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Morte por encomenda envolve policiais

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CARLA SERQUEIRA Repórter Na manhã de hoje, as ossadas que podem ser do empreiteiro José Maria dos Santos, 55 anos, serão desenterradas. Elas estão no cemitério Divina Pastora, em Rio Novo, local onde são sepultados os indigentes pelo Instituto Médico Legal (IML). Três policiais militares são suspeitos no assassinato. José Maria, conhecido como ?Araújo?, foi morto no dia 8 de fevereiro, com a ajuda da esposa, Maria José da Silva, a ?Nena?, 29 anos, sacoleira. Ela confessou ter colocado sonífero no suco da vítima, por volta das 13h daquele dia, para facilitar a ação dos assassinos. Segundo ela, a morte do marido foi tramada por um amigo, José Carlos, que teria sido ameaçado por Araújo. ?José Carlos?, contou Nena, ?é irmão do meu motorista, Júnior. Eu o conheci há dois meses, por intermédio de Júnior?. Nena afirmou que seu esposo teria visto José Carlos dentro do carro com ela e o motorista e teria ficado com ciúmes. ?Araújo disse que ia matar José Carlos?, revelou Nena, que avisou ao suposto amigo sobre a ameaça. ?Não vai me matar, nem matar o Júnior, quem vai morrer é ele?, teria dito José Carlos a ela. O policial Jairo Dantas, segundo Nena, foi ?contratado? por José Carlos para planejar o crime, que teria sido praticado pelo ex-segurança Marcelo Santos e pelo técnico em refrigeração Luiz Aquino. ?Trabalho há 2 anos numa loja de ar-condicionado para carros. Jairo era cliente de lá. Ele disse que tinha um negócio para mim. Era só pegar o dinheiro [R$ 35 mil] e vir embora?, disse Luiz de Aquino. ?Jairo fazia rondas na Chã da Jaqueira, perto de onde eu moro. Ele perguntou: ?Tá precisando de dinheiro?, eu disse: ?tô?, e marcou comigo o dia?, acrescentou Marcelo Santos. Os dois, segundo dizem, nunca tinham se visto antes. Eles disseram que foram levados por Jairo até o PM Correia, outro suspeito do crime, na tarde do dia 8 de fevereiro. ?O Correia levou a gente, num Corsa verde, até a casa de Nena. Ela estava na porta com dois revólveres. Pegamos as armas e entramos. Procurei o dinheiro na mala do carro [um Celta preto, de Araújo] mas não encontrei. O marido dela estava desacordado no sofá. Resolvemos levá-lo?, detalhou Luiz de Aquino que, segundo a polícia, deu um soco, uma coronhada na cabeça e um golpe no pescoço da vítima, deixando rastro de sangue na sala. ?Nena cortou o fio telefônico com uma faca para a gente amarrar o homem. Jogamos o corpo numa ribanceira na Forene?, contou Aquino. Marcelo Santos e Luiz de Aquino contaram que nunca receberam pelo crime. ?Liguei várias vezes para cobrar. Jairo, depois de muitos dias, me levou um talão de cheques. Troquei alguns com Alexandre [também preso]?, disse Luiz. ?Jairo me ligou e pediu para eu ir a um supermercado na Cambona [na última sexta]. Quando eu cheguei ele disse: ?a casa caiu?, então percebi que ele estava preso?, detalhou Marcelo. A polícia chegou até os suspeitos por meio do PM Jairo, que confessou a participação no crime, entregando os comparsas. O PM Antônio Rita também foi apontado como suspeito. ### Polícia indicia também dono de ferro-velho O carro de José Maria dos Santos, um Celta preto, foi vendido por R$ 500 ao empresário identificado apenas como Marciel. Duas lojas dele, na Vila Brejal, e mais uma terceira, na Rua Cabo Reis, foram interditadas pela polícia ontem pela manhã. De acordo com o delegado de Roubos e Furtos de Veículos, Carlos Alberto Reis, peritos do Instituto de Criminalística vão fazer levantamentos na tentativa de localizar peças do veículo. O dono do ferro-velho, Marciel, e também José Carlos, o suposto amigo de ?Nena?, mulher da vítima que teria articulado o crime com os três policiais e os dois executores, estão com prisões decretadas desde a última semana. Ontem, o secretário de Defesa Social, coronel Ronaldo dos Santos, reconheceu a vulnerabilidade dos policiais. ?A linha que separa o policial do bandido é muito delgada?, afirmou, ao revelar que é quase impossível controlar os cerca de oito mil policiais militares de Alagoas. ?Para você ter idéia, um destes policiais acusados, na avaliação interna da PM, foi classificado como exemplar?, revelou o coronel. O corregedor-geral da Polícia Militar, coronel Omena, afirmou que hoje uma sindicância será aberta para apurar o caso. ?Não recebi ainda provas concretas sobre a participação deles. Mas se houver a comprovação de envolvimento, mesmo que eles não tenham agido diretamente no crime, serão expulsos da corporação?, assegurou ao revelar que os três militares, Jairo Dantas, Antônio Rita e Edilson Correia são policiais antigos, com mais de dez anos de serviço. No último domingo, Marcelo Santos, Luiz de Aquino e Maria José da Silva, a Nena - todos presos na Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos - levaram a polícia até o local onde o corpo foi abandonado. Nena, após o crime, fugiu para Branquinha. José Carlos, amigo de Nena, continua foragido.|CS Nena chora e confessa detalhes de assassinato do marido

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