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Pol�cia j� tem suspeita sobre mandantes

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BLEINE OLIVEIRA Repórter Atalaia - A polícia já tem nomes de suspeitos de serem os mandantes do assassinato de Jaelson Melquíades dos Santos, 27, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), no município de Atalaia, a 68 km de Maceió. Ao afirmar que ?a linha principal da investigação é que tenha sido um crime de pistolagem em decorrência do conflito agrário?, o delegado do município, Gilson Rego dos Santos, admitiu ter nomes de fazendeiros e posseiros da região que serão investigados como suspeitos. Ontem, ele ouviu depoimentos de oito trabalhadores rurais que conviviam com Jailson e que estiveram com ele na última terça-feira, 29, dia em que foi assassinado. Eles começaram a depor de manhã, e até o início da noite mais da metade ainda esperava para ser ouvida. modus operandi As informações dos sem-terra serão decisivas na apuração do crime e o próprio delegado admite que sua investigação será baseada principalmente nos fatos relatados por eles. De acordo com o andamento da investigação, revela, poderá solicitar a prisão preventiva dos suspeitos. O delegado fez referência ao modus operandi, ou seja, à forma como os assassinos agiram, como sinal de que o dirigente do MST foi morto por pistoleiros. Jaelson foi alvejado com cinco tiros disparados por dois homens numa motocicleta. Ele trafegava pela estrada de acesso ao assentamento onde reside quando a moto que dirigia apresentou problemas mecânicos e parou de funcionar. Ele então estacionou ao lado de uma árvore e tentou fazê-la funcionar, mas antes que conseguisse foi assassinado. ?CONSÓRCIO? DA MORTE Entre os trabalhadores circula a informação de que o crime seria parte de um plano montado por fazendeiros e posseiros para matar cinco líderes sem-terra. O histórico da reforma agrária na região de Atalaia revela que desde a primeira ocupação, em meados de 1997, os latifundiários nunca se conformaram com a presença e as conquistas do movimento. O ?consórcio? da morte, segundo informações que circulam nos acampamentos e na cidade de Atalaia, seria formado, entre outros, pelos fazendeiros Pedro Batista e Maurício Tenório. Indagado sobre os indícios contra essas duas pessoas, o delegado Gilson Rego evitou fazer comentários, sob o argumento de que seria prematuro revelar os nomes dos suspeitos. ?Não nego e não confirmo. O trabalho de investigação é que vai revelar quem são os mandantes. Por meio deles vamos chegar aos executores?, disse ele. Outro argumento do delegado é que, por se tratar de um crime de repercussão, inclusive nacional, terá de agir com cuidado e rigor. Ele admite que há risco de uma reação dos trabalhadores, que cobram a punição dos culpados, mas avalia que as lideranças do MST com quem já conversou ?sentem que a polícia está empenhada?. O delegado Gilson Rego deixou claro que não tem compromisso com grupos e nem interesse em proteger quem quer que seja. ### Ouvidor nacional vai hoje a Atalaia O clima é de aparente tranqüilidade nos acampamentos e assentamentos do MST que estavam sob o comando de Jaelson Melquíades ?É bom que esteja assim?, disse José Carlos da Silva, da coordenação estadual, ontem, na calçada da delegacia, enquanto esperava pelos companheiros. Ele não quis falar sobre ações que os trabalhadores possam a vir a desenvolver caso haja sinais de que o crime pode ficar impune. ?Não é hora de falar disso. Vamos esperar?, acrescentou José Carlos. A mãe do dirigente sem-terra assassinado, Margarida Francisco dos Santos, já prestou depoimento à polícia mas, segundo o delegado Gilson Rego, deverá voltar à delegacia para ser ouvida novamente. Ainda em estado de choque ela lembrou o filho como ?um rapaz lutador, inteligente, uma liderança que vinha conseguindo melhorar a vida do povo pobre?. AMEAÇAS HISTÓRICAS Na avaliação da mãe, Jaelson foi morto por sua atividade como dirigente do MST. ?Não há outro motivo. Meu filho não tinha inimizades?, disse Margarida. Ao lembrar que as ameaças aos trabalhadores são históricas, ou seja, vêem sendo feitas desde que chegaram à região de Atalaia, a mãe afirma ?que os fazendeiros nunca se conformaram em ver a gente conquistar um pedaço de terra?. O trabalho de seu filho, ressalta Margarida, que é coordenadora dos assentamentos São Luiz, Timbozinho e Flor da Terra, era organizar os trabalhadores e conscientizá-los sobre a importância de ?amar e valorizar a terra como parte da sua vida?. Para ela, não foi a luta pela reforma agrária que matou seu filho, mas os latinfundiários, ?aqueles que nos exploram?. Aos 47 anos, ela diz que o assassinato de Jaelson, que tem mais três irmãos, não vai fazê-la desistir do trabalho no movimento. ?Estamos ainda mais dispostos e unidos por essa causa?, acrescenta Margarida Francisco, que promete cobrar a identificação e punição para os matadores de seu filho. Ouvidor em Atalaia Uma comissão composta por autoridades dos poderes Executivo e Judiciário, e lideranças dos movimentos do campo visitam hoje a comunidade em que residia Jaelson dos Santos. A visita será às 8h e contará com a presença do promotor de Minas Gerais e membro da Comissão de Combate à Violência no Campo, Afonso Henrique, além de membros do governo do Estado e do Ministério Público Estadual. Na oportunidade, a comissão se deslocará até a Delegacia de Polícia do município e à sede do Ministério Público Estadual para acompanhar o andamento das investigações e reforçar seu compromisso com a elucidação do crime. |BL ### MP terá promotoria de conflito agrário MARCOS RODRIGUES Repórter A morte do líder sem-terra Jaelson Melquíades dos Santos, na última terça-feira, serviu para despertar as atenções do Ministério do Desenvolvimento Agrário para a crise em Alagoas. Ontem, depois de três horas de reunião, os representantes dos movimentos agrários ouviram do ouvidor agrário nacional, Gersino Silva, a promessa de criação de uma Ouvidoria Federal e uma Delegacia de Federal Agrária. ?Será um processo que se iniciará a partir de janeiro e que contará com recursos da Ouvidoria Nacional?, adiantou Gersino Participaram da reunião o Ministério Público Estadual, governo do Estado e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O Estado também criará uma Delegacia Agrária Estadual, a fim de tratar dos conflitos ligados à reforma agrária com uma liguagem diferente da policial. ?No momento, todos os encaminhamentos sobre o tema são abordados apenas como questões policiais?, comentou o ouvidor Gersino. O objetivo é a aplicação do Direito Agrário para a mediação dos conflitos e não o Direito Civil, como hoje ocorre. Mesmo com essa possibilidade de avanço nas questões da terra, o próprio ouvidor reconheceu que a burocracia ainda é o maior entrave para a conclusão de qualquer processo de desapropriação. Gersino admitiu, ainda, que isso também motiva o tensionamento no campo, entre trabalhadores e fazendeiros. Segundo o ouvidor, dentro do próprio Incra os processos de notificação, por exemplo, demandam tempo, o que acaba por provocar a radicalização dos movimentos sociais. Em sua avaliação, a demora nas conclusões impede o órgão de cumprir as metas preestabelecidas pelo governo federal. Procuradoria O procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, disse que o Ministério Público alagoano terá uma promotoria especializada em conflitos no campo. Ele disse que o MP estadual está passando por reformulações em sua legislação que possibilitarão a implantação de mais essa especialidade. ?Com certeza nós vamos criar essa promotoria, pois há demanda no Estado para isso?, confirmou Coaracy. Experiência A experiência que Alagoas só conhecerá no próximo ano já existe em Minas Gerais, desde 2001. Um de seus criadores, o promotor Henrique Afonso, confirmou a eficácia do trabalho de ?mediação? que é feito no Estado. Para os líderes dos trabalhadores, as novidades são bem-vindas, mas não refletem a totalidade da ?luta? dos sem-terra. Segundo o líder do Movimento dos Sem Terra (MST), José Roberto, o problema não é apenas a lentidão da Justiça. ?O problema maior é a impunidade?, destacou. Os movimentos queriam que uma força-tarefa federal assumisse a investigação da morte de José Melquíades. Isso não acontecerá. Mas a Polícia Federal vai acompanhar o caso.|MR

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