Polícia
Preso vereador acusado de assassinato
| CARLA SERQUEIRA Repórter Atalaia - O vereador mais votado de Atalaia nas últimas eleições, Gilvânio Soares de Oliveira, 37, foi preso ontem em Atalaia, acusado de ter mandado matar os irmãos evangélicos Elizafan Almeida de Lima, 39 anos, e Eliane Almeida, 41, no dia 29 de agosto deste ano. Os corpos das vítimas foram encontrados dois dias depois, amarrados, mutilados e com perfuração de balas, no canavial da Fazenda Gavião. A polícia prendeu o vereador - que se diz evangélico - num clube da cidade, durante uma confraternização de Natal. A suspeita de sua participação no assassinato aumentou depois que José Sotero da Silva Filho, o ?Lele?, foi preso em Osasco, interior de São Paulo, na última terça-feira, dia 6. ?Conseguimos localizá-lo por meio da quebra de sigilo telefônico de alguns familiares dele?, afirmou o delegado Gilson Rêgo Souza. Lele foi apontado por outros dois homens que confessaram o crime: Cícero dos Santos, conhecido como ?Moleza?, preso em Petrolina (PE), no dia 6 de outubro; e Marcelo Lima da Silva, preso em Colônia Leopoldina, no dia primeiro de novembro. Um terceiro envolvido, Paulo Alfredo da Silva, está foragido. Ele foi visto pela última vez na companhia de Marcelo Lima, em Colônia Leopoldina, mas sumiu. Por mais de duas horas, o vereador Gilvânio Soares de Oliveira prestou depoimento ao delegado de Atalaia, Gilson Rêgo, e à delegada regional, Kátia Emanuele, hoje lotada em Viçosa. ?Ele negou qualquer envolvimento no assassinato dos irmãos e disse que não conhece nenhum dos executores presos?, revelou Rêgo. A polícia apurou também que o ex-detento Alexsandro Porfírio Araújo também teve participação no crime. ?Foi ele quem alugou o veículo usado pelos assassinos?, disse o delegado. Sandro, como era conhecido, morreu dois dias após Lele ser preso em São Paulo e a suspeita é que o motivo foi queima de arquivo. O advogado de Gilvânio, Welton Roberto, disse que vai analisar a fundamentação da prisão temporária de seu cliente. ?Ele não tem motivos nenhum para ter mandado matar os evangélicos?, defende. ### Crime tem motivação política e eleitoral Enquanto o vereador Gilvânio Soares de Oliveira prestava depoimento dentro da delegacia de Atalaia, uma multidão com cartazes cobrando justiça aguardava em frente ao prédio. Entre eles, irmãos, sobrinhos, amigos e integrantes da comunidade evangélica da cidade. Além de Gilvânio Soares, a polícia prendeu ainda o irmão dele, Girlôncio Soares, por porte ilegal de arma. Com três mandados de busca e apreensão, cerca de 10 policiais, além dos delegados Gilson Rêgo e Kátia Emanuelle, entraram na casa do parlamentar, na residência da ex-mulher dele e na casa do irmão, onde encontraram um revólver calibre 38, dinheiro e cheques. A família acredita que o vereador mandou matar os irmãos evangélicos por interesses políticos. O alvo da emboscada, segundo a polícia, era apenas Elizafan Almeida. Eliane morreu com uma facada na garganta e um tiro porque acompanhava a vítima. ?O pai de Gilvânio Soares ia sair candidato e queria o apoio da Igreja para as eleições, mas fizemos um plebiscito entre os fiéis e ficou certo de apoiarmos outro canditado. Assim, Gilvânio resolveu se canditadar no lugar do pai porque sabia que ele não ia ganhar?, contou Eli Almeida de Lima, irmão das vítimas, acreditando que este pode ter sido o motivo dos assassinatos. O atual do pastor da Igreja, Eliezer de Almeida, também irmão das vítimas, já recebeu inúmeras ameaças de morte pelo telefone, conforme informou o evangélico Eli. ?Ligam dizendo para ele ir embora?. Eli Almeida diz que ninguém da sua família vai deixar a cidade. ?Não temos medo de ficar, confiamos em Deus e sabemos que ele será justo?, disse, ao ressaltar a importância do trabalho da polícia e do apoio da Igreja. ?Agora está nas mãos da Justiça?. Preso em Maceió O vereador Gilvânio Soares, após prestar depoimento, deixou a delegacia de Atalaia sob palavras de protesto da comunidade que até às 20h permanecia na porta do prédio. Ele foi trazido para Maceió e deve permanecer por dez dias preso na sede do Trigre, no Farol. Já os acusados de execução, Cícero dos Santos, o Moleza, e Marcelo Lima da Silva estão presos na Delegacia de Roubos e Furtos, também na capital; e José Sotero da Silva Filho, o Lele, está detido na delegacia de Viçosa. |CS