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Nº 5730
Polícia

Presa aborta em delegacia no Farol

| MARCOS RODRIGUES Repórter A crise gerada pela superlotação de presos nas delegacias distritais da capital e do interior de Alagoas, onde são precárias as condições de sobrevivência e de higiene, teve, ontem, mais um triste capítulo revelado. Uma presa

Por | Edição do dia 07/03/2006 - Matéria atualizada em 07/03/2006 às 00h00

| MARCOS RODRIGUES Repórter A crise gerada pela superlotação de presos nas delegacias distritais da capital e do interior de Alagoas, onde são precárias as condições de sobrevivência e de higiene, teve, ontem, mais um triste capítulo revelado. Uma presa abortou num dos banheiros do 4º Distrito Policial, no bairro do Farol. O fato foi registrado na última quinta-feira, mas somente ontem ganhou repercussão. A garçonete Margarete Correia de Lima, 24, até ontem não havia sido examinada por um médico. “Estou sangrando desde a semana passada. Tive até que improvisar um absorvente com roupas rasgadas”, disse a garçonete, natural do município de Correntes, em Pernambuco. Ela disse que começou a sentir cólicas no início da noite de quinta-feira. Por volta das 21 horas pediu ajuda a um dos policiais que estavam de plantão. “Quando cheguei ao banheiro, ao fazer força, notei que tinha algo estranho. Era o feto que estava descendo”, relembrou Margarete Correia, por trás das grades. Privacidade Ela está presa sob a acusação de ter furtado uma bicicleta. A prisão ocorreu há quatro meses e até o momento o processo contra Margarete não foi apreciado na 12ª Vara, para onde foi encaminhado. O delegado Jobson Cabral disse já ter feito vários apelos ao governo do Estado e à Justiça para que a situação seja resolvida. Na semana passada, diante das denúncias feitas pela Gazeta de superlotação nas delegacias, a cúpula da Segurança Pública percorreu as delegacias e confirmou a situação. “A mobilização só aconteceu depois que o problema foi divulgado. Mas depois disso a coisa já deu uma esfriada”, disse o chefe de Serviço do 4º DP, Alonso Nobre. Ele confirmou que hoje Margarete será levada à maternidade Paulo Neto para ser examinada. Abandono A acusada se diz abandonada pela família. Em Alagoas, sua ex-sogra, que reside na Vila Brejal, no Vergel, cuida de seu primeiro filho, que tem cinco anos. Segundo ela, o pai da criança, José Luiz da Silva, 15, morreu há quatro anos numa emboscada em um no bar. O único parente que Maragarete afirma ter é uma irmã que mora no bairro do Poço, mas, segundo ela, as duas não se falam. A mãe mora em Correntes (PE), mas as duas não se comunicam desde o ano passado. Sobre sua situação jurídica, ela afirma que apenas o defensor público Pedro Rêgo tem detalhes do processo, mas até agora não conseguiu reverter o caso. O drama vivido por Margarete parece não ter uma solução a curto prazo. Os levantamentos feitos pelas secretarias de Defesa Social (SDS) e de Ressocialização ainda não foram concluídos. Mesmo tendo anunciado a transfererência de reeducandos para o prédio do Detran, no Pontal, a SDS ainda não tem prazo para que isso ocorra.

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