Polícia
Juiz alerta para nova fac��o em Alagoas
| CARLA SERQUEIRA Repórter O juiz do Núcleo de Combate ao Crime Organizado, Diógenes Tenório, disse ontem ser possível a existência de uma nova gangue fardada em Alagoas. Ele fez a avaliação com base no assassinato do empreiteiro José Maria dos Santos, o ?Araújo?, 55 anos. O crime envolve três policiais militares. ?Esta é uma nova facção da gangue fardada. Estes policiais confessaram o crime com profunda frieza. Ninguém sabe desde quando estes crimes de pistolagem são praticados. Eles não possuem característica de primários?, afirmou o juiz, que acompanhou o depoimento dos militares, quando foram presos no sábado, dia 18. ?Este foi um crime de pistolagem nitidamente perverso?, considerou Diógenes Tenório. Jairo Dantas, um dos três policiais militares que confessaram participação na morte do empreiteiro, vai depor hoje, na sede do grupo de operações especiais da Polícia Civil (Tigre), no Farol. O empreiteiro foi enforcado com fio telefônico em sua residência, no Eustáquio Gomes, no dia 8 de fevereiro, com a ajuda da mulher, a sacoleira Maria José da Silva, conhecida como ?Nena?, 29. Os outros dois militares, Edilson Correia e Antônio Rita, teriam articulado o crime com Jairo. O assassinato foi cometido pelo ex-segurança Marcelo Santos, 23, e pelo técnico em refrigeração automotiva, Luiz de Aquino, 28, a mando de um sétimo suspeito de envolvimento no assassinato, o fotógrafo José Carlos de Almeida Santos, suposto amante de Nena, até então foragido. Segundo o delegado Carlos Alberto Reis, que preside o inquérito, o fotógrafo fugiu com medo de ser morto. ?Fomos na casa dele e sua mulher disse que três homens armados foram matá-lo?, afirmou, sem saber identificá-los. Reis contou que a tentativa de homicídio partiu de pessoas envolvidas na morte do empreiteiro. ?Como ninguém recebeu pelo crime, a suspeita é de que foram cobrar pelo dinheiro. A morte custaria R$ 35 mil, que estava no carro da vítima, e mais R$ 10 mil após a execução?, afirmou. O delegado disse que ainda espera pela ficha dos três policiais militares presos. ?Já solicitei ao comando da Polícia Militar informações sobre o passado dos três, mas ainda não me chegou nada?, revela Reis. A mesma reclamação faz a Corregedoria Geral da Polícia Militar. ?Por incrível que pareça, só tenho os mandados de prisão dos policiais. Estou aguardando mais dados sobre eles?, afirmou o coronel Cláudio Omena. O comando da PM, por sua vez, disse que não tem como antecipar informações. Ontem, o juiz Diógenes Tenório disse que a participação do PM Antônio Rita no crime não ficou muito clara. ?Que ele participou, não existe dúvida, mas não sabemos em que fase da trama?. O delegado Reis também não sabe ainda de que forma o PM Rita se envolveu. Enquanto o passado dos três policiais militares continua desconhecido, a Polícia Civil descobriu que os executores do crime, Marcelo Santos e Luiz de Aquino, são reincidentes. ?Foi só a foto deles ser publicada nos jornais que nos chegaram as informações?, disse o delegado Reis. Segundo ele, Marcelo Santos é acusado de outros três homicídios e Luiz de Aquino já teria negociado mais de 50 cheques roubados em Maceió. ?Marcelo vai responder também por porte ilegal de arma?, contou. ?Quando o prendemos, ele estava com uma pistola Colt calibre 45 na virilha. Esta pistola tem o maior calibre do mundo e possui uso restrito, não pode ser utilizada nem pela polícia, só pelas Forças Armadas?, disse o delegado, ao revelar que Luiz de Aquino tem prisão decretada em São Paulo. ### Exame pode mudar versão de crime Um exame de conjunção carnal numa criança foi solicitado na última terça-feira, dia 21, pelo delegado Carlos Alberto Reis. Ele não quis adiantar informações antes de receber o resultado. ?Não posso falar nada sem provas?, disse ele. A exploração sexual, se confirmada, pode ter ligação com a morte do empreiteiro José Maria dos Santos, assassinado a mando da mulher, Maria José da Silva, a Nena, com a participação de três policiais, Jairo Dantas, Edilson Correia e Antônio Rita, e de pelo menos mais três pessoas, Marcelo Santos, Luiz de Aquino e José Carlos de Almeida. O delegado não confirmou, mas a Gazeta descobriu que a menina examinada foi a filha de Nena, uma garota de nove anos. O empreiteiro José Maria, mais conhecido como Araújo, morava há cerca de um ano com Nena, numa casa no conjunto Eustáquio Gomes. O casal não teve filhos. Nena é mãe de duas meninas, uma de 9 e outra de 4 anos. A suspeita inicial é de que o crime foi provocado por ciúmes. Nena contou que seu marido a viu no carro da família na companhia do fotógrafo José Carlos, irmão de seu motorista, identificado apenas como Júnior. ?Não tive nada com José Carlos, ele estava só me orientando como trabalhar com cartão de crédito?, diz ela, que é sacoleira. O delegado Carlos Alberto Reis disse que o fotógrafo teria ligações com o policial militar Antônio de Rita. ?Não sabemos ainda que tipo de ligação eles tinham, mas sabemos que eles eram próximos?, revelou, afirmando que, até agora, não foi citado o nome de mais nenhum policial envolvido em crimes de pistolagem. Terça-feira, dia 23, o corpo do empreiteiro, encontrado no último dia 3, foi desenterrado no cemitério Divina Pastora, onde são sepultados os indigentes. A família pede justiça e solicita que os policiais presos sejam expostos como foram os demais envolvidos no crime. |CS