Polícia
Sindic�ncia investiga PMs suspeitos
| EDNELSON FEITOSA Repórter A Corregedoria da Polícia Militar abriu, nos últimos três meses, duas sindicâncias contra os oficiais suspeitos de envolvimento no grupo que está sendo chamado de nova gangue fardada. Caso se confirmem as denúncias, o procedimento será transformado em Inquérito Policial Militar (IPM), que pode levar os acusados à expulsão da PM. Além das sindicâncias, eles estão sendo investigados pelas polícias Federal e Civil. O subcomandante da PM, coronel Kleberon Melo Costa, esclareceu ontem que dois dias após a Gazeta noticiar - no domingo (11) - que três oficiais e dois praças estariam comprometidos em roubo de carga e assaltos, inclusive planejando matar a delegada do Pilar, Paula Frachinneti, e o inspetor da Polícia Rodoviária Federal, José Edson, que comanda o posto da PRF de Atalaia, foi aberta uma sindicância para apurar as denúncias. O coronel confirmou que o capitão PM Marciel Krustian Fortes e os tenentes PM Raimundo e Rocha Júnior, este filho do ex-comandante da corporação, coronel Nilton Rocha, já foram chamados para prestar esclarecimentos no procedimento administrativo aberto pela Corregedoria. Apurar o conteúdo da informação foi uma forma de resguardar a imagem da PM, segundo o subcomandante, pois o comando não tem oficialmente conhecimento do inquérito instaurado pela Polícia Federal. ?Até hoje não recebemos documento de nenhuma autoridade, fazendo qualquer tipo de acusação contra eles?, explicou Kleberon. O delegado federal Joaci Avelino, que apura as ações do crime organizado em Alagoas, está investigando as denúncias de uma carta que aponta os oficiais numa quadrilha que tinha o envolvimento, inclusive, do pistoleiro Cícero Belém, executado a tiros na Avenida Durval de Góes Monteiro, no mês passado, além de integrantes da família Fidélis e do líder do grupo acusado de roubo de carga, Júnior Tenório. O grupo teria, segundo a carta, decidido matar o inspetor da PRF, José Edson, porque estava investigando as ações da quadrilha nas rodovias federais do Estado. O coronel acrescentou que a corporação tem total interesse na apuração dos fatos. No entanto, a PM não tem direito de prender os oficiais, pois não existe uma ordem judicial. O que foi determinado pelo comando é que todos os investigados permaneçam em suas unidades no interior do Estado, realizando serviços internos. Pelo menos, enquanto estiverem sendo submetidos à investigação por parte da Corregedoria da PM. Intervenção O capitão PM Fortes responde também a outra sindicância, aberta no dia 19 de setembro de 2005, por determinação do comando geral da corporação. Ele é acusado de intervir numa prisão realizada pela Polícia Rodoviária Federal, no dia 1º de setembro. Segundo a denúncia, Márcio Porfírio dos Santos, apontado como sendo ?testa de ferro? do oficial, foi preso por patrulheiros da PRF no quilômetro 243, da Rodovia BR-316, no município de Atalaia. Ele estava com um revólver calibre 38, registrado em nome de Flávio Rocha Peixoto. Porfírio é parente de Alexsandro Porfírio, o detento executado a tiros no Pilar, na quinta-feira da semana passada. O crime é atribuído à nova gangue fardada. No momento da prisão, Márcio revelou que costumava realizar serviços para a Companhia do Pilar, no Escort, verde, placa MUB 0445/AL, e que, por isto, estava armado. Quando os patrulheiros levavam Márcio para ser autuado em flagrante na Delegacia de Atalaia, foram interceptados por uma viatura da Comanhia do Pilar, comandada por um oficial da PM. Ele tentou convencer os policiais da PRF de que não deveriam levar a prisão adiante, pois Márcio era amigo do então comandante da companhia, o capitão PM Fortes. Por pouco, não houve um incidente entre os militares.