Polícia
Megaopera��o apreende motores, carca�a e placas
| MÁRIO LIMA Editor de Cidades A Polícia Civil continua hoje a Operação Desmanche, iniciada ontem pela manhã, contra ferros-velhos e lojas de peças usadas e acessórios, suspeitas de negócios escusos, como compra e venda de carros e motos furtados e roubados, e desmanche clandestino. Logo pela manhã, em uma operação que concentrou mais de 100 policiais militares e civis - comandados por 30 delegados - as equipes deixaram a Academia de Polícia Civil, no Pontal da Barra, e fizeram flagrantes em toda a Maceió, garantidos com mandados de busca e apreensão. A Gazeta apurou que pode ter havido vazamento de informações sobre a operação, já que para chegar à rede de lojas suspeitas a polícia teve de esperar quase 60 dias, desde que a ação foi planejada, para obtenção, na Justiça, dos 37 mandados de busca e apreensão. Balanço parcial Somente hoje a polícia deve divulgar o balanço conclusivo sobre prisões, apreensões e embargos, mas, de acordo com o diretor da Polícia Civil, Roberto Lisboa, até o início da noite havia pelo menos quatro donos de ferro-velho presos em flagrante, sendo que 16 motores de motocicleta com numeração adulterada e uma carcaça de carro igualmente de procedência irregular foram apreendidos. O objetivo da operação, de acordo com o delegado que comandou as ações, Carlos Alberto Reis, é tentar coibir o crescimento de roubos e furtos de automóveis e a propagação de quadrilhas que ?esquentam? veículos. Nos flagrantes foram feitas também apreensões de placas de veículos e de documentos de carros e motos roubados. ### Mais de mil carros roubados em 2005 FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Comandada pelo delegado de Roubos e Furtos de Veículos, Carlos Alberto Reis, a ?Operação Desmanche? vinha sendo planejada há 60 dias. Segundo Carlos Alberto, diante do aumento do número de roubos e furtos de veículos em Maceió, tornou-se necessário realizar a operação. O próprio argumento usado na Representação Criminal dirigida ao juiz Maurício Breda, que expediu os mandados de busca e apreensão, aponta números precupantes. Desde o início do ano foram registrados 1.009 roubos e furtos de veículos em todo o Estado. Em 2004 foram apenas 267 em todo o ano. missão secreta A maior parte do contingente de policiais civis e militares que participaram da operação só tomou conhecimento do objetivo da missão minutos antes de ser ela ser iniciada. O ponto de encontro de todas as equipes foi a Academia de Polícia Civil. Numa rápida reunião, que durou pouco mais de meia hora, quando foram entregues os mandados às equipes, o diretor-geral-adjunto da Polícia Civil, Roberto Lisboa, e o delegado Carlos Alberto Reis deram as instruções sobre a estratégia da operação. Por volta das 9 horas, as 30 equipes, comandadas cada uma por um delegado, deixaram a Academia da Polícia Civil para fazer cumprir os mandados. Adulteração De acordo com Alberto Reis, a maioria dos donos de ferros-velhos e de lojas de autopeças flagrados com mercadorias adulteradas alega que comprou em outros estados e que possui as notas fiscais. Alberto Reis disse que os comerciantess presos em flagrantes serão enquadrados no artigo 311 do Código Penal, por adulteração ou remarcação de chassis, acessórios e equipamentos sem a devida autorização do órgão competente. Eles podem pegar uma pena que vai de três a oito anos de prisão. O perito criminal Nivaldo Cantuária disse que os números de série dos motores, chassis e caixas de câmbio são adulterados para dificultar a identificação dos veículos, já que muitos são roubados. Ele explicou que em alguns casos é possível saber a procedência do veículo mesmo com o número de série raspado. ?Em vários encontros tem sido proposto às montadoras a colocação desses números de série em outros pontos do veículo, para facilitar a identificação e dificultar os desmanches?, afirmou o perito Cantuária. Segundo a polícia, no final de tarde de ontem a maioria dos 37 mandados de busca e apreensão expedidos pelo juiz Maurício Brêda tinha sido cumprida pela operação. ### Nos ferros-velhos, prisões e interdições Somente na loja ?O Motokeiro?, no bairro de Santa Lúcia, foram apreendidos 12 motores de motos com o número de série raspado. João Silva, que se apresentou como responsável pela loja, foi preso em flagrante e levado para a Delegacia de Roubos e Furtos. Ele alegou que os motores foram comprados em São Paulo, mas não apresentou as notas fiscais de compra da mercadoria. Na loja, havia outras dezenas de motores embalados em caixas de papelão, cuja procedência seria analisada pela polícia. O primeiro a ser preso na operação foi o dono de uma oficina e lojas de peças de motos na Vila Brejal. Joselito da Silva foi preso em flagrante depois de ter sido encontrado um motor de moto Honda com o número de série pinado (riscado com pinos). O desempregado Nilson Mendonça acabou também sendo detido e levado para a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos, quando chegava para vender no local a carcaça de uma moto Honda Bizz. Ele disse que tinha recebido a peça de um homem chamado Geraldo, que teria batido com a moto. ?Eu estava sem dinheiro e ele me deu a peça para vender?. Segundo Nilson, era a primeira vez que ele ia à loja de Joselito. Peças de leilão Na Avenida Menino Marcelo, no bairro da Serraria, o dono da loja WC Autopeças, Camucé dos Santos Lins, foi preso também em flagrante por causa de uma caixa de marcha com o número de série adulterado. Camucé alegou que a peça fazia parte de um conjunto de 27 sucatas que teria comprado em um leilão feito pelo Detran há mais de seis meses. Ele apresentou uma nota da Agência de Leilões Freire para comprovar a compra da sucata. Mas a nota não fazia a discriminação das peças arrematadas no leilão. Camucé também é dono da Loja Nivalda Autopeças, localizada na Avenida Durval de Góis Monteiro, que estava ameaçada de ser lacrada pela Secretaria da Fazenda. A loja não possuía Cadastro de Pessoa Jurídica (CNPJ) e foram encontradas várias peças de veículos sem nota fiscal. Placas de carros Num ferro-velho do Clima Bom os policiais encontraram placas de veículos de várias cidades como Garanhus (PE), São Paulo e Brasília. ?Como as placas estão com os documentos dos veículos, vamos averiguar a procedência deles?, explicou o delegado que comandava a operação, Carlos Alberto Reis. O dono do ferro-velho, José Nilson Correia de Sousa, tentou deixar o local quando percebeu a chegada da polícia. Ele alegou que as placas eram das sucatas dos veículos que estavam no ferro-velho. ?A gente tem que ter as placas para saber de onde os veículos vieram?, afirmou Nilson. ### Tradicional rua de desmanche vira surpresa EDNELSON FEITOSA Repórter Os ferros-velhos da Rua Cabo Reis, que chama a atenção pelo grande número de estabelecimentos num trecho de pouco mais de 500 metros, também foram alvo da Operação Desmanche. Dos cinco que tiveram mandado de busca e apreensão da Justiça, apenas um apresentou irregularidades, diferentemente do que ocorreu em 1998, quando 95% dos locais de venda de peças de veículos usados foram fechados e os proprietários indiciados em inquérito por envolvimento na chamada gangue fardada. O delegado Rubem Natário, que deu cumprimento ao mandado contra o Ferro-velho Cabo Reis, informou ter encontrado partes de lataria de Fiesta, Ka, Escort e até de Vectra no local. ?Há indícios de adulteração e vamos autuar o proprietário?, informou ele. O comerciante, que não quis se identificar, declarou que o material apreendido pela polícia estava no local desde a gestão do proprietário anterior. ?Quando comprei o estabelecimento, estas peças já estavam aqui?, alegou ele. O delegado mandou recolher ao depósito da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos o material com indícios de adulteração, inclusive um motor. ?Tudo será investigado?, garantiu Natário. O delegado Rodrigo Cavalcante fez vistoria na Berto Autopeças e recolheu numeração de chassis para investigar se existe baixa no Renavan. Ele adotou procedimento semelhante no BP Ferro-velho, onde havia carcaças de quatro veículos. ?Eu compro os veículos batidos para retirar peças. No entanto, a maioria eu uso na oficina, pois sou mecânico?, declarou Elpídio de Oliveira Thomaz. ?Eles podem fiscalizar como quiserem, pois eu ando certo?, destacou.