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Pastor e contador ser�o indiciados

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| FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter O analista contábil Daniel Portela Ramos, 28 anos, e o pastor evangélico Anderson de Araújo Villaça serão indiciados por homicídio culposo no inquérito sobre o atropelamento que provocou a morte de duas idosas e deixou mais duas feridas, no dia 4 de fevereiro, na Avenida Brasil, no Poço. Daniel Portela, que é do Ceará e trabalha há menos de seis meses na Limpel, se apresentou, ontem de manhã, na Delegacia de Acidentes. No depoimento ao delegado Fernando Tenório, ele rebateu a versão inicial de que teria colidido no veículo Palio, que era dirigido pelo pastor. Segundo Daniel Portela, o pastor vinha pela Avenida Brasil e foi quem bateu de raspão na frente do seu carro, o Gol placa MUZ 7110 de Fortaleza (CE), perdendo o controle do veículo e indo de encontro à calçada onde estavam as quatro idosas. Ele relatou que no dia do acidente saiu de casa, no bairro de Mangabeiras, e por volta das 17 horas foi buscar dois amigos, recém-chegados de Natal e que estavam em uma pousada para dar uma volta na orla marítima. Na volta, disse que decidiu seguir por Jaraguá. Ele afirmou não haver consumido bebida alcoólica. ?Eu vinha devagar porque estou há pouco tempo na cidade?, disse. Numa das tranversais da Avenida Brasil, segundo ele, colocou o carro um pouco mais à frente, porque havia dois veículos impedindo a visão e foi nesse momento que foi atingido pelo carro dirigido pelo pastor. Perdeu o controle ?Ele perdeu o controle do carro e rodou. Se fosse eu que tivesse batido, ele não rodaria naquela direção?. O contador disse que fugiu do local porque estava com problemas na Carteira de Habilitação, do Ceará. E só teria tomado conhecimento da gravidade do acidente na quarta-feira da semana passada, quando soube que o seu chefe, o diretor-administrativo da Limpel, Fernando Antônio Costa, teria sido citado no caso. Neste período, Daniel Portela disse que foi ao Ceará, buscar a mulher e a filha, de onde só retornou, segundo ele, na sexta-feira. ?conheço o delegado? Ele também fez questão de isentar a participação do delegado Jobson Cabral no caso, mas confirmou que foi Jobson quem indicou a oficina mecânica, na Rua Cabo Reis, no bairro da Ponta Grossa, para fazer o conserto do carro. ?Ele me indicou a oficina como qualquer outra pessoa, no sentido de que pudesse até ter algum desconto?. Segundo Daniel Portela, o diretor da Limpel, Fernando Costa, que é amigo de Jobson Cabral, teria buscado orientação sobre o procedimento a ser adotado, depois de ter tomado conhecimento do acidente. ?O delegado orientou que como não tinha havido flagrante, me apresentasse na Delegacia de Acidentes na segunda-feira?, disse. Como foi informado de que não havia chegado naquele dia à delegacia nenhuma informação sobre o acidente, ele disse que decidiu viajar para o Ceará. Daniel Portela afirmou, ainda, que ficou muito abalado ao saber que duas pessoas morreram e também quando soube do envolvimento do nome do delegado no caso. Policiais O delegado de Acidentes, Fernando Tenório, descartou o envolvimento do delegado Jobson Cabral e de qualquer outro policial no acidente. Segundo ele, em seu depoimento o diretor-administrativo da Limpel, Fernando Costa, confirmou que Jobson Cabral, assim como ele, não sabia da gravidade do acidente. ### Delegado isenta colega e vai convocar pastor para depor Delegado Fernando Tenório estranhou o fato de a perícia do Detran não ter informado o caso à delegada de plantão, apesar de ter havido mortes no acidente O delegado Fernando Tenório disse acreditar que, pelo depoimento prestado por Daniel Portela, o pastor Anderson de Araújo Villaça deveria estar dirigindo em alta velocidade. Ele revelou que vai mandar periciar o carro do pastor para verificar se a versão de Daniel, de que o motorista do Palio é quem teria batido nele, confere. O pastor Anderson Villaça também será notificado para prestar depoimento, ainda sem data marcada. ?A greve da Polícia Civil tem dificultado o trabalho da delegacia. Em alguns casos, temos de notificar as pessoas por telefone?. Os dois amigos de Daniel Portela, Clauber e Domingos Neto, também serão convocados para prestar depoimento, além do delegado Jobson Cabral. Fernando Tenório disse, no entanto, que a investigação pode ser prejudicada pela falta de perícia da criminalística. Ele estranhou o fato de a perícia do Detran não ter informado o caso à delegada de plantão, Ana Luiza Nogueira - da Delegacia de Crimes contra a Criança, apesar de ter havido mortes no acidente. O funcionário público Carlos Lorena, filho de Maria de Lourdes Lorena, 79, que morreu na hora do atropelamento, esteve na delegacia quando Daniel Portela prestava depoimento. Ele disse que a família não nutre sentimento de vingança. Mas espera que haja justiça e os responsáveis pelo acidente sejam punidos. |FAS

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