Polícia
Empres�rio da noite presta depoimento
| BLEINE OLIVEIRA Repórter O empresário da noite e radialista Dênis de Melo Santos foi interrogado ontem, na 3ª Vara Especial Criminal, sobre as acusações de rufianismo (tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros), formação de quadrilha e tráfico interno de mulheres. Indiciado pela polícia, este foi o primeiro depoimento de Dênis à Justiça, após sua prisão, há um mês, quando a polícia desmontou a rede de prostituição comandada por ele. Proprietário das boates Beco?s, no Centro, e Uruguai 209, em Jaraguá, o empresário é apontado como líder do grupo que agenciava mulheres em outros estados para a exploração sexual. A maioria das 17 mulheres que aparecem no processo nº 019528-0 como vítimas é de Pernambuco e da Paraíba. O inquérito elaborado pelas delegadas Fabiana Leão e Paula Mercês, das 1ª e 2ª delegacias especializadas da Mulher, respectivamente, que comandaram a ?Operação Cinderela?, mostra que desde a instalação das duas casas noturnas, mais de 160 mulheres foram exploradas sexualmente pelo empresário Dênis Melo. Entre elas 28 alagoanas e uma uruguaia Ele foi ouvido pela juíza Ana Raquel da Silva e pela promotora Neide Camelo. O empresário não quis falar sobre as acusações, sob a alegação de que está à disposição da Justiça. ?Não posso falar nada?, repetiu Dênis Melo, diante da insistência dos repórteres para saber quais os argumentos que apresenta em sua defesa. Longo interrogatório Desde sua prisão, Dênis tem se recusado a fazer declarações sobre a Operação Cinderela, da qual foi o principal alvo. Ele foi o primeiro a depor, e seu interrogatório demorou 2h30. Acompanhado pelo advogado Darlan C. Matias, o empresário foi indiciado pela prática dos crimes previstos do artigo 215 ao 234, do Código Penal Brasileiro. Em vários deles as penas variam de um a quatro anos. O dono das casas noturnas Beco?s e Uruguai 209 está preso na sede do Tático Integrado de Grupamento de Resgate Epecial (Tigre), no bairro do Farol, para onde foi conduzido sem falar com os familiares, que aguardavam o fim do interrogatório. Logo após ouvir Dênis Melo, a juíza Ana Raquel iniciou o interrogatório de Girlene Maria dos Santos, mulher do empresário, que também está presa. O advogado dela, Valter José Vieira Calazans, disse que há excesso nas acusações contra sua cliente. ?A acusação de tráfico de pessoas absorve todas as demais?, argumenta Valter Calazans. Ele não explicou qual o argumento que vai usar para defender Girlene da acusação de falsidade ideológica. Quando foi presa ela usou o nome de Girlane, o mesmo que utilizou para abrir a empresa GSSilva, que organizava os shows nas duas boates. Como resultado da Operação Cinderela, deflagrada na madrugada do dia 8 de outubro deste ano, oito pessoas ligadas a Dênis Melo foram indiciadas, entre elas a filha do empresário, Janaína Amélia de Melo Borges. Francisco Geraldo dos Santos, proprietário das boates Cocktail Clube, em Cruz das Almas, e Xalaco?s, no Jacintinho, também foi indiciado.