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Acusado de trag�dia deve ser solto hoje

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Ednelson Feitosa CARLA SERQUEIRA Repórteres O comerciante Anderson Clayton Fernandes dos Santos, 30, preso e autuado em flagrante na Delegacia de Plantão III, no último domingo depois de atropelar e provocar a morte de três pessoas e deixar sete feridas, num ponto de ônibus em frente ao Shopping Iguatemi, na Jatiúca, deve ser solto ainda esta manhã. Ele está no 6º Distrito Policial, em Cruz das Almas, e depois do acidente foi submetido a exame de bafômetro, que mostrou que ele estava embriagado. Ontem à noite, o juiz da Vara de Acidentes, Roldão de Oliveira Neto, negou o habeas-corpus solicitado pela defesa do comerciante apenas por não ter elementos que comprovassem a renda dele. ?Inevitavelmente ele será solto com o pagamento de fiança?, explica o juiz. ?Quando o crime é culposo, o infrator não pode ficar preso de acordo com a lei?. E neste caso, até o delegado poderia arbitrar uma fiança. ?Talvez o delegado não o fez por causa da repercussão?, revelou Roldão. A fiança varia entre R$ 1 mil e R$ 6 mil. ?E mesmo que ele seja julgado e condenado, não poderá ficar preso. Os anos de detenção, automaticamente e obrigatoriamente, serão revertidos em pena alternativa, como prestação de serviço em comunidades ou ?doação? de cestas básicas?, disse o juiz Roldão de Oliveira. ?Temos que chamar a sociedade para esta discussão. As leis, do jeito que estão, incentivam a dirigir sem compromisso, sob o efeito de bebiba alcoólica porque o motorista sabe que, mesmo matando, não poderá ser preso nunca?, frisou o magistrado. Revolta Ontem, o pai de Israiane dos Santos Silva, de 8 anos, uma das três vítimas fatais do acidente, Cícero José da Silva, que também saiu ferido, clamou por justiça. ?Só espero que a justiça seja feita, mesmo sabendo que isso não vai devolver a minha filha, para que outras pessoas não passem pelo que eu estou passando. É muito difícil perder uma filha, a minha primeira filha?, afirmou. Ele disse que havia saído para comprar um lanche e que por isso não se lembrava de detalhes do acidente. Informou que estava voltando para casa, em Paripueira. Outras vítimas fatais foram Sérgio Augusto da Silva, 26, que chegou a ser socorrido com vida por uma unidade do Samu, mas morreu numa das enfermarias da Unidade de Emergência e Gildete Santos de Oliveira, 45, que só ontem foi identificada no Instituto Médico Legal. Até ontem à noite permaneciam internados na Unidade de Emergência, Kelisson Franco, 20, o mais grave; Juciane Barbosa, 23; Maria Cristina Lima Aprígio, 20; Nailta dos Santos Gomes, 27. Foram medicados e liberados: André Rosalino dos Santos, 21, Eline Moreira de Lima Aprígio, 24, irmã de Maria Cristina, e Cícero José dos Santos, 32. Drama ?Meu filho não merece o que está sofrendo por causa deste irresponsável. Ele tinha saído para estudar na casa de um colega, pois está se formando em Fisioterapia. Agora está aí, internado e entubado, em estado grave. Nós queremos justiça?. O desabafo é da servidora pública Nadja Franco, 50, mãe do universitário Kelisson Franco Casado, 21. Ele foi um dos feridos do acidente. A servidora pública soube do acidente que o filho sofreu da pior forma possível. Ela estava trabalhando na Delegacia de Plantão III, em Jaraguá, na noite de domingo, redigindo os boletins (Sispol). ?O delegado recebeu o preso e passou a ler a relação de acidentados para um repórter. Eu não acreditei, quando ouvi o nome do meu filho. Entrei em pânico?, destacou. A artesã Eline Moreira da Silva, 24, que reside no Barro Duro, não lembra de nada. Declarou ontem que escutou um barulho e acordou no hospital. Ela estava de costas para o local onde o veículo subiu a calçada e avançou sobre o grupo que se encontrava no ponto de ônibus. O comerciante Anderson Clayton, que recebeu assistência do advogado Raimundo Palmeira, não quis se pronunciar a respeito de sua prisão.

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