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Ouvidor quer a PF na apura��o de crime

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Atalaia - O ouvidor agrário nacional, Gersino Silva, disse ontem que vai pedir ações concretas das polícias Civil e Federal para instauração de inquéritos que apurem as ameaças de morte contra trabalhadores rurais sem-terra feitas por fazendeiros e posseiros no município de Atalaia. Gersino e o procurador de Justiça de Minas Gerais, Afonso Henrique - membro da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo - estiveram ontem de manhã nos acampamentos São Sebastião e Genival Moura, localizados na área da antiga Usina Ouricuri, região onde foi assassinado na terça-feira, 29, o coordenador do Movimento dos Sem-Terra (MST), Jaelson Melquíades dos Santos, atingido com cinco tiros na cabeça. Nos relatos dos trabalhadores sem-terra às autoridades federais, os posseiros Pedro Batista, Maurício Tenório e Jorge Matias foram apontados como pessoas acostumadas a fazer ameaças ao sem-terra, com o uso de milícias armadas e que teriam tido alguns atritos com Jaelson. No acampamento Genival Moura, os próprios sem-terra tomaram, há alguns dias, de empregados dos fazendeiros que rondavam a área, três armas (uma espingarda, um revólver calibre 38 e uma soca-tempero). As armas foram entregues ontem ao delegado municipal de Atalaia, Gilson Rêgo. A mãe de um dos militantes sem-terra ameaçados teria atendido um telefonema em um orelhão, no qual uma pessoa dizia que ?um já se foi e ainda vão mais quatro?. Ela também denunciou ao ouvidor a fuga, esta semana, do gerente de fazenda conhecido como Heleno, empregado de Pedro Batista, que constantemente fazia ameaças aos sem-terra. Depois da morte de Jaelson, o clima de medo está estampado no rosto dos mais de 5 mil trabalhadores rurais que estão espalhados por mais de cinco acampamentos nas terras da Usina Ouricuri. O trabalhador rural José Miguel dos Santos, do acampamento São Sebastião, disse que desde a morte do líder do MST não houve nenhum reforço na segurança. Formação de quadrilha O procurador de Justiça Afonso Henrique enfatizou que é preciso que os trabalhadores rurais formalizem na polícia ou no Ministério Público todas as ameaças feitas pelos posseiros da região para que possa ser configurado o crime de formação de quadrilha. ?É preciso que se faça a ocorrência policial de cada fato que ocorra, para que esse criminosos possam ser processados por formação de quadrilha?. Depois de ouvir relatos dos trabalhadores sem-terra, que se sentem ainda mais inseguros depois da morte do coordenador do MST, o ouvidor agrário Gersino Silva disse que a situação na região é muito preocupante. Ele disse que vai solicitar às policiais Civil e Militar medidas preventivas para garantir a segurança nos acampamentos e também a participação da Polícia Federal, já que compete à ela observar a legalidade do porte de armas por pessoas que estão fazendo ameaças aos sem-terra. ?Alguns fazendeiros da região estão ameaçando os trabalhadores rurais com auxílio de empregados armados?. Ficou acertado também que a Polícia Militar alagoana fará ronda ostensivas diárias na região. ### Ouvidoria nacional investiga pistolagem Depois da visita aos acampamentos, Gersino reuniu-se com os delegados municipal e regional de Atalaia, Gilson Rêgo e Kátia Emanuelle, e pediu empenho para identificar os mandantes e os autores do assassinato de Jaelson. Gilson Rêgo disse que cinco trabalhadores sem-terra já foram ouvidos, mas ressaltou que não pode adiantar se há o envolvimento de fazendeiros da região na morte do coordenador do MST. ?Estamos checando essas informações por meio dos depoimentos que já foram dados?. O procurador Afonso Henrique disse que não vê necessidade de uma força-tarefa para investigar a morte do líder do MST. Segundo ele, a Polícia Civil do Estado tem mostrado empenho em esclarecer o crime e apontar os envolvidos no assassinato de Jaelson. Gersino se reuniu também com o juiz da comarca de Atalaia, Mirandir César de Lima, e a promotoria do município para pedir também empenho na apuração das denúncias. Até o dia 20 de dezembro, a Ouvidoria Agrária Nacional vai realizar uma audiência pública no município de Atalaia, para discutir os conflitos agrários na região. Gersino Silva anunciou, ainda, que a partir do dia 10 de janeiro seis ouvidores agrários da Ouvidoria Agrária Nacional virão para Alagoas fazer um levantamento e ouvir trabalhadores rurais sem-terra de assentamentos e acampamentos de todo o Estado sobre denúncias contra desrespeitos aos direitos humanos e crimes de pistolagem. ?Queremos obter dados reais para solicitar das autoridades medidas preventivas para evitar novas mortes no campo?. Segundo ele, Alagoas, Pernambuco, Mato Grosso, Rondônia e Pará estão entre os estados com maior número de conflitos. Na próxima segunda-feira, os movimentos sociais sem-terra vão realizar um ato em Atalaia, durante a missa de 7º dia pela morte de Jaelson Melquíades. Devido ao clima de insegurança que ronda os acampamentos, o coordenador do MST, José Roberto, pediu aos trabalhadores sem-terra que procurem andar sempre em grupo. ?Não vamos fugir , nem vamos nos esconder. Vamos continuar lutando contra o latifundiários?. |FAS

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