Polícia
Lessa e PF discordam sobre investiga��o
| GILVAN FERREIRA Repórter Depois da crise aberta com o Ministério Público Estadual (MPE), quando teria pedido o afastamento dos promotores Marcus Mousinho, Karla Padilha e Alfredo Gaspar de Mendonça das investigações sobre a morte do fazendeiro Fernando Fidélis, dentro do presídio Baldomero Cavalcanti, no ultimo dia 28 de outubro, o governador Ronaldo Lessa (PDT) passou a ter problemas com a cúpula da Polícia Federal (PF). A crise teria começado quando o governador Ronaldo Lessa rompeu um acordo firmado, na terça, 22, entre o superintendente da Polícia Federal, Carlos Rogério Cotta, e o secretário de Defesa Social, Paschoal Savastano, para a participação da Polícia Civil nas investigações. Ficou acertado também a indicação do delegado Jobson Cabral para atuar junto à PF na morte de Fidélis. O nome de Jobson foi uma escolha do secretário Savastano e de Cotta. Depois da reunião, o superintendente da PF foi convidado por Lessa para um encontro no Palácio dos Martírios, quando o governador teria revelado que não tinha interesse na indicação de Jobson Cabral para apoiar as investigações da PF. O delegado Jobson Cabral - que investiga outro caso emblemático, o assassinato do pistoleiro Cícero Belém - vem sendo pressionado pela cúpula da direção da polícia civil e pelo Palácio dos Martírios, desde que decidiu convocar os deputados estaduais Cícero Ferro e Francisco Tenório para depor no inquérito que apura a morte de Belém, assassinado dentro de um carro na Avenidade Durval de Goes Monteiro, em 2 de novembro. O superintendente da Polícia Federal teria reafirmado a necessidade da presença do delegado Jobson Cabral nas investigações, já que os dois assassinatos teriam uma relação, que envolve o crime organizado e a pistolagem no Estado. A posição de Cotta criou o impasse entre a Polícia Federal, que foi autorizada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, a entrar no caso Fidélis, e a cúpula do governo de Alagoas. Até ontem à noite, a PF não tinha divulgado o nome do delegado federal que vai comandar as investigações, que estavam suspensas até ontem. Cotta recebeu o apoio do Ministério Público, que já teria indícios da ligação entre as mortes de Fernando Fidélis e de Cícero Bélem, e receava que a indicação de um outro delegado de Alagoas pudesse desviar as investigações. Ontem à noite, a Gazeta entrou em contato com o superintendente Carlos Cotta. Ele confirmou os encontros com Paschoal Savastano e com o governador Ronaldo Lessa. ?Só posso afirmar que discutimos várias questões acerca das investigações sobre a morte de Fidélis. Pode ter certeza de que assim que recebermos as orientações do ministro vamos colocá-las em prática?, disse Cotta. Já o delegado Cabral disse que estava aguardando uma definição do governador Ronaldo Lessa e da cúpula da Defesa Social sobre a sua presença ou não nas investigações - com a PF - no Caso Fidélis. ?Eu não pedi para assumir o caso e nem vou pedir para sair. O apoio da PF e do MP mostra que estou trabalhando de forma correta nas investigações. Eu posso garantir que não vou aceitar nenhum tipo de interferência?, afirmou Cabral. ### Governador pede isenção e é criticado por promotores O governador Ronaldo Lessa não quis confirmar ou negar ontem o pedido de afastamento dos promotores no Caso Fidélis. ?Não falo desse assunto. O que eu quero é a Polícia Federal investigando, e absoluta isenção do Estado de Alagoas. Quero saber quem está por trás disso tudo, quem são os mandantes, e o que está ocorrendo?, disse Lessa. Já o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, revelou que não vai afastar os promotores das investigações, como teria sugerido Lessa. Ele não confirmou ter recebido o pedido oficial para afastar os três promotores. ?Eu não recebi esse pedido de forma oficial, mas mesmo que fosse feito, não aceitaria. Os três promotores não serão afastados desse caso?, garantiu. A Associação do Ministério Público de Alagoas (Ampal) divulgou nota oficial criticando Lessa por querer o afastamento dos promotores, que foram responsáveis pela prisão do ex-secretário de Ressocialização, Valter Gama, de dois delegados, de diretores e um agente do presídio Baldomero Cavalcanti, acusados de envolvimento na morte de Fidélis. ?A Ampal manifesta seu repúdio diante das declarações proferidas pelo governador Ronaldo Lessa, publicadas no jornal Folha de São Paulo, e Gazeta de Alagoas, onde manifesta equivocado conceito sobre a atuação os membros do Ministério Público de Alagoas, na investigação do assassinato de Fidélis?, diz um dos trechos da nota.|GF e OR