Polícia
MP denuncia ex-diretores e detento
| GILVAN FERREIRA E FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórteres Os promotores Marcus Mousinho, Karla Padilha e Alfredo Gaspar de Mendonça encaminharam ontem ao juiz da 8ª Vara Criminal, José Braga Neto, a denúncia contra os ex-diretores do presídio Baldomero Cavalcanti, Jair Macário, e José Jorge de Oliveira e o detento Edson dos Santos, o ?Pé de Cobra?, que agora passam a ser réus. Eles são acusados, respectivamente, de autores intelectuais e material do assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis, que ocorreu no último dia 28 de outubro, dentro do presídio Baldomero Cavalcanti. No relatório, os promotores denunciam Macário, Jorge e Pé de Cobra por homicídio qualificado, diante recompensa, e surpresa - Fidélis não teve condições de se defender. Se condenados, os três acusados podem cumprir de 12 a 30 anos de prisão. Segundo os promotores, as investigações sobre o assassinato de Fernando Fidélis vão continuar, por intermédio de autos suplementares. Eles não descartaram a possibilidade de denunciar outros envolvidos no crime. O ex-secretário de Ressocialização, Valter Gama; o ex-diretor do Baldomero Cavalcanti, Mário Jorge, e o agente penitenciário Cristiano Ferreira não foram citados na denúncia. Mário Jorge Bezerra deixou ontem a carceragem da Polícia Federal, depois de 20 dias preso. Na saída, Mário Jorge sugeriu que iria tentar recuperar o cargo em comissão de Diretor de Disciplina do Baldomero, que perdeu devido à prisão. Mário Jorge nega sua partipação na morte de Fidélis. Habeas-CORPUS POLÊMICO A desembargadora Elizabeth Carvalho Nascimento criticou ontem a postura do procurador-geral de Justiça, Coaracy da Mata Fonseca. As críticas da desembargadora ocorreram durante o julgamento dos habeas-corpus do ex-secretário de Ressocialização Valter Gama e do ex-diretor do presídio Baldomero Cavalcanti, Jair Macário, acusados de envolvimento no assassinato do fazendeiro Fernando Fidélis. O procurador Coaracy da Mata Fonseca foi contra a decisão dos promotores Marcus Mousinho, Alfredo Gaspar de Mendonça e Karla Padilha, que pediram a decretação da prisão dos acusados. A desembargadora aproveitou o seu voto [favorável à prisão de Gama e Macário] para criticar a postura ?parcial? do procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, que foi indicado para o cargo pelo governador Ronaldo Lessa, que vem criticando os promotores por terem pedido a prisão do ex-secretário de Ressocialização. ?Se eu fosse um dos promotores que atuam no caso eu me afastaria caso recebesse esse ?estímulo? do procurador- geral de Justiça?, disse Elizabeth Nascimento. O procurador Coaracy Fonseca rebateu as críticas da desembargadora e disse que a sua decisão estava baseada em dados técnicos e jurídicos. ?Eu quero deixar claro a independência do Ministério Público, não aceito esse tipo de acusação, pois estou agindo de forma técnica e jurídica?, rebateu Coaracy. No final da sessão, por 6 votos a 1, os desembargadores decidiram manter a concessão do habeas-corpus ao ex-secretário de Ressocialização, Valter Gama, e ao ex-diretor Jair Macário.