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Assassinato foi vingan�a contra delator

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GILVAN FERREIRA Repórter O presidente da Asssociação dos Moradores do bairro Parque Santa Tereza, em Rio Largo, Fernando Batista de Oliveira, 40, ?o Liro?, assassinado no final da manhã de ontem, no bairro da Forene, pode ter sido a primeira vítima de um plano de vingança comandado pelo vereador Alexandre Cardoso da Silva (PV), o ?Júnior Pagão?, acusado de liderar a maior quadrilha de seqüestradores em atuação em Alagoas. Fernando Oliveira foi assassinado por dois homens - identificados como Haroldo e Edijânio - com dois tiros de pistola, dois na cabeça e um no peito. Ele era cunhado do assaltante Cláudio dos Santos, 32, vulgo ?Carioca? ou ?Cow?, preso por PMs, no último dia 12, em um desmanche no povoado de Massagueira, que foi o responsável por ajudar a equipe do Grupamento Tático Integrado de Resgates Especiais (Tigre) a interceptar um plano para assassinar o delegado de Rio Largo, Marcílio Barenco. Cláudio dos Santos, que também utiliza o nome José Joaquim dos Santos, foi ouvido na última quinta-feira pelo delegado Marcílio Barenco, ele revelou detalhes das ações da quadrilha e do plano montado pelo vereador Júnior Pagão para assassiná-lo. ?Cow? chegou a dizer que o vereador Júnior Pagão decidia todas as ações a serem praticadas pela quadrilha. Ele orientava as negociações com as famílias das vítimas de seqüestro do bando, supervisionava e visitava os locais que serviam de cativeiro para as vítimas. O assaltante acrescentou que o vereador Júnior Pagão teria confessado que parte do dinheiro dos seqüestros e das outras ações da quadrilha, como roubo de veículos e assaltos, serviria para ?bancar? a campanha eleitoral de um deputado estadual, do qual não quis revelar o nome. Rio, São Paulo e Alagoas Segundo o delegado Barenco, Cow, que nasceu em Rio Largo, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a atuar com traficantes da favela da Tijuca. O assaltante também agiu por muito tempo em São Paulo, onde teria envolvimento em assaltos e homicídios. Em seu depoimento ao delegado Barenco, Cow disse que recebeu uma proposta ?tentadora? para assassiná-lo. ?Ele disse que o Júnior Pagão sugeriu que ele me matasse, inclusive, mandou que ele definisse quanto queria receber para me executar. O Cow disse que só não aceitou a proposta de Júnior Pagão porque não agia em homicídios. Ele chegou a falar que não gosta de utilizar de violência contra suas vítimas, o negócio do Cow é ganhar dinheiro fácil. Ele é especialista em seqüestros e chegava a repreender os outros integrantes da quadrilha quando ameçavam usar violência contra as vítimas?, disse Barenco. ### Delegado sob ameaça recebe segurança 24h A divulgação do plano para assassinar o delegado de Rio Largo, Marcílio Barenco, antecipado na edição de ontem da Gazeta, mobilizou a cúpula da segurança pública de Alagoas. Ontem pela manhã, o diretor de Polícia Metropolitana, delegado Alcides Andrade, convocou o delegado Marcílio Barenco para uma reunião de emergência. Andrade ouviu de Barenco os detalhes do plano montado pelo vereador Júnior Pagão para assassiná-lo. Depois da reunião, o diretor de Polícia Metropolitana anunciou que o delegado Marcílio Barenco iria passar a receber segurança particular de equipes de policiais do Grupamento Tático Integrado de Resgates Especiais (Tigre). Alcides Andrade também decidiu manter o delegado Marcílio Barenco à frente das investigações sobre as ações da ?super-quadrilha? de seqüestradores, supostamente liderada pelo vereador Júnior Pagão, que está foragido desde do último dia 4, depois de ter sua prisão decretada pela juíza de Rio Largo, Marlene Madeiros. Segundo a assessoria jurídica da Câmara de Vereadores de Rio Largo, ainda não existe nenhum pedido de abertura de processo de cassação de mandato contra o vereador Júnior Pagão, que pode tirar uma licença de 120 dias. A mesa da Câmara de Rio Largo pode abrir um processo de cassação por falta de decoro parlamentar. Júnior Pagão pode ser substituído na Câmara de Vereadores pelo suplente Lula Guerra (PMDB). ### Polícia prende mais um da quadrilha A intensificação das buscas para tentar prender o vereador Júnior Pagão (PV) resultou na prisão de mais um suposto integrante da ?superquadrilha? de seqüestradores. Ontem, a equipe do delegado Marcílio Barenco prendeu, no centro de Rio Largo, José Ricardo Lins, o ?Ricardo Marchante?. No momento da prisão, Ricardo Marchante estava de posse de três revólveres e várias cápsulas não deflagradas. Pelas primeiras informações da polícia, Ricardo Marchante era um dos responsáveis pela segurança dos cativeiros utilizados pela quadrilha para manter as vítimas de seqüestro, nos conjuntos Village Campestre, Gama Lins e Santos Dumont, em Maceió. Com a prisão de Ricardo Marchante, aumenta para sete o número de integrantes da quadrilha liderada pelo vereador Júnior Pagão. Já foram presos Cláudio dos Santos, ?o Cow?; José Benedito Sebastião, o ?Negão do Leite?; Marivaldo Soares, o ?Dão?; Alexandro Berto Pontes, que também utilizava uma identidade com o nome Adeilton Berto de Pontes; Givaldo da Conceição e Jordaniel Santos Celestino. Superquadrilha Segundo o delegado Marcílio Barenco, a quadrilha de Júnior Pagão é formada por um número bem maior de integrantes. Além de Júnior Pagão, Barenco disse que reforçou as buscas para prender o assessor de Pagão, Du Pimentel, considerado um dos articuladores das ações da quadrilha, que também é suspeita de roubo de veículos, assaltos e crimes de pistolagem. Segundo o delegado Marcílio Barenco, o assaltante ?Cow? teria confirmado a participação da quadrilha no seqüestro da estudante Marcela Ricciardi, em novembro; do empresário Antônio Antunes Filho, herdeiro do Grupo Café Afa; Gláucia Maria de Araújo Sampaio, da Max Drogaria, e da estudante Laviolete Patrícia de Araújo, filha do empresário paraibano Luís Firmino de Araújo, da churrascaria Espettos do Picuí. |GF

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