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Assassinato de jovens revolta moradores

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| REGINA CARVALHO Repórter Revoltados com a onda de violência no Feitosa, moradores bloquearam ontem trechos da principal avenida do bairro para exigir do Comando Geral da Polícia Militar policiamento na região. Parentes de dois adolescentes assassinados no último fim de semana, Paulo Henrique Alves da Silva, 16, e Leandro dos Santos França, 18, organizaram a manifestação para pedir justiça. Os manifestantes atearam fogo a pneus e troncos de árvores. Houve confronto entre moradores e policiais militares. Paulo Henrique e Leandro foram encontrados mortos no último sábado, num canavial às margens da BR-104, próximo a Rio Largo, com marcas de tiros no corpo. Eles desapareceram na tarde do dia 10, quando foram levados do bairro do Feitosa por dois homens que se diziam policiais. ?Três homens armados com pistola se identificaram como policiais e colocaram eles dentro de um veículo Fiat Uno branco. Os meninos estavam jogando sinuca. Eles eram bons e não marginais?, diz Maria José Alves da Silva, mãe de Paulo Henrique. Os moradores do Feitosa acreditam que o seqüestro e morte foram praticados por policiais. ?O pior é que esses homens estão procurando um rapaz que vive aqui e declararam que enquanto não o encontrarem vão continuar levando pessoas do bairro. Tenho medo de ficar até na calçada?, alerta o autônomo Cícero Xavier da Silva. Os três homens que se identificaram como policiais estariam à procura de um rapaz identificado como ?Val Pequeno?, acusado de tráfico de drogas, e teriam executado Henrique e Leandro por engano. ?Torturaram meu filho, queimaram e atiraram nele?, lamenta a mãe de Paulo Henrique, acrescentando: ?Eles chegaram de cara limpa, tinham boa aparência e arrancaram a placa do veículo para não ser identificados. Soube que na mala do carro já tinha outro corpo?, denunciou Maria José. A tia de Leandro, Adriana França, disse que a mãe do adolescente não teve condições de participar do protesto. ?Meu sobrinho era um menino bom. Temos medo de que outras pessoas também morram, já que os homens disseram que iriam voltar e pegar mais gente até encontrar quem eles querem?. O autônomo Cícero Xavier lembrou que os moradores costumam acionar a polícia quando há casos de violência no bairro, mas que ela demora a aparecer. ?Quando a polícia chega, os bandidos já foram embora. Já vimos vários crimes ocorrerem pertinho da gente. Não podemos mais sair de casa?. Os moradores apontam a Rua Novo Jardim como a mais perigosa do bairro. O duplo assassinato será investigado pelo delegado de Rio Largo, Marcílio Barenco, que deve começar a ouvir testemunhas hoje. ?Começarei pelos parentes da vítima?, diz. O trecho da Avenida Governador Lamenha Filho foi desbloqueado depois que a polícia prometeu agendar uma reunião entre moradores do bairro e a cúpula da Secretaria de Segurança Pública.

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