Polícia
Bope tenta conter rebeli�o e enfrenta a f�ria dos presos
EDNELSON FEITOSA Repórter A rebelião iniciada há uma semana no presídio Rubens Quintella, que ainda estava sob domínio dos presos, aparentemente foi dispersada ontem pela manhã por homens do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope). Ainda amotinados, os presos resistiram à chegada das viaturas com os militares e atacaram os policiais com pedras; mas receberam tiros com balas de borracha como resposta. Os confrontos ocorreram mesmo do lado de dentro do presídio e demoraram quase toda a manhã. O último reduto dos presos só caiu por volta das 11h30, quando representantes dos Direitos Humanos foram chamados para acompanhar a ação da polícia e tentar negociar, pois os rebelados ameaçavam matar um detento a golpes de estilete. No primeiro dia do motim, na quarta-feira (16), dois detentos foram mortos barbaramente, um deles com a cabeça cortada. TIROS, EXPLOSÕES E GRITOS ?Usamos balas de borracha e bombas de efeito moral?, explicou um oficial do Bope, justificando os estampidos ouvidos pela imprensa, que se instalou em frente ao presídio. Mas os presos insistiam em reagir e atearam fogo em colchões para impedir o avanço da tropa. O coronel Cícero Tavares, diretor do Sistema Penitenciário, permaneceu todo o tempo dentro do Rubens Quintella. O secretário de Ressocialização, tenente-coronel Aurélio Rosendo, somente entrou após a maioria dos focos ter sido dominada pelo Bope. Feridos Nove detentos acabaram feridos na invasão do Bope ao Rubens Quintella, além de um policial militar, que foi atingido por um disparo de bala de borracha no pé. Cerca de 50 presos, que estavam separados dos 300 demais, desde o último sábado, foram retirados do prédio e permaneceram pouco mais de cinco horas no pátio. Eles teriam problemas de relacionamento com os outros presos, pois 12 deles eram amigos dos detentos assassinados. Eles afirmam, ainda, que o maior motivo das rebeliões é a morosidade da Justiça. Em contrapartida, a defensora pública Idelva Pinto anunciou que a partir de hoje a Defensoria fará um mutirão para agilizar os processo dos detentos do Rubens Quintella. ?Vamos vistoriar os processos sub judice para que sejam agilizados?. Túneis e armas Após retomar o controle do Rubens Quintella, os militares realizaram uma varredura. Eles apreenderam dezenas de estiletes e pedaços de vergalhões. A reação violenta dos presos não seria para manter as armas dentro do prédio e sim impedir que a polícia localizasse dois túneis. Um deles escavado na cela de número 41 do Raio Inferior já estaria quase do lado de fora. Os comentários dos presos eram de que caso a polícia não invadisse ontem, haveria uma fuga em massa com a participação de 300 presos. Foi descoberto também um segundo túnel, que estava começando a ser escavado. A polícia não localizou as covas rasas, que foram denunciadas no último fim de semana, onde detentos poderiam estar enterrados. Um guarda de presídio comentou que não é possível ter certeza de que as covas não existem, pois ninguém sabe quantos presos continuam lá dentro. Desde o fim de semana não há chamada, e o cheiro no local é insuportável. ### Preso aponta as lideranças da rebelião Os detentos em estado mais graves foram identificados como Antônio Rodrigues da Silva Santos, 22, e Ivanildo Lopes da Silva, 25, que denunciou ter sido espancado por colegas de cela, porque queria se entregar à polícia. Foram os presos feridos que denunciaram os nomes dos líderes da rebelião. ?São Índio, Bruno, Chelo e Batoré?, revelou um preso, ressaltando que o mais radical é Índio. Inclusive, ele teria participado do assassinato dos irmãos Cristiano - que teve a cabeça degolada - e Luciano dos Santos, na última rebelião. Insegurança Os detentos denunciaram também o clima de insegurança, principalmente entre os penedenses, que hoje se resumem a doze. ?Eles querem matar a gente. Não há convívio. Se voltarmos para lá vamos morrer?, garantiu Tiago Dantas, um dos alvos do grupo de ?Índio?. Também se disseram ameaçados: Francisco Carlos, Dorgival e Marcos dos Santos. Comida vem do lixo O almoço dos presos, que chegou às 13h40, deixou claro que as reclamações têm fundamento. Chegaram caldeirões cheios de feijão, arroz, macarrão e frango, numa carroça, puxada pelo trator que transporta o lixo do sistema. No fundo da carroça havia uma mistura de lixo e comida. Zero em questão de higiene. |EF