Polícia
Lutador denunciado por pedofilia dep�e sob novas acusa��es
| BLEINE OLIVEIRA Repórter Após a denúncia de que teria abusado sexualmente de um menor, o lutador de kung fu José Cícero Ferreira da Silva tratou de contratar um advogado para sua defesa. O profissional, cujo nome ainda não foi revelado, esteve ontem na Delegacia de Crimes contra a Criança e o Adolescente para marcar a apresentação de seu cliente. Investigando a acusação, feita pelo trabalhador autônomo Cícero Salvador de Medeiros, pai do menino de 13 anos que teria sido vítima de pedofilia (desejo forte e repetido de práticas e fantasias sexuais com crianças), a delegada Bárbara Arraes marcou para amanhã, às 14h, o depoimento de José Cícero Ferreira. Se a denúncia contra ele for comprovada, o lutador pode ser processado pelos crimes de corrupção de menor, estupro e atentado violento ao pudor. A denúncia do pai do adolescente contra o lutador de kug fu foi feita na última quarta-feira. ComPoRTAMENTO ESTRANHO O pai denunciou na Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente que procurou saber as razões do comportamento estranho que o filho vinha apresentando e se surpreendeu com a resposta dele. O menino contou ao pai que vinha sendo ameaçado pelo lutador que, além de boliná-lo e obrigá-lo a atos libidinosos, o fotografou nu e vinha usando essas fotos para ameaçá-lo. O menino, que reside no Conjunto Cleto Marques Luz, no Tabuleiro do Martins, teria sido agredido por José Cícero depois de revelar que contaria à família que vinha sofrendo abusos sexuais. O pai disse ainda à polícia ter informações de que o lutador tem outras acusações de abuso contra menores. Os outros casos teriam ocorrido na Academia Staff, no bairro de Santa Lúcia, onde ele dá aulas de kung fu, e no Colégio Municipal Jaime de Altavilla, no mesmo bairro, onde também havia atuado. Essas informações começaram a ser investigadas, mas mesmo antes de ir aos locais citados a polícia recebeu vários telefonemas confirmando as declarações de Cícero Medeiros. Até mesmo no Colégio Jaime de Altavilla as denúncias foram confirmadas por funcionários, que preferem não se identificar. Eles disseram que José Cícero foi afastado da escola, onde realiza trabalho voluntário, por ter sido flagrado trancado numa sala com alunos em situação suspeita. Para empregados daquela escola, a denúncia do pai não foi uma surpresa. Embora de forma anônima, o relato dos funcionários pode ser incluído no inquérito policial, se a delegada entender que os depoimentos são necessários à investigação. Agentes da Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente confirmam ter recebido telefonemas anônimos nos quais pessoas que conhecem o lutador confirmam que ?ele é mesmo abusador?. Num dos telefonemas a polícia foi informada que, além de abusar sexualmente de menores, José Cícero já foi visto expondo os órgãos genitais a adolescentes. Defesa Procurado na Academia Staff, o lutador não foi encontrado. A Gazeta também não conseguiu saber o nome do advogado que poderia falar sobre a acusação. A informação é de que o lutador só pretende falar na delegacia, onde apresentará sua defesa. O pai do menor continua assustado, temendo que, após denunciar o crime à polícia e tornar pública a denúncia, José Cícero possa reagir com violência, como teria feito anteriormente. Mas ele espera que a investigação policial prove a violência praticada contra seu filho e que o lutador seja julgado com base em toda a legislação, tanto de proteção ao menor quanto aquela prevista pelo Código Penal. O depoimento de José Cícero será tomado pela delegada Bárbara Arraes e, provavelmente, será acompanhado apenas pelo advogado que o defende.