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Nº 5732
Polícia

Adalberon indiciado por mais um crime

REGINA CARVALHO Repórter Satuba - O delegado Claudemiltkson Benemarcan indiciou ontem o ex-prefeito de Satuba Adalberon de Moraes como autor intelectual do assassinato de Carlos André Fernandes dos Santos, suposto amante de Fátima Pedrosa, s

Por | Edição do dia 24/03/2006 - Matéria atualizada em 24/03/2006 às 00h00

REGINA CARVALHO Repórter Satuba - O delegado Claudemiltkson Benemarcan indiciou ontem o ex-prefeito de Satuba Adalberon de Moraes como autor intelectual do assassinato de Carlos André Fernandes dos Santos, suposto amante de Fátima Pedrosa, sua ex-mulher. O crime ocorreu no início do mês de agosto do ano passado. O ex-prefeito foi interrogado por mais de três horas na delegacia de Satuba e pode ter prisão solicitada, segundo o delegado que preside o inquérito policial. “Recebi uma carta que foi entregue pela mãe da vítima que fala sobre o caso amoroso de Fátima e Carlos. O ex-prefeito confirmou ter sido ele mesmo quem escreveu, mas diz que não foi em tom ameaçador. Mas na minha opinião significou, sim, uma ameaça”, disse o delegado. Adalberon negou envolvimento no crime, mas comentou ter recebido por três vezes a visita do ex-deputado estadual e atual vice-prefeito de Satuba, Délio Almeida, quando estava no presídio Cirydião Durval. “Ele [Adalberon] contou que durante as visitas, o doutor Délio narrou que teria levado um murro de Carlos André e que por causa dessa agressão teria dito que ia matar o amante de Fátima”, contou Benemarcan. Entretanto, segundo o delegado, em nenhum momento Adalberon acusou diretamente o vice-prefeito de ter planejado o crime. Para esclarecer o que aconteceu durante essas visitas, o delegado de Satuba vai promover uma acareação entre Adalberon e Délio Almeida, mas sem data prevista para acontecer. “Ele [Adalberon] disse que vai viajar, possivelmente na volta marcarei a acareação para tirar a dúvida. A própria Fátima me confirmou que tinha um relacionamento com Carlos André e disse que o assassinato dele teria sido planejado por Délio e Adalberon”, confirmou Benemarcan. A polícia quer esclarecer se o crime foi planejado apenas por Adalberon ou se teve a participação do ex-deputado estadual. “A acareação vai mostrar quem está falando a verdade”, disse o delegado. Enquanto o ex-prefeito era interrogado, moradores da cidade se concentraram em frente à delegacia. Na saída, Adalberon declarou inocência e foi aplaudido por populares. Ele chegou à delegacia às 10 horas, uma hora antes de começar o interrogatório, e permaneceu todo o tempo na sala do delegado, sem querer falar com a imprensa. Segundo informação do delegado Benemarcan, os autores materiais do crime foram o sargento Raimundo Medeiros e o assessor parlamentar Luiz Henrique Oliveira, que ainda estão foragidos e respondem por outros crimes. Logo depois do assassinato, o sargento Medeiros chegou a ser ouvido pela polícia, mas negou o crime. “Recebi uma carta anônima que apontava os dois como as pessoas que atiraram em Carlos André”, lembrou o delegado. Carlos André, 25 anos, foi morto a tiros por dois homens, que estavam numa motocicleta, quando chegava ao Auto Posto São Paulo, em Satuba, de propriedade de Adalberon. O ex-prefeito de Satuba é acusado de envolvimento no assassinato da feirante Gizele Suplime dos Santos, crime ocorrido em 1997; do assessor parlamentar Jeams Alves dos Santos, morto em 2002; do professor Paulo Bandeira, queimado vivo em 2003, e de Carlos André (2005). Adalberon ficou no presídio Cirydião Durval por dois anos e meio. O ex-prefeito ganhou liberdade em dezembro do ano passado, por determinação do desembargador Orlando Manso, que concedeu habeas-corpus ao acusado. O inquérito policial sobre a morte do amante de Fátima Pedroza já foi três vezes para a Justiça e agora está na reta final, segundo informou Claudemiltkson Benemarcan. “Devo estar mandando o inquérito para a Justiça até a próxima semana”, disse o delegado. ### Morte de professor volta a ser investigada | FELIPE FARIAS Repórter No próximo dia 19 de abril, no Fórum de Satuba, recomeçam as audiências para interrogatório de testemunhas e réus denunciados por envolvimento na morte do professor Paulo Bandeira, queimado vivo dentro do próprio carro após denunciar irregularidades na administração de verbas federais destinadas à educação no município. Entre os acusados está Adalberon de Moraes, prefeito de Satuba na época, indiciado ontem pela morte do motorista Carlos André Fernandes dos Santos. Ele foi apontado pelo próprio Bandeira, numa carta-denúncia escrita antes de morrer, em que relacionou algumas fraudes e até ameaças que teria recebido. A retomada da chamada instrução criminal foi decidida pela juíza Ana Raquel Gama, titular em Viçosa, mas que responde também pela comarca de Satuba, a partir de pedido feito pelo promotor Cyro Blatter e pela acusação. “Certamente outras pessoas serão denunciadas”, informou Blatter, sem acrescentar nomes e nem revelar quantos serão os novos réus do processo, sob o argumento de que a divulgação pode comprometer o trabalho da Justiça. “O que nós fizemos foi atender a um pedido de novas diligências feito pelo Ministério Público e pela assistência de acusação”, informou a juíza Ana Raquel. A Gazeta apurou, no entanto, que serão pelo menos dois novos envolvidos que, com a retomada do processo, serão transformados em réu. Até o momento, encontram-se nessa condição, além do ex-prefeito Adalberon de Moraes, dois seguranças, que são policiais militares, e o motorista dele. Mas, dos quatro, apenas os dois PMs estão detidos no presídio militar, situado no 1º Batalhão, no Trapiche da Barra, segundo a Justiça. O advogado Everaldo Patriota, que atua como assistente de acusação, alegou que não deveria dar declarações, pelo fato de representar uma das partes. A Gazeta também tentou ouvir a família do professor, mas a viúva, Silene, não foi localizada. Novas diligências e réus Entre as diligências que ainda faltam ser feitas está o interrogatório de testemunhas consideradas importantes e de envolvidos em potencial, além do rastreamento de escutas telefônicas que foi pedido, mas que nunca foi feito. Além disso, segundo o promotor, o Código de Processo Penal prevê que quando um novo magistrado assume um processo pode ouvir novamente testemunhas e acusados. Na prática, o caso, que soma sete volumes, encontrava-se parado porque o juiz Manoel Tenório respondia por duas comarcas e não podia estar diariamente em Satuba; mesmo problema que será enfrentado pela atual juíza do caso, Ana Raquel Gama. “Mas o importante é que o processo não está parado e tanto eu quanto o promotor temos todo o interesse de que esse caso não seja mais um a cair no esquecimento, na impunidade”, disse a juíza. Ela não fez, porém, previsão de quanto tempo o processo ainda levará. “Depois dessa audiência [de abril], possivelmente só vamos ter pauta em maio, por exemplo. E, sobretudo, por causa do aditamento [inclusão de mais réus], deve levar mais algum tempo”, disse a juíza. A morte do professor Paulo Bandeira, no ano de 2003, chocou o País. Depois de o professor desaparecer da cidade, seu corpo foi encontrado acorrentado ao próprio carro; Paulo Bandeira fora queimado vivo. O crime provocou o desencadeamento de uma devassa nas contas públicas da cidade. A Controladoria Geral da União apurou, na época, que 58% dos recursos para a Educação apresentavam algum tipo de irregularidade no município de Satuba.

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