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Pistoleiros v�o a j�ri por morte de vereador

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| MAIKEL MARQUES Repórter Arapiraca - A Justiça de Olho d?Água das Flores confirmou para a próxima quinta-feira, a partir das 9h, no clube social da cidade, o início do julgamento de Lausio Lourenço Lima e Gilmar Alves. Os dois são acusados de matar, no dia 31 de março de 2005, o então vereador José Dória de Souza (PTB) a mando do então suplente de vereador Milton Silva Roberto (PTB), que, segundo o Ministério Público, tinha objetivo de chegar ao poder no lugar da vítima. revolta O assassinato de José Dória de Souza, alvejado por três tiros de revólver disparados, segundo a acusação, pelo pistoleiro Lausio Lourenço de Lima, revoltou a população da cidade de Olho d?Água das Flores. Lausio surpreendeu a vítima com ajuda do ?comparsa? Gilmar Alves, que conduzia a motocicleta utilizada na operação criminosa. Ainda de acordo com a investigação policial, a dupla teria cobrado R$ 800 para ?meter fogo? no experiente José Dória de Souza, que tinha 78 anos. Crime de pistolagem O crime de pistolagem tinha tudo para ficar envolto em mistério não fosse uma testemunha que apontou à polícia as características dos acusados de autoria material. Dos seis disparos efetuados, três atingiram a vítima, que caiu na porta de casa, para desespero de esposa, filhos e netos. Os acusados foram localizados em um boteco na periferia da cidade de Olho d?Água das Flores, depois da prisão, confessaram à Polícia Civil a autoria material do crime e o valor do ?serviço?: R$ 800. Depoimento Ainda durante o depoimento viria a surpresa maior do crime: o mandante era, segundo Polícia Civil e Ministério Público, o suplente de vereador Milton Silva Roberto. Ao delegado Valter Cunha, que abriu o inquérito na época, os dois pistoleiros confessaram o crime. À reportagem da Gazeta, eles não quiseram se pronunciar. ?Não tenho o que dizer. Já disse tudo ao delegado?, explicou Lausio Lima, em entrevista publicada no início de abril de 2005. Negativa do mandante Nas diversas entrevistas que concedeu à Gazeta - seja pessoalmente ou por intermédio de seu advogado - o acusado Milton Silva Roberto sempre negou a autoria intelectual do crime, embora fossem fortes os indícios da participação dele na trama. ?Não precisaria mandar matar ninguém para assumir o cargo de vereador em uma cidade pequena como essa. Sou inocente. Sou honesto?, defendeu-se o acusado, que aguarda julgamento nas dependências do presídio Baldomero Cavalcante, em Maceió. Os dois acusados de autoria material também estão presos em Maceió. ### Julgamento terá platéia em estádio Arapiraca - O acusado Milton Silva Roberto, que chegou a assumir o mandato de vereador, mas depois foi cassado, entrou com ação no Tribunal de Justiça contestando a decisão do juiz Durval Mendonça Júnior de submetê-lo ao júri popular. Manobra jurídica Com a manobra jurídica - explica o magistrado - o acusado deve adiar seu julgamento por pelo menos dois meses. ?Cabe ao TJ decidir se ele será ou não submetido ao júri popular?, explica Durval Mendonça Júnior. O julgamento dos dois acusados de autoria material do crime que repercutiu em todo o Estado de Alagoas será na próxima quinta-feira, a partir das 9 da manhã, nas dependências do Clube Social de Olho d?Água das Flores, que tem capacidade para receber até duas mil pessoas na platéia. Para garantir a segurança, o magistrado informou estar mantendo contatos com a Polícia Militar para disciplinar o acesso do público ao local do julgamento. Confirma e nega ?Na fase do inquérito policial, os dois acusados confessam o crime de homicídio qualificado. Durante os depoimentos no Poder Judiciário, os acusados negam envolvimento na morte do vereador?, informa o juiz Durval Mendonça Júnior, segundo o qual - com base no pedido de condenação do Ministério Público - são fortes os indícios contra os acusados. ?O celular encontrado com Lausio, por exemplo, tinha sido habilitado em nome de Milton Silva Roberto?, completa o magistrado. Lausio Lima e Gilmar Alves não teriam condições de pagar advogado de defesa. Nesse caso, eles serão defendidos pelo advogado Roberto Gomes, que aceitou defendê-los gratuitamente depois da intervenção do Poder Judiciário. ?Isso porque não temos defensor público na comarca?, explica Durval Mendonça Júnior. Os dois acusados serão julgados por sete pessoas, que foram sorteadas de um grupo de 21 pessoas aptas à composição do júri popular. Recusa de nomes Ainda segundo explicou o juiz Durval Mendonça Júnior, caso as partes discordem da lista de integrantes do júri popular, pelo menos três podem ter o nome retirado da lista. Os nomes também podem ser retirados em caso de pressão por parte de pessoas ligadas aos acusados, o que, segundo o magistrado, não seria comum na comarca de Olho d?Água das Flores. O promotor Luiz Tenório Oliveira atuará como acusador e pedirá a condenação dos acusados com base nas informações apuradas pela Polícia Civil, que comprovou a ligação de Lausio e Gilmar com o ex-vereador Milton Silva Roberto, principal interessado na morte do então vereador José Dória de Souza, que teve a vida ceifada pouco depois de iniciar o quarto mandato. A Justiça vai continuar tentando desmontar a manobra jurídica de Milton Silva, para acelerar seu julgamento. |MM

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