Polícia
Acusados de pagar pistoleiros v�o depor
BLEINE OLIVEIRA Repórter Atalaia - A mãe, um irmão e a esposa de Jaelson Melquíades dos Santos, 27, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), assassinado há uma semana, em Atalaia, a 68 km de Maceió, além de um assentado, voltam hoje à delegacia do município para falar sobre fatos que possam esclarecer a autoria do crime. O delegado Gilson Rêgo Sousa, que preside o inquérito, continua evitando revelar informações sobre as investigações que realiza desde o assassinato, mas adiantou, ontem, que ainda esta semana deverá convocar para depor duas pessoas cujos nomes foram apontados como suspeitos de terem contratado pistoleiros para executar Jaelson. Suspeitos Mais uma vez ele se recusou a citar os nomes desses suspeitos e a informar se, após interrogá-los, pedirá ou não a prisão preventiva deles. ?As investigações estão adiantadas e ainda esta semana tomarei decisões importantes?, disse o delegado, admitindo que, no depoimento dos suspeitos, pode obter informações sobre outros nomes de pessoas que possam estar envolvidas no assassinato do líder sem-terra. Enquanto o delegado evita divulgar fatos relativos ao inquérito, as lideranças dos quatro movimentos que lutam pela implantação da reforma agrária em Alagoas se juntaram para impedir que o assassinato de Jaelson Melquíades fique impune. ?Não vamos nos calar enquanto os culpados não forem presos?, disse o coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Carlos Lima, que participou, ontem, em Atalaia, da missa do sétimo dia da morte do dirigente do MST. O rito católico que marca o sétimo dia da morte de um cristão transformou-se num ato político no qual centenas de trabalhadores, acampados e assentados, pediram justiça ?para mais uma vítima do latifúndio?. Jaelson foi o terceiro dirigente do MST assassinado em Atalaia. O movimento cobra também a punição dos mandantes e executores de Chico do Sindicato e Lenilson. ### Missa do 7º dia vira ato contra a impunidade Centenas de trabalhadores caminharam por cerca de três quilômetros até chegar à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, no Centro de Atalaia, onde, com cantos e de punhos erguidos, lembraram a morte violenta de Jaelson Melquíades. Entre eles estavam à mãe, Margarida Francisco dos Santos, irmãos e a esposa, Maria do Rosário dos Santos. No altar foram estendidas faixas pedindo a apuração do crime e bandeiras do MST, CPT, MLST e MTL. ACAMPAMENTO JAELSON As faixas e o canto dos sem-terra deixam claro que a polícia terá que investigar com celeridade o assassinato. De punhos erguidos, mulheres e homens entoavam músicas com letras bastante significativas. ?Enquanto o latifúndio tá querendo fazer guerra, estamos acampados com facão, foice e machado para trabalhar na terra?, cantaram trabalhadores de dezenas de assentamentos e acampamentos. Boa parte era formada por gente do acampamento Triunfo, agora denominado Jaelson, em homenagem ao jovem assassinado. ?Enquanto ninguém for preso, vamos continuar realizando manifestações no campo e na cidade?, anunciou José Carlos dos Santos, um dos coordenadores estaduais do MST. Segundo ele, no próximo dia 15, os trabalhadores estarão em Maceió participando de um ato denominado ?Campo e cidade contra a violência e pelo fim da impunidade?. |BL