Polícia
Encapuzados levam terror a sem-terra em acampamento
GILVAN FERREIRA Repórter Um grupo de 12 homens encapuzados, armados com revólveres, pistolas e espingardas, invadiu ontem o assentamento José Lenilson, na zona rural de Atalaia, ocupado por cerca de 40 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). A área já foi palco de mortes de trabalhadores rurais. Durante o ataque, que aconteceu por volta das 3 horas da manhã, o grupo incendiou oito barracos, queimou um cão e ameaçou de morte os sem-terra, que foram expulsos da área. Para evitar a reação dos sem-terra, os homens jogaram gasolina no corpo das mulheres e crianças do assentamento e ameaçaram atear fogo. As 40 famílias ainda foram mantidas sob ameaças de armas. Segundo a coordenadora do MST, Débora Nunes, ?Deda?, o ataque às famílias foi uma tentativa de ?homicídio coletivo? e teria sido provocado por proprietários da região para impedir a reforma agrária. Deda afirmou que as famílias atacadas tinham sido obrigadas pela Justiça a deixar a fazenda Aracati, de propriedade do ex-prefeito de Campo Alegre, Jorge Matias. ?Esse ataque foi uma tentativa de homicídio coletivo. Foi um recado dos proprietários de terra da região de Atalaia, que não querem a reforma agrária. Vamos denunciar às autoridades e cobrar uma punição para essas pessoas. Essa é mais uma ação dos latifundiários que não querem a paz no campo?. Investigações O delegado de Atalaia, Gilson Rego, disse que abriu inquérito para apurar o ataque aos sem-terra e começou a investigar a possível ligação de fazendeiros da região. Gilson Rego informou que chegou a fazer buscas na fazenda de propriedade do ex-prefeito Jorge Matias, mas não encontrou armas, capuzes ou qualquer tipo de prova que pudesse relacionar o ex-prefeito ao ataque. A invasão ao assentamento do MST ocorreu um dia após a reunião entre o Ministério Público, lideranças de sem-terra e proprietários de terra e o comando da área de segurança pública para discutir um ?plano de paz? nas áreas de conflito agrário em Atalaia e Murici. A promotora Marluce Falcão, do Núcleo de Direitos Humanos do MP, que comandou a reunião, disse que iria aguardar um relatório da cúpula da Segurança Pública sobre o ataque para definir as medidas que serão adotadas. ?Esse ataque foi uma provocação. Precisamos saber de onde ele partiu para que possamos adotar as providências, mas não vamos aceitar que a onda de violência no campo volte a fazer vítimas?, alertou a promotora.