Polícia
Promotor condena influ�ncia de juiz
| CARLA SERQUEIRA Repórter ?Não tenha a menor dúvida. A influência do marido dela está determinando a demora na conclusão do processo na Justiça?, disse o promotor de Atalaia, Sóstenes Araújo, referindo-se ao juiz de Anadia, Willamo Lopes, esposo de Amália Miranda Lopes, indiciada como autora intelectual da morte de Macléia dos Santos, assassinada há mais de um ano, no dia 2 de fevereiro de 2005. ?Sem falar que o irmão dela [da Amália] é um coronel, também muito influente?, revelou o promotor que na última sexta-feira, dia 17, encaminhou ao juiz Galdino Amorim o pedido de prisão preventiva de Amália Miranda e do mototaxista José Sérgio da Silva, que segundo a polícia e o Ministério Público Estadual, teria sido contratado por Amália para matar Macléia. A causa seria ciúmes, já que a jovem teve um romance com o marido de Amália, o juiz Willamo Lopes, do qual nasceu uma criança, hoje com quase 3 anos. ?Não tenho dúvida de que eles são os culpados?, frisou Sóstenes Araújo. ?José Sérgio, no primeiro depoimento, disse que as marcas de unhas encontradas em suas costas tinham sido feitas pela esposa, há 5 anos; depois disse que tinha sido um arame farpado, há 10 anos. Quando fez o exame de corpo de delito ficou provado que eram recentes e batiam com o período em que Macléia desapareceu?. Amália, segundo o promotor, também entrou em contradições. ?Ela explicou que as ligações que fez para José Sérgio, no dia e depois do desaparecimento de Macléia, foram para cobrar parcelas de uma moto que financiou para ele. Mas como você pode cobrar a mesma coisa 15 vezes num dia só??- questionou. Bate-volta O inquérito que apura a morte de Macléia dos Santos, 23 anos, desaparecida depois de aceitar uma carona de José Sérgio dos Santos, já esteve na comarca de São Miguel dos Campos, onde os restos mortais da vítima foram encontrados, em abril do ano passado - três meses depois de a jovem ter sumido de Atalaia. ?Os responsáveis pela morte não ficarão impunes. Se depender de mim, não?, afirmou a juíza de São Miguel dos Campos, Nirvana Mello, que julgaria o caso. Mas o processo retornou para Atalaia, onde, de acordo com uma fonte da Justiça, a relação de amizade entre o juiz da cidade, Galdino Amorim, e Willamo Lopes, esposo de Amália Miranda, denunciada pelo Ministério Público Estadual como autora do crime, é muito forte. A Gazeta tentou ouvir o juiz Galdino Amorim, mas os celulares dele estavam desligados. Ao todo, no caso, já atuaram três delegados, três juízes e dois promotores de Justiça. Mesmo com o pedido de prisão feito por Sóstenes Araújo, ninguém foi preso, até o fechamento desta edição, de acordo com a polícia.