e ficam livres durante todo o dia no pátio. Eu não tive condições nem de fazer flagrante ou ouvir testemunhas, pois não havia clima?, falou Albuquerque. COMISSÃO Ontem, a comissão nomeada pelo governador Ronaldo Lessa para administrar a crise no sistema prisional do Estado esteve no presídio para tentar um acordo com o líderes rebelados do Rubens Quintella. A porta-voz da comissão, a subsecretária de Ressocialização, Magaly Pimentel, disse que a comissão começou a avaliar as reivindicações dos presidiários e vai analisar a situação de alguns detentos. |GF