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Sobrinho foragido de bicheiro se entrega

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REGINA CARVALHO Repórter Murici - Foragido há quase cinco meses, Fausto Cardoso Batista Neto, 18 anos, o ?Faustinho?, acusado de assassinar a menor Juliana Cassiano da Silva em abril deste ano, entregou-se ontem à polícia. O clima ficou tenso no fórum de Murici. Parentes da vítima e moradores da cidade aguardavam a apresentação do acusado, que chegou numa viatura da Polícia Civil, escoltado por três agentes e com o advogado Raimundo Palmeira. aviso do tio bicheiro Antes de chegar ao fórum, onde foi interrogado por aproximadamente uma hora e meia pela juíza Aída Cristina Antunes, Faustinho passou na delegacia de Murici. O tio do acusado, o bicheiro Plínio Batista, avisou a imprensa que ele chegaria em poucos minutos para ser interrogado. Enquanto isso, parentes de Juliana aguardavam a apresentação de Faustinho. Mãe da vítima Acompanhando de perto toda a movimentação, a mãe da vítima, Cícera Cassiano da Silva, passou mal e teve de ser encaminhada ao hospital. Depois de medicada, ela retornou ao fórum para esperar a saída do acusado de assassinar sua filha. ?Quero ver a cara dele, porque não conheço. Me revolta porque ele não veio algemado, como outros bandidos. Deveria ter vindo, já que é um assassino. Não me conformo com a morte da minha filha, por isso não estou aliviada com a prisão dele?, lamentou a dona-de-casa Cícera Cassiano. A prisão de Faustinho chamou a atenção de curiosos que se aglomeraram defronte do fórum para ver o acusado. O primo de Juliana, José Firmino, disse que está satisfeito porque a Justiça foi feita. ?Ele pode até ser solto hoje mesmo. Já valeu a pena?, declarou. O advogado Raimundo Palmeira informou que irá provar a inocência do seu cliente, até a conclusão do processo. ?Vou começar a articular a defesa. Estive pessoalmente na delegacia para ver a situação. Trata-se de um jovem de apenas 18 anos e não seria bom para ele ir para um presídio?, ressaltou. Segundo informações de moradores, na última segunda-feira Faustinho dormiu na cidade. Na saída do fórum, Faustinho conversou rapidamente com a imprensa. Muito emocionado e chorando, ele negou a acusação, mas confirmou que esteve com Juliana no mesmo bar, no dia em que ela desapareceu. ?Sou inocente. Não sei quem matou?, disse. Enquanto isso, parentes da vítima se aproximavam da viatura, mas não houve confronto. ### Envolvida no assassinato está sumida O delegado Élvio Alves Brasil, que presidiu o inquérito sobre a morte de Juliana, informou que soube que Faustinho estava no Rio de Janeiro e que, pouco tempo antes de se entregar, o acusado teria ido para Aracaju (SE). Ele confirmou que a permanência de Faustinho na delegacia de Murici foi uma determinação da juíza Aída Cristina Antunes. ?Ele ficará aqui, à disposição da Justiça?, ressaltou Élvio Alves. Ele confirmou que, por enquanto, o acusado ficará sozinho numa cela, mas que se chegarem mais presos, Faustinho será obrigado a dividir o mesmo espaço. O pedido para permanência do acusado na delegacia foi feito pelo advogado Raimundo Palmeira, que alegou a situação de insegurança dos presídios. Foragida A amiga de Juliana, Rita de Cássia dos Santos, citada como uma das responsáveis pelo crime, continua foragida. A polícia ainda não tem pistas da acusada. O outro apontado no inquérito de quase 400 páginas, Jadson Cansanção Silva, que é amigo de Faustinho, ficou detido por alguns dias no presídio Cirydião Durval, mas atualmente responde a processo em liberdade. Faustinho, Rita e Jadson tiveram a prisão decretada há quase cinco meses pela juíza Aída Antunes. O corpo de Juliana foi encontrado boiando às margens do Rio Mundaú com sinais de espancamento e estupro, dois dias após seu desaparecimento, em 10 de abril deste ano. De acordo com informações da polícia, a menor saiu de casa com Rita de Cássia e foi vista num bar, localizado em um bairro pobre de Murici, na companhia de Faustinho e Jadson, e que depois teria saído com os dois. Os levantamentos feitos pela polícia na época esclareciam que Juliana estava muito embriagada e teria sido empurrada pela Rita para dentro do veículo de Faustinho. O acusado é filho do ex-vereador Fausto Cardoso. Os parentes de Juliana, que por várias vezes fizeram manifestações pedindo justiça, ontem, questionavam por quanto tempo Fausto ficará na cadeia. Idas e vindas Faustinho iria se entregar na quinta-feira da semana passada, como a Gazeta revelou. O advogado Raimundo Palmeira chegou a ir ao fórum para negociar a apresentação de seu cliente à juíza Aida Antunes. A magistrada, porém, disse não poder receber o então foragido porque estava no meio de audiência e com outras pela frente. Segundo o advogado Palmeira, quando foi ao fórum na quinta-feira, Faustinho estava a três quilômetros de Murici à espera do sinal positivo para se entregar. Como não houve acordo com a juíza, foi marcada a data de ontem para a apresentação, como a Gazeta também antecipou na sexta-feira. |RC ### Família diz que enfrenta ameaças Irmãos, primos, tios e a mãe de Juliana permaneceram durante todo o tempo em frente ao fórum de Murici. Algumas vezes chegavam a declarar que estariam prontos para enfrentar qualquer tipo de problema ao defender a prisão do acusado, principalmente desafiando poderosos do município. ?Sou tão homem quanto eles?, gritava um tio de Juliana, fazendo referência a supostas ameaças para que ficassem calados. Mesmo quase oito meses depois do assassinato, Cícera Cassiano da Silva, mãe da adolescente, diz que lembra todos os dias da filha. ?Quiseram falar mal da minha filha na cidade. Isso eu não aceito. Logo ela que era tão boa com todos de casa?, ressaltou a dona-de-casa. Pobre, Juliana ajudava a mãe na fabricação de fogos de artifício. TranqÜIlizantes Desde que foi assassinada, parentes da vítima informaram à polícia que Rita de Cássia saberia muito sobre o crime. Durante depoimento, ela negou envolvimento na morte. Depois de tomar tranqüilizantes no hospital da cidade, Cícera retornou ao fórum. Disse que não voltaria para casa antes de ver, segundo ela, a pessoa que assassinou sua filha. ?Quero ver a cara dele?, dizia. O próximo passo no processo serão os depoimentos de testemunhas de acusação e defesa, que começarão a acontecer nos próximos dias. O advogado Raimundo Palmeira informou que já conta com depoimento favoráveis a Faustinho. ?Vou começar a articular a defesa e produzir provas?, relatou. Desde a primeira vez que foi ouvido pelo então delegado Robson Coutinho, no mês de abril, o acusado nega ter sido o responsável pela morte de Juliana. Fórum Durante o período em que Faustinho estava sendo interrogado, o tio dele, Plínio Batista, foi pelo menos três vezes ao fórum. Em uma delas, conversou por alguns minutos com o promotor de Justiça Napoleão Franco. A chegada da imprensa no local provocou a reação de funcionários e policiais que atuam no fórum. Alguns deles chegaram a comentar que Faustinho somente se entregaria com a saída da imprensa. Entretanto o advogado teria se comprometido com a juíza, na última quinta-feira, que apresentaria seu cliente ontem. LINHA DIRETA A reportagem também apurou que a família de Faustinho decidiu por sua apresentação após saber que o assassinato de Juliana seria tema do programa Linha Direta da TV Globo. Uma equipe do programa tem viagem programada para começo de janeiro. Com a apresentação, Faustinho evita aparecer no programa como um foragido. O objetivo maior do gesto, no entanto, seria provocar o cancelamento do programa, uma vez que não haveria um suspeito para mostrar como foragido. Mas isso Faustinho não conseguiu. Até ontem, o Linha Direta em Murici estava mantido. |RC

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