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Bandidos levam meio milh�o de usina

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FERNANDO VINÍCIUS Repórter Matriz do Camaragibe - Quatro homens fortemente armados e usando coletes à prova de balas invadiram ontem pela manhã o escritório da Usina Camaragibe, no município de Matriz do Camaragibe, levaram R$ 514 mil e fizeram dois reféns. Os funcionários da usina, de propriedade do Grupo Maranhão, Juscelino Gusmão e Edvaldo Teixeira foram libertados por volta do meio-dia nas imediações da Usina Serra Grande, no município de São José da Laje. O assalto mobilizou efetivos das polícias Militar, Civil [de Alagoas e de Pernambuco], Federal e o grupo de operações especiais Tigre na captura do bando, que até o encerramento desta edição não havia sido localizado. O tratorista José Antônio dos Santos, 46, foi a primeira vítima dos ladrões, que usaram uma caminhonete modelo Ranger de cor vermelha, placa MVA-4139, de Maceió-AL, durante a operação criminosa. Ele conta que foi abordado quando seguia por uma estrada em meio ao canavial. ?Eles emparelharam o carro com o trator e, apontando um revólver, me mandaram subir na caminhonete, perguntando onde ficava o escritório da usina?, declarou o funcionário. Com o tratorista servindo de guia, o bando conseguiu chegar até a empresa. Por volta das 9 horas, a quadrilha encostou o veículo ao lado da cerca que fica próxima ao escritório, usando a estrada de barro que passa por trás da usina. Com uma marreta e algumas talhadeiras, quebraram arames farpados esticados em barrotes de cimento para invadir a empresa. Camuflados Da guarita onde trabalha, o segurança Paulo Sérgio Mendonça percebeu a movimentação e disparou contra o bando, que usava roupas camufladas de modelo militar. ?Eles recuaram até a caminhonete e voltaram vestidos com coletes à prova de balas, pistolas e até um fuzil que foi usado contra mim?, disse o segurança patrimonial, que tinha apenas um revólver calibre 38. Após deflagrar quatro tiros, Paulo Sérgio correu em direção ao posto de combustíveis para se esconder dos bandidos, que estavam decididos a levar o dinheiro disponível no escritório. Com a cobertura do assaltante armado com fuzil, três integrantes do bando invadiram a sala de reuniões do escritório, enquanto um quinto homem aguardava no carro à espera dos comparsas. Todo o dinheiro destinado principalmente ao pagamento dos trabalhadores da usina estava sendo conferido pela diretoria no momento em que os assaltantes chegaram, todos com o rosto descoberto. Segundo depoimentos, a ação foi muito rápida, ?durou menos de cinco minutos?, assegurou um funcionário que pediu para ter a identidade preservada. Depois de se apoderarem do dinheiro, os ladrões fizeram uma troca de reféns, deixando o tratorista José dos Santos e levando o chefe do setor financeiro, Juscelino Gusmão, e o responsável pelo setor de compras, Edvaldo Teixeira. Os dois foram levados até São José da Laje, deixados próximo à Usina Serra Grande, de onde fizeram contato com a diretoria da usina. Apesar de bastante abalados, eles passam bem e foram encaminhados pela empresa a Maceió. Um comentário que se ouvia após o assalto estava relacionado à mudança na rotina da empresa responsável pelo transporte de valores. Segundo funcionários que não quiseram se identificar, a chegada do carro-forte sempre ocorria por volta das 11 horas ou depois desse horário. Em caso de mudança, havia uma comunicação prévia para informar sobre o atraso ou adiamento do veículo, fato que não ocorreu desta vez. Outra observação foi a ausência de funcionários da empresa transportadora durante a conferência do valor no escritório, como sempre ocorria. Os homens que faziam a escolta em um carro particular também não acompanharam a contagem. Os dois veículos deixaram a sede da usina assim que o dinheiro foi entregue, o que não é comum, segundo funcionários da indústria. ### Empresa usa até helicóptero na caçada aos assaltantes A diretoria da Usina Camaragibe não quis se pronunciar sobre o assunto e informou que o pagamento dos funcionários será feito na próxima semana, porque não haveria tempo suficiente para recolher todo o valor necessário ainda ontem. O episódio marca o fim da safra 2005/2006 da usina fundada em 1935, que encerrou a moagem no dia anterior ao assalto. O ataque mobilizou as polícias Militar, Civil, Federal e do Tigre. Barreiras policiais foram montadas principalmente nas estradas de acesso à BR 101, próximo de Novo Lino e até um helicóptero que pertence a um conglomerado empresarial alagoano foi alugado pelo Grupo Maranhão para ajudar nas diligências. Segundo funcionários seqüestrados, mais dois elementos se juntaram aos bandidos antes de serem libertados, todos jovens e com sotaque diferente do alagoano. A suspeita é que eles tenham se dirigido para Caruaru ou Garanhuns (PE). |FV ### Veículo usado por quadrilha foi roubado em Maceió IVAN NUNES Repórter O veículo Ranger usado no ataque à usina foi tomado em assalto em Maceió. O carro pertence ao dentista Francisco Sérgio Tenório Soares, 42, que por volta de 1h30 de ontem estava com a esposa, Berenice Soares, no Prado, acompanhando a reforma de uma loja pertencente a ela. Eles voltavam para casa, na companhia de dois pedreiros da construção, quando, nas imediações do Instituto Histórico, no Centro, perceberam que estavam sendo seguidos por um veículo Monza azul e foram obrigados a parar o carro. Dois homens desceram do Monza e mandaram o dentista e a mulher passarem para o banco de trás. Seguiram em direção ao Tabuleiro e, na entrada da Usina Santa Clotilde, em Rio Largo, outros dois homens esperavam num canavial. Eles subiram na carroceria da Ranger e seguiram. Mais adiante, segundo o dentista, outros dois homens subiram no carro e mandaram que os reféns descessem. Abandonadas, as vítimas caminharam até conseguir ajuda. Depois do assalto, os bandidos seguiram com a Ranger e os reféns da usina, que foram deixados em São José da Laje. No caminho, eles renderam Welington José da Silva, 19, e o obrigaram a indicar o caminho até a AL-110, em Ibateguara, onde o carro quebrou. Eles então renderam o motorista de um Fiat Uno, que não prestou queixa à polícia, e fugiram com o malote da usina. Na Ranger, a polícia encontrou uma espingarda 12 de repetição e munições de AR-15.

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