Polícia
Vereador suspeito vai a j�ri at� junho
| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Atalaia - Os acusados no assassinato dos irmãos evangélicos Elizafran e Eliane Almeida de Lima, ocorrido em Atalaia em agosto do ano passado, devem ser levados a julgamento até junho. Essa é a previsão do juiz substituto da Comarca de Atalaia, Galdino Amorim, que interrogou ontem, no fórum da cidade, o vereador Gilvânio Soares de Oliveira, apontado como mandante do seqüestro e morte dos dois irmãos. Parentes de Elizafran e Eliane fizeram um protesto em frente ao fórum, pedindo justiça pela morte dos dois irmãos. Antes de saírem em passeata pelo centro de Atalaia, houve um princípio de tumulto, quando algumas pessoas tentaram depredar o carro da polícia onde Gilvânio estava. Por causa da confusão, o vereador foi levado às pressas até o fórum, mas só começou a ser ouvido por volta das 11h30, com a chegada do advogado Welton Roberto. O policiamento foi reforçado, para evitar um confronto entre amigos e parentes da família do acusado e dos irmãos assassinados. O interrogatório de Gilvânio foi acompanhado pelo promotor Sóstenes de Araújo Gaia, que disse não ter dúvida do envolvimento do vereador no crime, conforme provas constantes nos autos do processo. Se for condenado por duplo homicídio qualificado, Gilvânio pode pegar uma pena de 12 a 30 anos de prisão. Sobre a possibilidade de cassação do mandato do vereador, Sóstenes Gaia adianta que a Câmara de Vereadores do município já poderia estar analisando essa possibilidade. Antes de ser interrogado, Gilvânio Soares voltou a alegar inocência. Ele disse que nunca teve contato com os supostos pistoleiros que mataram os irmãos evangélicos. O vereador argumentou que estava sendo alvo de uma conspiração, mas não quis apontar nomes dos possíveis interessados em sua prisão. Ele disse que o fato de ter sido eleito pela primeira vez como vereador da cidade, em 1988, com apenas 18 anos - na época o mais novo do País - e ter sido o mais votado na última eleição incomodou muita gente. Na semana passada, outro acusado de participação no crime, o suposto pistoleiro José Sotero da Silva Filho, ?o Lelé?, foi interrogado. Os outros dois suspeitos de participação no crime, Cícero dos Santos, ?o Moleza?, e Marcelo Lima da Silva, fugiram, no final do ano passado, da Delegado de Roubos e Furtos, em Maceió. Um quarto envolvido no duplo homicídio, Paulo Alfredo da Silva, nunca foi preso. Para o juiz substituto Galdino Amorim, a fuga dos dois outros suspeitos prejudica o andamento do processo na Justiça, que está em fase de interrogatório. Segundo o juiz, as testemunhas do crime podem se sentir ameaçadas, já que um dos suspeitos estaria envolvido no assassinato de um magistrado na Bahia.