Polícia
Advogado � preso acusado de estelionato
| EDNELSON FEITOSA Repórter A Polícia Federal (PF) está investigando uma quadrilha especializada em fraudar contas inativas de pessoas que já morreram. O advogado Jorge Luiz Campos de Souza foi preso pela PF, na semana passada, e indiciado em inquérito policial por estelionato (Art. 171). A prisão ocorreu quando o acusado retirou R$ 50 mil de uma conta de pensão de uma mulher que morreu em 2004 e cujo dinheiro deveria ter sido devolvido para o Ipaseal. A fraude foi denunciada por um gerente da Caixa Econômica Federal. O delegado federal Washington Luiz Santos confirmou ontem a prisão do advogado e disse que outras pessoas estão sendo investigadas por suposto envolvimento no crime. Segundo ele, o advogado tentou retirar R$ 141 mil, todo dinheiro que havia na conta, mas não conseguiu graças à interferência do gerente, que não teve sua identidade fornecida pela PF. O GOLPE A quadrilha descobriu que numa das contas inativas da Caixa havia R$ 141 mil em nome de Creuza Porto Caldas, que morou em Alagoas e morreu no Paraná, em 2004. Ela recebia a pensão do pai (falecido), que trabalhou no Ipaseal. Uma ex-diretora do Ipaseal, que ficou como procuradora de Creuza, quando ela foi morar com o filho no sul do País, comunicou o falecimento da pensionista ao Ipaseal e à Caixa, porém a pensão continuou sendo depositada mensalmente. Na semana passada, o advogado Jorge Luís Campos de Souza chegou à Caixa com uma procuração em nome de Jean Carlos Busato, que lhe dava (ilegalmente) poderes para efetuar a retirada do dinheiro. Os funcionários da Caixa desconfiaram porque sabiam da morte de Creuza. A direção mandou que o gerente segurasse a liberação do dinheiro e procurasse a gerência de segurança. ?Ele declarou que só poderia liberar R$ 50 mil e mesmo assim somente no outro dia?, disse o delegado da PF. No dia seguinte, quando o advogado chegou e pegou o dinheiro os federais efetuaram a prisão. O delegado revelou que os documentos são todos falsos e que a identidade de Creuza é montada, pois há a foto de uma empresária, identificada como Irene, que foi ouvida na sede da Polícia Federal e que se disse vítima, também. ?Ela entregou os documentos para um falso corretor de seguros há algum tempo e agora viu sua fotografia numa carteira de identidade de outra pessoa?, destacou Washington Luiz. A identidade do falso Jean Carlos, que é paulista, é de Paulo, o corretor que vendeu um seguro para Irene. Até um cartório foi enganado pelo bando, já que havia selo de reconhecimento de firma em todas as assinaturas. O verdadeiro Jean Carlos informou à PF que jamais esteve em Alagoas. A Polícia Federal descobriu que Jorge Luís esteve preso por estelionado antes e tem um processo por agressão. Ele está na carceragem da PF, em Jaraguá.