Polícia
Presos escapolem e s�o capturados
| MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - Quatro reeducandos que cumprem pena no presídio de Segurança Média Luiz de Oliveira Souza, em Arapiraca, surpreenderam o frágil esquema de segurança, escavaram um túnel e tentaram fugir ontem pela manhã. Francisco de Assis Lima, Márcio dos Santos, Tiago Dantas e Renemenemes Santos foram capturados minutos depois, quando tentavam invadir um acampamento do Movimento Sem-Terra (MST). Munido de um espeto improvisado com um pedaço de ferro, o detento Francisco de Assis Lima reagiu à voz de prisão e acabou sendo ferido à bala numa das pernas. Agentes penitenciários o levaram à Unidade de Emergência do Agreste, onde ele foi submetido a intervenção cirúrgica para retirada do projétil. Recebeu alta no final da tarde e retornou ao cárcere. Segundo apurou a Gazeta, os reeducandos escavaram o túnel no módulo II, de onde conseguiram acesso ao pátio externo. Como não há muro ao redor do presídio, eles pularam o alambrado e fugiram em direção à rodovia AL-110. Vistos por um dos PMs que trabalham na segurança externa do prédio, os quatro fugitivos foram perseguidos pelos agentes penitenciários e recapturados quando pediam abrigo aos integrantes do MST que ocupam terreno do governo do Estado. De acordo com o diretor do presídio, José Maria, que é tenente da PM, chamou atenção o fato de Francisco de Assis portar um telefone celular no momento da fuga. Como não se faz revista íntima nas mulheres que visitam os presos, o aparelho poder ter sido trazido por uma delas. Tentativa de rebelião Ontem à tarde, integrantes do Pelotão de Operações Especiais do 3º BPM foram acionados para tentar conter um princípio de rebelião no presídio. Os presos teriam se rebelado em virtude da falta de energia, o que foi contornado pouco mais de 20 minutos depois do apagão. Superlotação A situação registrada ontem resgatou a questão da falta de estrutura para garantir o confinamento dos 290 detentos que cumprem pena no superlotado presídio de segurança de Arapiraca, o único do interior de Alagoas. Projetado para abrigar 128 detentos, o presídio é morada para 290 reeducandos. Superlotado desde a inauguração, em 2002, o local é cenário de histórias surpreendentes. Embora haja número considerável de agentes penitenciários, maconha e telefone celular [dois artigos proibidos na cadeia] são comumente encontrados dentro do cárcere. Segundo confirmou o diretor da unidade, tenente PM José Maria, durante entrevista ontem à Rádio Novo Nordeste AM, maconha e telefone celular são levados por algumas das mulheres que visitam os reeducandos. ?A droga e os telefones cruzam a segurança dentro de uma camisinha introduzida na vagina dessas senhoras?, revelou o diretor. Sem autorização O vaivém de maconha e telefones no presídio de Arapiraca acontece por uma razão bem simples: os agentes penitenciários não têm autorização para fazer a revista íntima nas mulheres que visitam os reeducandos. De acordo com o diretor, a política nacional de direitos humanos não permite o referido tipo de revista com base num argumento questionável: o constrangimento. ?Diante dessa proibição não temos como revistar as mulheres que freqüentam a cadeia?, revela o diretor, que também reconhece a necessidade negociar a paz e a ordem com os líderes que dominam os pavilhões do presídio. Sem a negociação com os cinco líderes, o clima de paz seria inviável. ?O líder de módulo ajuda os companheiros e mantém o diálogo com a direção do presídio. Não temos outra alternativa de gestão da cadeia que não seja dialogando com os líderes do presídio?, ratificou o diretor. Segundo apurou a Gazeta, a necessidade de diálogo seria indispensável à ordem em virtude da falta de estrutura do presídio. Uma das dificuldades estruturais da unidade prisional é o fato de ter sido construída sem os requisitos básicos para evitar tentativas de fuga.