Polícia
Acusado de morte pode deixar a pris�o
| REGINA CARVALHO Repórter Quatro testemunhas foram ouvidas ontem pela juíza Aída Cristina Antunes e pelo promotor Napoleão Franco sobre o assassinato da adolescente Juliana Cassiano da Silva, ocorrido em abril do ano passado, em Murici. Os depoimentos duraram mais de cinco horas e foram acompanhados pelo principal acusado do crime, o estudante Fausto Cardoso Batista Neto, o Faustinho, que se entregou à polícia no mês passado, e Jadson Cansanção, também citado como envolvido. Faustinho chegou ao Fórum de Murici numa viatura, escoltado por dois policiais e sem algemas. Não teve a oportunidade de falar com os parentes que estavam dentro do prédio. Ele pode deixar a prisão na próxima semana. O clima ficou tenso no fórum. Parentes da vítima aguardavam a conclusão dos depoimentos e denunciavam que uma suposta testemunha teria sido ?coagida? para apontar outra pessoa como responsável pelo crime. Enquanto isso, o pai e o tio de Faustinho, respectivamente o ex-vereador Fausto Cardoso e o bicheiro Plínio Batista, observavam a movimentação do ambiente. ?As testemunhas ratificaram o que estava no inquérito. Não houve novidades?, disse o promotor Napoleão Franco. Dentre as testemunhas ouvidas ontem estava a irmã de Juliana, Maria José Cassiano da Silva, que pediu para que Faustinho se retirasse da sala enquanto ela falava. As testemunhas estavam no bar onde Juliana foi vista com Faustinho e numa praça próxima ao local, de onde se podia ver toda a movimentação. Na próxima quinta-feira, mais duas testemunhas serão ouvidas. Uma delas é Lidiane Cassiano, ex-namorada de Faustinho. ?Na sexta-feira da próxima semana serão ouvidas mais cinco testemunhas arroladas pela defesa?, detalhou o promotor. O delegado de Murici, Élvio Alves Brasil, ouviu mais de 60 pessoas no inquérito sobre a morte de Juliana. Relaxamento Na próxima semana, a juíza Aída Cristina deve decidir se revoga ou não a prisão de Faustinho. ?Requeri a revogação da prisão alegando a desnecessidade dela, já que o motivo era a fuga e ele se entregou?, disse Raimundo Palmeira, advogado de Faustinho. Faustinho se entregou em dezembro, depois de prisão preventiva decretada pela juíza, e permanece preso na delegacia municipal de Murici. Raimundo Palmeira disse, ainda, que vai analisar a possibilidade de pedir exumação do cadáver de Juliana para esclarecer, segundo ele, alguns pontos que ainda não ficaram claros durante a investigação policial. ?O laudo cadavérico diz que ela morreu por asfixia mecânica ou afogamento. É preciso tirar a dúvida sobre a materialidade do crime. Isso ainda pode ser investigado. Acredito que pode haver reviravolta nesse caso?, declarou o advogado, ontem, no Fórum de Murici.